quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Citi acredita em super-ciclo, mas reduz projeções de preços para metais

Por: Vitor Silveira Lima Oliveira

Frente a um cenário cada vez mais complicado para o crescimento mundial, os analistas do Citi reduziram suas projeções para o preço de metais até 2010; alguns de maneira drástica. Ainda assim, crêem na continuidade do super-ciclo de commodities.

Como os investidores já cansaram de ouvir, um dos fatores mais influentes na forte elevação das cotações de commodities nos últimos anos foi o crescimento da China. Embora ainda seja vertiginosa, os analistas dão como certo um esfriamento da atividade econômica do gigante asiático, bem como de outros emergentes.

Resistência
De modo quase paradoxal, os analistas entendem que o cobre representa a opção melhor posicionada para enfrentar as flutuações negativas dentro do ciclo econômico, mas ao mesmo tempo, reduziram drasticamente suas projeções de US$ 4,75 por libra para US$ 3,65 por libra ao fim de 2010.

Outro produto a sofrer forte redução em suas projeções foi o alumínio, cujo desempenho recente é considerado "um desapontamento". Segundo os analistas, a escassez crescente de energia e carvão será importante no longo prazo, mas deixou de ser um gatilho para os preços no próximo biênio.

Tendência de queda
Importantíssimo para o mercado brasileiro, em função do peso de mineradoras e siderúrgicas, o preço do minério de ferro também deverá ser reajustado dentro de uma banda inferior à anteriormente esperada, entre aumento de 10% e redução de 20%.

Por mais pessimistas que sejam as novas projeções, os autores do trabalho reforçam que estão acima dos atuais preços no mercado à vista e no mercado futuro. "Os preços são amparados por custos de produção e margens. Não acreditamos que cairão abaixo destes níveis por um período sustentado, meses", esclarecem.

Deste modo, as opções favoritas dos analistas são ouro, carvão e o já mencionado cobre, que devem mostrar mais resistência de preço em função do aperto maior entre oferta e demanda, ao contrário de produtos como o níquel, que continuará a sofrer com o excesso de oferta.

Ondas
Todo o estudo elaborado pelos analistas John Hill, Graham Wark e Paul Cheng é permeado pela idéia de que vivemos uma pausa, um momento de correção dentro da tendência secular de alta para as commodities, em função da demanda crescente originada nos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) e por sérias restrições logísticas, políticas e naturais do lado da oferta.

"A próxima 'perna' de crescimento para os metais poderá ser ainda mais poderosa que a precedente, pois quando a atividade econômica global se recuperar, a demanda será ampliada pela remontagem de estoques, enquanto a oferta será contida por fechamentos de minas e atrasos em novos projetos", ressaltam os analistas.