quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Consumo de álcool deve crescer 50,4%, mesmo com o combustível mais caro

Por: Flávia Furlan Nunes

Mesmo registrando aumento de preços a cada mês, o consumo de álcool combustível deve crescer no Brasil até 2011. Estimativa do analista Ângelo Bressan aponta para um incremento de 50,46% em quatro anos.

No estudo "O etanol como um novo combustível universal", ele aponta que a demanda interna deve saltar de 16,47 bilhões de litros em 2007 para 24,78 bilhões em 2011. Os dados foram divulgados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) nesta quinta-feira (4).

De acordo com o estudo, o avanço reflete a opção da indústria, governo e dos consumidores por uma matriz energética mais limpa. "Após quatro safras positivas, a frota de veículos em circulação no País, movidos exclusivamente à gasolina, caiu de 45% para 8%", revelou Bressan.

Preços mais altos
O avanço do consumo de álcool se consolidará, mesmo com uma tendência de alta do preço do combustível. Dados divulgado
s pela ANP (Agência Nacional do Petróleo) revelaram que o álcool ficou 8,09% mais caro entre agosto de 2007 e 2008. Em um mês, houve avanço de 0,41%.

Diante do encarecimento, um motivo apontado para o crescimento do consumo pode ser o fato de o uso do álcool compensar em alguns estados brasileiros, em vez do abastecimento com gasolina.

No oitavo mês do ano, todos os brasileiros do Sul e Sudeste poderiam trocar a gasolina pelo álcool sem ter prejuízos. Para a troca compensar, é necessário que o
preço do álcool seja de até 70% em relação ao da gasolina.

Produção
A indústria sucroalcooleira vai esmagar 558,72 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2008. Deste volume, 317,82 milhões de toneladas serão para a fabricação de álcool etílico (etanol), o que significa 17,29% a mais que em 2007.

O montante vai gerar 27,08 bilhões de litros do combustível, sendo 63,76% de álcool hidratado (vendido nos postos) e o restante de álcool anidro (misturado à gasolina).