domingo, 16 de novembro de 2008

Mais consciente dos problemas, mercado tende a abandonar quedas bruscas

Por: Rodolfo Cirne Amstalden

"Não tem muito mais a amenizar; o mercado já sabe do problema". Ivanor Torres, diretor da corretora Geral, resume o ponto em que estamos. O ceticismo fez boa parte do ajuste nas bolsas, encurtando a chance de surpresas.

Dentro dessa saturação, a minuta de política monetária nos EUA, agendada para quarta-feira (19), perde um pouco do enfoque característico. "Acho que o Fed não vai trazer nenhuma informação adicional". A taxa básica de juro a 1% ao ano parece tão baixa quanto possível. "E reduzir outra vez não resolve nada", completa Torres.

Na Europa é diferente. "O Banco Central da Zona do Euro tem espaço para cortar o juro", segundo os cálculos de Eduardo Machado, analista da corretora Amaril Franklin. Porém, "essa flexibilização tem pouco efeito no curto prazo". Ressalva preocupante, dadas as evidências de recessão no continente.

Mercado lateral
Machado constata que "a recessão está aí; ficou claro para todo mundo". Ele não crê mais em quedas bruscas. Ao longo dos próximos pregões, percentuais negativos devem dar lugar à estabilidade. "Aposto em um mercado lateral por enquanto".

Para o analista da Amaril Franklin, o Ibovespa fecha 2008 perto dos 42 mil pontos. E no ano que vem? Ivanor Torres dá suas estimativas: "trabalhamos com 50 mil pontos em 12 meses".

Os resultados
Com a temporada de resultados chegando ao fim no Brasil, o mercado faz um resumo mais ou menos consensual. "Até setembro, os números vieram dentro do esperado, sem grande influência da crise", interpreta o diretor da Geral.

Já de outubro em diante, Eduardo Machado espera desempenhos "não tão bons". As empresas optam por reduzir produção e investimentos, com impacto negativo sobre os próximos trimestres. "Mas isso já está sendo precificado", lembra Torres. "É só olhar a redução dos preços justos".