Por: Giulia Santos Camillo
Mais uma vez a questão dos dividendos retidos pela Eletrobrás nas décadas de 1970 e 1980 volta ao foco e impulsiona as ações da empresa. O pagamento dos proventos já é tido como certo e listado por muitos analistas como um dos principais drivers de curto prazo dos papéis. Porém, há uma grande dúvida: quando a questão será resolvida.
E é justamente uma potencial resposta a essa dúvida que fez os papéis ordinários da estatal dispararem mais de 10% no início da sessão. O mercado já esperava uma resolução ainda neste ano, porém, de acordo com reportagens veiculadas na última quarta-feira (20), o diretor financeiro e de Relações com Investidores, Astrogildo Quental, indicou um prazo: setembro de 2008.
A declaração foi feita durante um encontro promovido pela Apimec-SP, onde Quental também informou que, caso a decisão não seja tomada no próximo mês, será resolvida somente em 2009, pois a liquidação, que demora 90 dias, não ocorreria a tempo.
Em resposta às notícias, a empresa enviou um comunicado ao mercado, afirmando que durante a reunião, "foi comunicado que a matéria em questão está em fase final de negociação com o acionista majoritário e que não temos condição no momento de afirmar a data de sua quitação".
Positivo, mas com cautela
Para os analistas do banco UBS Pactual, caso o fato seja confirmado, será muito positivo para os investidores que detêm ações ordinárias da Eletrobrás. "Considerando o preço atual do mercado, isso implicaria em um dividend yield de aproximadamente 35% para os papéis ordinários".
A opinião é compartilhada pela Link Investimentos, indicando que tanto o Governo como a empresa têm dado sinalizações positivas acerca da resolução. A instituição afirma que o dividendo esperado por ação ordinária seria de R$ 9,41.
Porém, os analistas guardam ressalvas em relação ao assunto: "vale lembrar que essa história se arrasta desde a década de 70, portanto está sujeita a se arrastar por mais tempo".
Diluição
O diretor também confirmou que a estatal irá realizar um aumento de capital para efetuar o pagamento dos dividendos. Do total, R$ 1,8 bilhão deve ser pago aos acionistas minoritários, enquanto o Tesouro deve receber algo entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,8 bilhão, sendo ambos os pagamentos efetuados em dinheiro.
Na reunião, Quental afirmou que a Eletrobrás não tem condições de pagar toda a dívida em dinheiro, pois isso comprometeria sua capacidade de investimento. Mas o que preocupa o UBS é a diluição potencial que esse aumento de capital representa para os acionistas minoritários. De acordo com os cálculos do banco, a dívida total em dinheiro, considerando também os direitos de preferência dos minoritários, será traduzida em um aumento de capital entre R$ 8,1 bilhões e R$ 8,5 bilhões.
"Isso poderia possivelmente levar a uma diluição de 20% a 21% para os acionistas minoritários", revelam os analistas.
Mais uma vez a questão dos dividendos retidos pela Eletrobrás nas décadas de 1970 e 1980 volta ao foco e impulsiona as ações da empresa. O pagamento dos proventos já é tido como certo e listado por muitos analistas como um dos principais drivers de curto prazo dos papéis. Porém, há uma grande dúvida: quando a questão será resolvida.
E é justamente uma potencial resposta a essa dúvida que fez os papéis ordinários da estatal dispararem mais de 10% no início da sessão. O mercado já esperava uma resolução ainda neste ano, porém, de acordo com reportagens veiculadas na última quarta-feira (20), o diretor financeiro e de Relações com Investidores, Astrogildo Quental, indicou um prazo: setembro de 2008.
A declaração foi feita durante um encontro promovido pela Apimec-SP, onde Quental também informou que, caso a decisão não seja tomada no próximo mês, será resolvida somente em 2009, pois a liquidação, que demora 90 dias, não ocorreria a tempo.
Em resposta às notícias, a empresa enviou um comunicado ao mercado, afirmando que durante a reunião, "foi comunicado que a matéria em questão está em fase final de negociação com o acionista majoritário e que não temos condição no momento de afirmar a data de sua quitação".
Positivo, mas com cautela
Para os analistas do banco UBS Pactual, caso o fato seja confirmado, será muito positivo para os investidores que detêm ações ordinárias da Eletrobrás. "Considerando o preço atual do mercado, isso implicaria em um dividend yield de aproximadamente 35% para os papéis ordinários".
A opinião é compartilhada pela Link Investimentos, indicando que tanto o Governo como a empresa têm dado sinalizações positivas acerca da resolução. A instituição afirma que o dividendo esperado por ação ordinária seria de R$ 9,41.
Porém, os analistas guardam ressalvas em relação ao assunto: "vale lembrar que essa história se arrasta desde a década de 70, portanto está sujeita a se arrastar por mais tempo".
Diluição
O diretor também confirmou que a estatal irá realizar um aumento de capital para efetuar o pagamento dos dividendos. Do total, R$ 1,8 bilhão deve ser pago aos acionistas minoritários, enquanto o Tesouro deve receber algo entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,8 bilhão, sendo ambos os pagamentos efetuados em dinheiro.
Na reunião, Quental afirmou que a Eletrobrás não tem condições de pagar toda a dívida em dinheiro, pois isso comprometeria sua capacidade de investimento. Mas o que preocupa o UBS é a diluição potencial que esse aumento de capital representa para os acionistas minoritários. De acordo com os cálculos do banco, a dívida total em dinheiro, considerando também os direitos de preferência dos minoritários, será traduzida em um aumento de capital entre R$ 8,1 bilhões e R$ 8,5 bilhões.
"Isso poderia possivelmente levar a uma diluição de 20% a 21% para os acionistas minoritários", revelam os analistas.