Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
O estouro da crise de crédito em setembro provou uma profunda alteração na estrutura dos mercados. Basta olhar para o setor financeiro dos Estados Unidos para perceber. A consolidação generalizada levou diversas instituições à quebra; as que restaram buscaram um parceiro para sobreviver. A Bolsa brasileira não escapa: reflete bem esta alteração de cenário.
Depois de cinco anos consecutivos de ganhos, 2008 já acumula mais de 22% de queda do Índice Bovespa. Mas a mudança mais abrupta foi vista no trimestre encerrado na terça-feira (30). Completamente refém da crise, o índice registrou seu pior trimestre dos últimos sete anos. Se tratando de investimentos em ações, qualquer alteração significativa de cenário pede adaptação da estratégia.
Grosso modo, é preciso dançar conforme a música. Com perspectivas de desaquecimento da demanda global ou fuga dos estrangeiros para cobrir suas perdas lá fora, os ativos de maior liquidez são os que mais sofrem. Que maior liquidez reduz o risco da aplicação é consenso, mas até que ponto somente liquidez é sinônimo de segurança?
"Segurança" parece mesmo a palavra da vez. Com a única certeza à frente sendo a incerteza e a cautela dando o tom dos negócios, é preciso adaptar a estratégia de investimento a esta nova realidade. A postura dos analistas serve de ótimo exemplo a esta questão.
A nova cartilha de investimento
Como é início de mês, as famosas carteiras recomendadas começam a ser divulgadas. É clara a mudança de postura dos analistas, basta verificar os ativos excluídos e incluídos dos portfólios recomendados. Liquidez segue como premissa básica, mas agora vem acompanhada por solidez, geração de caixa estável e bons dividendos; características básicas do investimento defensivo.
Tomando como exemplo a carteira mensal da Link Investimentos, os papéis de ALL, Aracruz, B2W, CSN e NET perderam lugar entre as sugestões para três papéis do setor elétrico - reconhecidos como bons pagadores de dividendos - e as ações do Bradesco, este último com ressalvas a seu posicionamento sólido no mercado doméstico.
Outro bom exemplo é o portfólio recomendado pela corretora SLW. O destaque vai para as "alternativas conservadoras", como salientado pela instituição ao comentar a participação da Telesp na lista. Dos cinco ativos da carteira, três respondem ao segmento de energia e saneamento.
Dançando conforme a música
Nesta "adaptação de cenário", as elétricas se sobressaem. Apresentaram ótimo desempenho na sessão da terça-feira e já receberam elogios do banco norte-americano Morgan Stanley, que sugeriu a compra dos papéis do setor exatamente por estes motivos já mencionados.
É reconhecido entre os investidores o caráter defensivo do setor, por relacionar empresas com políticas de elevada distribuição de dividendos e geralmente menos voláteis. Alguns também têm boa liquidez na Bolsa e suas receitas são totalmente atreladas à demanda doméstica. Satisfazem grande parte dos requisitos "defensivos" que os analistas ressaltaram.
Apesar do exemplo, estas características não se restringem aos papéis do setor elétrico. Diversos ativos podem oferecer uma alternativa próxima desta nova cartilha de sugestão dos analistas.
Para os investidores, fica o velho ditado: vale dançar conforme a música.
O estouro da crise de crédito em setembro provou uma profunda alteração na estrutura dos mercados. Basta olhar para o setor financeiro dos Estados Unidos para perceber. A consolidação generalizada levou diversas instituições à quebra; as que restaram buscaram um parceiro para sobreviver. A Bolsa brasileira não escapa: reflete bem esta alteração de cenário.
Depois de cinco anos consecutivos de ganhos, 2008 já acumula mais de 22% de queda do Índice Bovespa. Mas a mudança mais abrupta foi vista no trimestre encerrado na terça-feira (30). Completamente refém da crise, o índice registrou seu pior trimestre dos últimos sete anos. Se tratando de investimentos em ações, qualquer alteração significativa de cenário pede adaptação da estratégia.
Grosso modo, é preciso dançar conforme a música. Com perspectivas de desaquecimento da demanda global ou fuga dos estrangeiros para cobrir suas perdas lá fora, os ativos de maior liquidez são os que mais sofrem. Que maior liquidez reduz o risco da aplicação é consenso, mas até que ponto somente liquidez é sinônimo de segurança?
"Segurança" parece mesmo a palavra da vez. Com a única certeza à frente sendo a incerteza e a cautela dando o tom dos negócios, é preciso adaptar a estratégia de investimento a esta nova realidade. A postura dos analistas serve de ótimo exemplo a esta questão.
A nova cartilha de investimento
Como é início de mês, as famosas carteiras recomendadas começam a ser divulgadas. É clara a mudança de postura dos analistas, basta verificar os ativos excluídos e incluídos dos portfólios recomendados. Liquidez segue como premissa básica, mas agora vem acompanhada por solidez, geração de caixa estável e bons dividendos; características básicas do investimento defensivo.
Tomando como exemplo a carteira mensal da Link Investimentos, os papéis de ALL, Aracruz, B2W, CSN e NET perderam lugar entre as sugestões para três papéis do setor elétrico - reconhecidos como bons pagadores de dividendos - e as ações do Bradesco, este último com ressalvas a seu posicionamento sólido no mercado doméstico.
Outro bom exemplo é o portfólio recomendado pela corretora SLW. O destaque vai para as "alternativas conservadoras", como salientado pela instituição ao comentar a participação da Telesp na lista. Dos cinco ativos da carteira, três respondem ao segmento de energia e saneamento.
Dançando conforme a música
Nesta "adaptação de cenário", as elétricas se sobressaem. Apresentaram ótimo desempenho na sessão da terça-feira e já receberam elogios do banco norte-americano Morgan Stanley, que sugeriu a compra dos papéis do setor exatamente por estes motivos já mencionados.
É reconhecido entre os investidores o caráter defensivo do setor, por relacionar empresas com políticas de elevada distribuição de dividendos e geralmente menos voláteis. Alguns também têm boa liquidez na Bolsa e suas receitas são totalmente atreladas à demanda doméstica. Satisfazem grande parte dos requisitos "defensivos" que os analistas ressaltaram.
Apesar do exemplo, estas características não se restringem aos papéis do setor elétrico. Diversos ativos podem oferecer uma alternativa próxima desta nova cartilha de sugestão dos analistas.
Para os investidores, fica o velho ditado: vale dançar conforme a música.