segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Cresce temor de bolha de alumínio; excedente sobe 29%

Por Millie Munshi e Anna Stablum

Os estoques de alumínio suficiente para construir 69.000 jatos Boeing 747 são o motivo de Peter Sorrentino dizer que o produto, elemento metálico mais abundante da crosta terrestre, está caro demais.

"Não vejo por que o preço do alumínio ficou tão alto", disse Sorrentino, cogestor de US$ 13,8 bilhões na Huntington Asset Advisors de Cincinnati.

"Há bastante oferta e a demanda continua calma. Existe uma falta de ligação entre o preço e a realidade."

O Barclays Capital prevê que o excedente de alumínio aumentará 29%, para 1,63 milhões de toneladas, no ano que vem, uma vez que o maior aumento anual nos preços desde 1994 leva os produtores a aumentar a oferta.

Em abril, a Emirates Aluminium começará a construir a maior fundição do mundo, e uma usina pertencente em parte à Norsk Hydro ASA do Catar começa a funcionar no mês que vem.

A alta do alumínio este ano, de 35%, e o salto, de 46%, no Índice S&P GSCI de commodities está criando o receio de que uma bolha esteja se formando.

A China, o maior produtor de alumínio do mundo, corre o risco de uma ausência de demanda do consumidor por parte dos parceiros comerciais, disse Bill Gross, gestor do maior fundo de bônus do mundo da Pacific Investment Management (Pimco).

O principal executivo da Exxon Mobil, Rex Tillerson, disse em 13 de novembro que os preços do petróleo não têm o apoio dos fundamentos do mercado.

Os investidores estão "correndo atrás das commodities" e surge o risco de bolhas, disse em 20 de novembro Nouriel Roubini, o professor da Universidade de Nova York que previu a crise financeira.

China produz mais

O alumínio, que estava sendo negociado a US$ 2.071,50 a tonelada às 7h06 em Londres, terá o preço médio de US$ 1.885 no ano que vem na Bolsa de Metais de Londres (LME, pelas iniciais em inglês), segundo a mediana de 24 projeções de analistas que participaram de uma pesquisa da Bloomberg.

Os estoques monitorados pela LME quase dobraram este ano, para 4,6 milhões, mais do que a produção da Europa Ocidental.

Um Boeing 747 típico leva cerca de 66 toneladas de liga de alumínio, segundo a empresa.

A China produzirá 18% a mais do metal no ano que vem, somando 8,9% à expansão mundial e contribuindo para um excedente equivalente a mais de três meses da demanda norte-americana, estima o Barclays Capital.

A produção mundial aumentou mais de 12% desde abril, segundo mostram dados do Instituto Internacional do Alumínio (IAI, pelas iniciais em inglês).

Cinco avanços consecutivos nos preços médios anuais até 2007 na LME, o mais longo período de ganhos anuais da série histórica, incentivou as empresas a aumentarem a oferta.

A produção do ano passado, de 38,8 milhões de toneladas, foi 67% a mais que a de 1999, segundo dados do IAI.

À medida que a produção ultrapassou a demanda, os preços caíram 62% nos sete meses desde o recorde de US$ 3.380,15 registrado em julho de 2008.