segunda-feira, 30 de junho de 2008

Analistas divergem em relação a atividade industrial e efeitos sobre inflação

Por: Vitor Silveira Lima Oliveira

Em tempos de preços em alta, indicadores sobre a atividade industrial ganham destaque diferenciado do usual, uma vez que permitem projetar cenários sobre a oferta de bens no País. No entanto, analistas divergem quanto à tendência para o setor de transformação.

Na última semana, foi divulgado pela Fundação Getúlio Vargas o NUCI (Nível de Utilização da Capacidade Instalada da Indústria) para o mês de julho, que atingiu 86,4% sem ajuste sazonal. Segundo a equipe do Santander, a notícia é negativa para o cenário de inflação.

O fator principal que leva a tal conclusão reside na limitada capacidade que o setor possui para expandir a oferta e responder à crescente demanda dos consumidores brasileiros, o que deve restringir o ajuste nos mercados por meio da elevação de preço.

Consumo afetado
Todavia, a interpretação não é unânime, como revelam expectativas sobre os dados a serem divulgados pelo IBGE na próxima terça-feira, na pesquisa industrial mensal nacional. Grande parte delas incorpora projeções de desaquecimento da demanda, como reflexo do próprio repique inflacionário.

Caso confirmada, esta interpretação do cenário atual pode aliviar as pressões de demanda que a autoridade monetária brasileira busca combater, com o recente enrijecimento da política monetária.

Governo
Por outro lado, a desaceleração do consumo privado no País poderá ter seu efeito sobre a inflação reduzido, uma vez que muitos analistas apontam os gastos do governo como grandes responsáveis pelas atuais pressões inflacionárias.

A equipe econômica do presidente Lula, no entanto, busca dar sinais de cooperação com a política monetária, com a afirmação de uma meta maior para o superávit primário.

De acordo com a nota de política fiscal divulgada nesta segunda-feira (30), o País registrou economia recorde nos primeiros cinco meses do ano, com superávit nominal de US$ 3,919 bilhões.

Efeitos
A controversa interpretação também levanta o debate a respeito dos efeitos da política monetária implementada pelo Banco Central. Grande parte dos analistas espera que os efeitos do aumento do custo de crédito devem ser sentidos com maior intensidade somente no próximo ano.