Por: Nathália A. Terra Pereira
Quem vivenciou crises passadas ocorridas no País de certa forma se surpreendeu com a resistência apresentada desta vez. Fruto de fundamentos econômicos mais sólidos, o bom desempenho brasileiro não está sozinho no continente: de forma geral, toda a América Latina mostrou um progresso considerável na comparação com choques passados.
"Inflação doméstica sob controle e condições monetárias favoráveis parecem ser os grandes propulsores do crescimento registrado", analisa a equipe do JPMorgan. No entanto, a iminência do fim de 2009 traz consigo novos questionamentos entre analistas: o quê esperar de 2010? O crescimento será sustentado? Afinal, em quais países e setores investir?
É com o propósito de responder a tais questões que a equipe de analistas do JPMorgan lançou mão de extenso relatório sobre o cenário latino-americano em 2010, abordando tanto pontos de fundo econômico quanto recomendações de investimentos. E mais uma vez, o banco traz o Brasil entre os lugares de destaque.
O continente
Ainda que a performance geral dos principais índices de ações de mercados emergentes tenha superado a registrada por índices de mercados desenvolvidos, o JPMorgan destaca o notável desempenho das bolsas latino-americanas. Desempenho talvez até bom demais, suscitando entre alguns o temor de uma bolha na região.
Nada mais infundado, na visão do JPMorgan. A valorização registrada este ano não é só justificada, mas também altamente provável de se manter no ano que se aproxima. "Um retorno a máximas históricas pré-crise não é difícil - exigiria resultados corporativos surpreendentes o que, na nossa visão, é muito possível", afirmam os analistas.
Ainda que os lucros reportados no continente ainda estejam abaixo da média configurada na Ásia, o JPMorgan acredita em "uma recuperação rápida", sustentando igual trajetória ascendente nos mercados. Com isso, a equipe traçou projeções de uma alta média de 24% a ser reportada no continente em 2010.
No entanto, como em qualquer cenário de investimento, há riscos inerentes. E no caso das projeções do JPMorgan para as ações latino-americanas em 2010, eles vêm principalmente do ambiente externo. "Um crescimento global abaixo do esperado é o principal risco", afirma a equipe, que no entanto, não deixa de citar também fatores locais, como as eleições programadas para 2010 e a condução das políticas monetárias nacionais.
O Brasil
Caso os 24% previstos já denotem otimismo por parte da equipe, a expectativa de uma valorização de 28% do mercado brasileiro em 2010 revela a visão ainda mais favorável que os analistas têm acerca do País. "Dado o bom desempenho do crescimento econômico, o intenso fluxo de fundos do País, seu status de membro do BRIC e seu perfil atrelado ao mercado de commodities, é difícil acreditar que o Brasil vá registrar uma fraca performance", elogiam os analistas.
A despeito da forte alta reportada pelo mercado brasileiro em 2009 - o Ibovespa acumula ganhos de 76,6% desde o começo do ano -, o JPMorgan enxerga ainda um bom espaço para maiores valorizações no ano que vem. No entanto, o posto de top pick não fica com o Brasil, mas sim com o México, cujo mercado recebe projeção de alta de 24% em 2010, em linha com o esperado para o continente.
Embora o Brasil ganhe expectativas mais otimistas, a equipe vê uma deterioração maior no ambiente de riscos do País do que no México. "Muito do otimismo externo ao Brasil é justificado, mas obstáculos existem e são muitas vezes menosprezados", diz o banco em seu relatório.
Na visão do JPMorgan, tais obstáculos consistem na alta carga tributária incidente sobre a economia brasileira, no perfil rígido de consumo do País e nos altos níveis de dívida apresentados em relação ao PIB (Produto Interno Bruto).
Os setores
Ainda assim, a visão predominante concedida pelo JPMorgan ao mercado brasileiro é positiva, o que ampara a sugestão de "overweight", isto é, desempenho acima da média mundial. Entretanto, postos os riscos já citados, quais setores desfrutam das melhores perspectivas para 2010?
A priori, o JPMorgan destaca o setor financeiro, tido como um dos principais segmentos a serem favorecidos pela política monetária do País e pelo ritmo de expansão na concessão de crédito. Entre os papéis sugeridos, estão os de Bradesco (BBDC4), Santander (SANB11) e Visanet (VNET3) - Cielo.
Outro segmento a receber elogios por parte da equipe é o imobiliário, que dentre os setores mais atrelados às perspectivas de sólido crescimento econômico brasileiro, "é sem dúvidas hoje o mais barato". Para o JPMorgan, as melhores oportunidades entre as incorporadoras imobiliárias listadas na bolsa brasileira estão com os papéis da PDG Realty (PDGR3) e da Gafisa (GFSA3).
Por fim, a expectativa dos analistas de um 2010 de valorização às commodities puxa consigo uma visão positiva com relação às companhias atreladas ao mercado de matérias-primas. A equipe destaca as ações da Petrobras (PETR3, PETR4) e da OGX (OGXP3) no setor de petróleo, bem como os papéis da Vale (VALE5, VALE3), que tendem a trilhar um bom desempenho no encalço da recuperação econômica chinesa.
Quem vivenciou crises passadas ocorridas no País de certa forma se surpreendeu com a resistência apresentada desta vez. Fruto de fundamentos econômicos mais sólidos, o bom desempenho brasileiro não está sozinho no continente: de forma geral, toda a América Latina mostrou um progresso considerável na comparação com choques passados.
"Inflação doméstica sob controle e condições monetárias favoráveis parecem ser os grandes propulsores do crescimento registrado", analisa a equipe do JPMorgan. No entanto, a iminência do fim de 2009 traz consigo novos questionamentos entre analistas: o quê esperar de 2010? O crescimento será sustentado? Afinal, em quais países e setores investir?
É com o propósito de responder a tais questões que a equipe de analistas do JPMorgan lançou mão de extenso relatório sobre o cenário latino-americano em 2010, abordando tanto pontos de fundo econômico quanto recomendações de investimentos. E mais uma vez, o banco traz o Brasil entre os lugares de destaque.
O continente
Ainda que a performance geral dos principais índices de ações de mercados emergentes tenha superado a registrada por índices de mercados desenvolvidos, o JPMorgan destaca o notável desempenho das bolsas latino-americanas. Desempenho talvez até bom demais, suscitando entre alguns o temor de uma bolha na região.
Nada mais infundado, na visão do JPMorgan. A valorização registrada este ano não é só justificada, mas também altamente provável de se manter no ano que se aproxima. "Um retorno a máximas históricas pré-crise não é difícil - exigiria resultados corporativos surpreendentes o que, na nossa visão, é muito possível", afirmam os analistas.
Ainda que os lucros reportados no continente ainda estejam abaixo da média configurada na Ásia, o JPMorgan acredita em "uma recuperação rápida", sustentando igual trajetória ascendente nos mercados. Com isso, a equipe traçou projeções de uma alta média de 24% a ser reportada no continente em 2010.
No entanto, como em qualquer cenário de investimento, há riscos inerentes. E no caso das projeções do JPMorgan para as ações latino-americanas em 2010, eles vêm principalmente do ambiente externo. "Um crescimento global abaixo do esperado é o principal risco", afirma a equipe, que no entanto, não deixa de citar também fatores locais, como as eleições programadas para 2010 e a condução das políticas monetárias nacionais.
O Brasil
Caso os 24% previstos já denotem otimismo por parte da equipe, a expectativa de uma valorização de 28% do mercado brasileiro em 2010 revela a visão ainda mais favorável que os analistas têm acerca do País. "Dado o bom desempenho do crescimento econômico, o intenso fluxo de fundos do País, seu status de membro do BRIC e seu perfil atrelado ao mercado de commodities, é difícil acreditar que o Brasil vá registrar uma fraca performance", elogiam os analistas.
A despeito da forte alta reportada pelo mercado brasileiro em 2009 - o Ibovespa acumula ganhos de 76,6% desde o começo do ano -, o JPMorgan enxerga ainda um bom espaço para maiores valorizações no ano que vem. No entanto, o posto de top pick não fica com o Brasil, mas sim com o México, cujo mercado recebe projeção de alta de 24% em 2010, em linha com o esperado para o continente.
Embora o Brasil ganhe expectativas mais otimistas, a equipe vê uma deterioração maior no ambiente de riscos do País do que no México. "Muito do otimismo externo ao Brasil é justificado, mas obstáculos existem e são muitas vezes menosprezados", diz o banco em seu relatório.
Na visão do JPMorgan, tais obstáculos consistem na alta carga tributária incidente sobre a economia brasileira, no perfil rígido de consumo do País e nos altos níveis de dívida apresentados em relação ao PIB (Produto Interno Bruto).
Os setores
Ainda assim, a visão predominante concedida pelo JPMorgan ao mercado brasileiro é positiva, o que ampara a sugestão de "overweight", isto é, desempenho acima da média mundial. Entretanto, postos os riscos já citados, quais setores desfrutam das melhores perspectivas para 2010?
A priori, o JPMorgan destaca o setor financeiro, tido como um dos principais segmentos a serem favorecidos pela política monetária do País e pelo ritmo de expansão na concessão de crédito. Entre os papéis sugeridos, estão os de Bradesco (BBDC4), Santander (SANB11) e Visanet (VNET3) - Cielo.
Outro segmento a receber elogios por parte da equipe é o imobiliário, que dentre os setores mais atrelados às perspectivas de sólido crescimento econômico brasileiro, "é sem dúvidas hoje o mais barato". Para o JPMorgan, as melhores oportunidades entre as incorporadoras imobiliárias listadas na bolsa brasileira estão com os papéis da PDG Realty (PDGR3) e da Gafisa (GFSA3).
Por fim, a expectativa dos analistas de um 2010 de valorização às commodities puxa consigo uma visão positiva com relação às companhias atreladas ao mercado de matérias-primas. A equipe destaca as ações da Petrobras (PETR3, PETR4) e da OGX (OGXP3) no setor de petróleo, bem como os papéis da Vale (VALE5, VALE3), que tendem a trilhar um bom desempenho no encalço da recuperação econômica chinesa.