domingo, 16 de novembro de 2008

Consumidores pensam em adiar planos, por causa do temor à crise econômica

Discurso de crise gera comportamento de crise. Assim a McCann Erickson avalia a relação entre as notícias e o comportamento do consumidor. Em pesquisa realizada pela agência de publicidade com habitantes das regiões Sul, Sudeste e Nordeste, 61% dos entrevistados declararam que, por causa do atual momento da economia, consideram adiar a realização de planos e projetos.

A pesquisa mostra que essa contenção de projetos de consumo ou investimentos será liderada pelos mais preocupados com a crise. Do grupo de pessoas que afirma estar muito preocupada com a crise, 75% consideram adiar planos.

Mesmo entre os que afirmam estar pouco preocupados com a crise, a maioria pretende frear intenções de consumo ou investimentos. No grupo, 58% preferem adiar os planos, contra 42% que levarão adiante o que está programado.

Bye, bye, consumo
O cartão de crédito é um dos protagonistas da lista do que será deixado de lado por causa da crise. Do total de entrevistados, 27% pretendem cortar o cartão de crédito do cotidiano. Destes, 30% são mulheres, 31% pertencem à classe C e 38% residem na região Nordeste.

Mas os itens que encabeçam a relação são, como aponta a pesquisa, ícones da inserção da classe média no mercado consumidor. A compra de automóveis, por exemplo, foi citada por 26,1% dos pesquisados como item a ser cortado, seguida pela compra de bens eletrônicos e eletrodomésticos (25,3%).

Aparecem também na relação dos postergáveis os gastos em reparos na casa (11,8%), a compra de imóveis (11,2%), gastos com viagens (5,9%) e algumas despesas essenciais, como a com saúde (0,3%).

O resultado dessas modificações no padrão de pensamento sinalizam, na opinião dos produtores da pesquisa, a substituição de um consumidor da era do acesso ao crédito fácil. Em seu lugar, devem surgir compradores das classes C e D muito mais criteriosos e que precisam se sentir convencidos antes de realizar uma compra.

O efeito da mídia
O estudo da McCann, que envolveu consumidores com renda entre R$ 600 e R$ 3.000, mostra que pessoas não pensam negativamente em sua situação até que elas se tornam conscientes da crise econômica mundial.

Para os entrevistados, como mostra a pesquisa, a crise é menos real na vida das pessoas do que é na mídia e na vida das empresas. Mas, todas as discussões e notícias a respeito do tema têm levado, principalmente as classes C e D, a acreditarem que, em breve, a crise chegará em seus lares.