terça-feira, 24 de novembro de 2009

Ações de bancos brasileiros estão muito caras, afirma Mercatto

Os maiores bancos brasileiros estão caros demais, depois de uma alta "absurda" este ano, desencadeada pela perspectiva de que eles acelerarão a concessão de empréstimos para atender à crescente demanda do consumidor, segundo a Mercatto Gestão de Recursos.

"Os bancos estão caros, seja qual for o múltiplo em que você esteja olhando", disse Regis Abreu, diretor executivo da Mercatto, empresa sediada no Rio de janeiro que gere cerca de US$ 1,2 bilhão e dirige o R2 FI de Ações, o fundo de melhor desempenho este ano no Brasil.

As ações do Banco do Brasil mais do dobraram em 2009, enquanto as do Itaú Unibanco e as do Bradesco subiram 56%. O avanço empurrou o Índice MSCI Brasil Financeiro para 17,5 vezes o lucro informado, o nível mais alto desde 2007 e acima da média de cinco anos, de 14,4.

Os três bancos provavelmente aumentarão a concessão de empréstimos em 25% no ano que vem, com a aceleração do crescimento econômico do Brasil, disse Mário Pierry, analista do Deutsche Bank AG de Nova York. É o dobro do crescimento do crédito estimado pelo Itaú e pelo Bradesco para este ano. O Banco do Brasil estima o aumento em pelo menos 17%.

Abreu disse que a Mercatto vem vendendo ações do Banco do Brasil, que havia sido a maior posição da empresa. As ações do banco, sediado em Brasília e cuja carteira de empréstimos aumentou 41% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2008, são comercializadas a 8,8 vezes o lucro, quase o dobro de seu nível no começo deste ano.

"As ações dos bancos subiram um absurdo este ano", disse Abreu. "O Banco do Brasil teve bom resultados, é bem administrado e um investimento interessante, mas não é mais barato", afirmou.

O Banco do Brasil expandiu mais rápido que os concorrentes depois das aquisições do Banco Votorantim, em janeiro, e do Banco Nossa Caixa, em novembro de 2008. O crescimento do crédito pelos bancos privados ficou abaixo da média brasileira desde outubro do ano passado, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O Itaú e o Bradesco serão mais agressivos na expansão de seus empréstimos no ano que vem, disse Pierry. O Itaú, sediado em São Paulo, prevê que sua carteira de empréstimos deverá crescer até 25% no ano que vem. O Bradesco, sediado em Osasco, estima uma alta de pelo menos 20%. O Banco do Brasil não divulgou sua projeção para o crédito em 2010.

As ações das instituições de crédito brasileiras estão sendo comercializadas a 2,7 vezes o valor contábil para 2009, comparativamente a 1,5 vez dos congêneres mundiais, disse Pierry, citando dados do Deutsche Bank. O índice russo, por exemplo, está em 1,3.