O que é melhor para a aposentaria (daqui 30 anos): comprar PIBB11 mensalmente, ou fazer aportes mensais em um VGBL agressivo (49% em ações)? O economista Humberto Veiga respondee traz uma análise importante para os interessados em planejar o futuro. Descubra a opção mais adequada para você e também fique por dentro das taxas cobradas.
Por Humberto VeigaEsta ótima pergunta, que chegou no meu blog, pode passar despercebida por muita gente e, por isso me estimulou a fazer este artigo. Não vou indicar investimentos, como sempre registro, mas vou destacar, sucintamente, as características que considero principais dessas duas formas de investimentos para que você possa tomar a sua própria decisão.
Antes que levantem esta questão, os dois produtos poderiam ser considerados “incomparáveis” por tratarem-se de segmentos diferentes, mas não é o caso. Podemos imaginar que um deles (o VGBL) destina-se exclusivamente ao planejamento de aposentadoria, enquanto o outro (o PIBB11), pode muito bem ser utilizado para este fim, embora haja outras possibilidades para este fundo.
Vou destacar um ponto bem notado pelo autor da pergunta. A composição do VGBL agressivo permite o máximo de 49% da carteira em ações. Isso significa que, se você quiser se sujeitar a um risco maior e aplicar um percentual superior a 49% em ações, não será possível com a utilização do VGBL.
Em termos de custos, o VGBL normalmente tem uma taxa de carregamento. Ela incide a cada depósito, no caso convencional, ou, para estimular a sua permanência no plano, é debitada na saída, com um percentual decrescente em função do tempo de permanência. Em algumas situações a cobrança do carregamento é um misto dessas duas formas.
Antes de continuar, lembro que PIBB11 é uma forma de aplicação em fundo de investimento em ações, no qual você adquire a cota diretamente na Bovespa, como se fosse uma ação. Para isso, é necessário abrir uma conta em uma corretora.
Comparando a taxa de carregamento com a corretagem da corretora, vamos supor duas situações: corretagem fixa e corretagem variável:

O valor na primeira coluna representa o quanto você deposita por mês. A segunda coluna representa o valor devido na corretagem variável e da terceira em diante, o percentual do que poderia ser considerado “taxa de carregamento” para comparação. A título de exemplo, se o investidor depositar R$ 500,00, a “taxa de carregamento” para aplicar no PIBB11 diretamente na Bovespa por meio de uma corretora será de 2% para quem aplica com corretagem variável, de 1% para quem aplica com corretagem fixa de R$ 5,00 e, 3,2% para uma corretagem de R$ 16,00 e de R$ 4% para uma corretagem fixa de R$ 20,00.
Com relação à taxa de administração, o PIBB cobra mais ou menos 0,059% ao ano, o que é algo que você não encontra no Brasil (raramente encontrará no mundo) para valores de aplicação inferiores a R$ 200,00. Por outro lado, há corretoras que cobram a taxa de custódia mensal, que é única tanto para aplicações em ações, quanto para a manutenção do PIBB. Isso significa que você se depara com um custo adicional que precisa ser levado em consideração.
Taxa de custódia de ações comparada à taxa de administração

O Valor das células dessa tabela indicam a taxa de administração anual equivalente. Calma, este nome é longo, mas significa o seguinte: se a corretora cobrar R$ 10,00 por mês de taxa de custódia, e o saldo da sua aplicação é de R$ 10.000,00 seria o mesmo que investir em um fundo de investimentos ou VGBL que cobrasse uma taxa de administração de 1,2% ao ano. Veja que se o volume da aplicação aumenta, a “taxa de administração equivalente” diminui.
Nesse ponto, vale verificar também o seguinte: é melhor aplicar no PIBB diretamente ou por meio de um fundo de ações PIBB administrado por um banco? Com relação às taxas de administração fica fácil comparar com a tabela que forneci, mas tenha sempre em mente que, a partir de um patamar, a taxa de custódia é melhor do que a de administração, porque a primeira ficará fixa e esta última será sempre calculada com base no valor que você tem aplicado. A taxa de administração é uma espécie de sócia do seu investimento.