Os números auspiciosos já estão no forno. Não faltam boas perspectivas para que 2010 seja um bom ano para a economia brasileira. As estimativas para o crescimento são cada vez mais otimistas: o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer em torno de 5% no próximo ano, depois de uma taxa modesta de 0,2% em 2009, segundo as projeções médias das instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central na Pesquisa Focus.
Na esteira do desenvolvimento, toda a cadeia produtiva tende a se beneficiar. Empresas de base, como petroquímicas e papel e celulose, por exemplo, fazem parte do primeiro elo da cadeia. "A indústria de base é a primeira que reage e a primeira que sofre", lembra Calil. As obras do PAC e o aumento dos gastos do governo em 2010 também trazem um estímulo a mais para companhias de bens de capital, como Indústrias Romi e Weg. E, com o aumento do fluxo de mercadorias e pessoas, o setor de transportes também tende a ser privilegiado.
Assim como a ferrovia Burlington Northern chamou a atenção e US $ 44 bilhões do megainvestidor americano Warren Buffett, há duas semanas, as ações da ALL são uma boa oportunidade para aqueles que acreditam no ciclo econômico virtuoso para o Brasil. Os bancos também se aproveitarão da economia pujante.
A expectativa é de que, com a retomada forte do crédito, haverá demanda mais robusta pelos serviços bancários. "Serão beneficiados tanto os bancos de atacado como os de varejo", diz o professor de finanças da faculdade Veris IBTA, do grupo Ibmec Educacional, Estevão Garcia. Os grandes - Bradesco, Itaú Unibanco, Banco do Brasil e Santander - continuarão a mostrar força.
Há previsões de alta de 20% a 25% nas carteiras de empréstimos, o que se traduz em maiores lucros no final do ano. Os bancos médios, que passaram por problemas de liquidez durante a crise, voltam com tudo para brigar. O crescimento do PI B em 2010 também está agitando o setor de construção civil. As empresas imobiliárias mostraram recuperação este ano com o pacote do governo "Minha Casa, Minha Vida".
A provável alta da taxa Selic (o mercado prevê mudança dos 8,75% para 10,5% em dezembro de 2010) não intimida os especialistas do setor, pois os incentivos deverão se manter. "O déficit habitacional é muito grande e ainda há opções em bolsa interessantes", afirma o analista Felipe Miranda, da Empicurus.
O cenário é muito positivo para a economia interna, mas é preciso ser seletivo. Há papéis que já subiram muito em 2009 e outros que ainda estão muito descontados. Analisar os fundamentos das empresas é outro fator muito importante na hora de selecionar a sua carteira de ações.
As companhias exportadoras, por exemplo, não aproveitarão tanto do bom momento, dada a queda do dólar. Algumas podem acompanhar a tendência, voltando as suas vendas para o mercado interno. As empresas aéreas, como Gol e Tam, podem se beneficiar do aumento da renda, com uma maior procura pelas passagens.
Mas isso não são favas contadas: guerras tarifárias e altas do petróleo podem pressionar os resultados em 2010. É preciso cautela redobrada com as notícias lá de fora. O ritmo da retomada dos Estados Unidos, cheio de incertezas mesmo após o salto anualizado de 3,5% registrado na primeira prévia do PI B do terceiro trimestre, ainda é um fator preocupante.
"A recuperação tem sido baseada em estímulos fiscais e monetários, o que sempre é frágil. Os governos não geram riquezas", afirma o estrategista da Pentágono Asset Management, Marcelo Ribeiro. Para ele, pode ocorrer uma realização de lucros mais intensa, voltando a afetar o sentimento do consumidor e do empresário brasileiro.