terça-feira, 13 de março de 2012
Qual a melhor forma de abater uma dívida?
Lições para o Brasil da tragédia grega
sexta-feira, 9 de março de 2012
Amortização extraordinária em financiamento imobiliário
Na internet não é difícil encontrar textos e simuladores sobre financiamentos imobiliários, porém quando o assunto é amortização extraordinária, muitas dúvidas aparecem e os textos disponíveis tratam este assunto apenas superficialmente.- Como o próprio nome diz, as amortizações no saldo devedor são constantes ao longo do período contratado;
- A parcela da prestação referente aos juros é maior no início do plano e vai diminuindo gradativamente, junto com o saldo devedor;
- Assim, as prestações também vão diminuindo ao longo do tempo, diferente do sistema PRICE, onde as prestações não mudam (sistema bastante utilizado em lojas de eletrodomésticos)
- Reduzir a quantidade de prestações, mantendo o valor atual das mesmas;
- Manter a quantidade de prestações, reduzindo o valor das mesmas
- A taxa de juros aplicada no financiamento;
- O momento em que ocorrerá a amortização, por exemplo, mais próximo do início, do meio ou do fim.
- Regras de amortização descritas no contrato, já que os contratos de financiamento não são todos iguais;
- Sua situação financeira no momento da amortização.
- Em ambas as opções, você estará pagando uma menor quantidade de juros;
- Mas se o seu critério de decisão for, estritamente, pela opção que possui o menor montante de juros a ser pago, não tem muito o que pensar, escolha a opção de redução da quantidade de prestações;
- Quanto mais próximo do início do financiamento, mais parcelas do financiamento serão reduzidas e maior será sua economia com os juros;
- Se a amortização for realizada em um período mais próximo do final do plano, a diferença entre as duas opções, em termos de quantidade de juros a ser pago, diminui;
- Na opção de redução do valor da prestação, quanto mais próximo do final do plano, maior será a redução da prestação.
- Geralmente, as taxas aplicadas nos financiamentos imobiliários são as menores encontradas no mercado. Assim, aproveite essa quantia extra para quitar outras dívidas onde os juros são maiores.
- Pode acontecer de você encontrar taxas de investimentos maiores que sua taxa de financiamento, neste caso aplique a quantia extra. Mesmo que a taxa de investimento seja inferior a taxa do financiamento, essa opção pode ser interessante do ponto de vista de ter um colchão de emergência para situações adversas.
- Se o seu orçamento mensal estiver em situação complicada, a opção de amortização com redução do valor de prestação pode ser uma boa solução para aliviar o mesmo.
Grécia desbanca Argentina e assume posto de maior calote do mundo
No caso grego, ao contrário, os pagamentos serão referentes a apenas 1% do valor de face dos títulos, desde que sejam atingidas as condições exigidas para o comportamento do PIB. Se em algum ano a meta não for atingida, o pagamento do rendimento fica perdido e não acumula para o período seguinte. "A conclusão é que o valor dos títulos gregos ligados ao PIB deve ser muito menor do que o dos argentinos", dizem os especialistas do Barclays Capital.
Em compensação, a Argentina estava sozinha ao anunciar unilateralmente seu default, enquanto a Grécia conta com o apoio da União Europeia, que formula um segundo pacote de resgate, de 130 bilhões de euros. "O default da Grécia é maior do que o da Argentina, mas a Grécia tem ajuda", disse Wilber Colmeraruer, sócio da consultoria Brazil Funding, em Londres.
Financiar imóvel é melhor que alugar?
5 razões para os preços dos imóveis subirem em 2012 - e 5 para eles caírem
Infomoney
Para o CEO da Vitacon Incorporadora, Alexandre Lafer Frankel, os imóveis devem continuar se valorizando em 2012. Confira as razões apresentadas pelo executivo:
- Crescimento e estabilidade econômica
O crescimento da economia brasileira e a estabilidade econômica atingida pelo País nos últimos anos continuarão a ser, na opinião de Frankel, os principais drivers para o aquecimento do mercado imobiliário e o consequente aumento dos preços dos empreendimentos.
Queda na taxa de juros
A queda da Selic (taxa básica de juro) também tende a estimular a economia e aumentar a procura por crédito, fazendo com que os preços dos imóveis continuem em trajetória ascendente.- Escassez de terrenos
Para o executivo, a escassez de terrenos, principalmente nos grandes centros urbanos, deve continuar fazendo com que os imóveis sejam negociados a preços elevados. Isso porque, ao comprarem terrenos cada vez mais escassos, as incorporadoras e construtoras precisam repassar os custos para os compradores, ocasionando uma elevação do preço das unidades lançadas. - Capacidade de consumo e crédito
A ascensão das classes C e D e a capacidade de consumo do brasileiro, aliadas à boa oferta de crédito, continuarão impulsionando o preço dos imóveis para patamares mais elevados em 2012, acredita o executivo. - Aumento de preços de mão de obra e materiais
Por fim, na opinião do CEO da Vitacon, o aumento de preço de mão de obra e dos materias de construção deve ser outro motivo para que o preço dos imóveis suba este ano.
Motivos para os preços caírem (ou ficarem estáveis)
Já o vice-presidente do Ibef (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças) e autor do Livro “Imóveis, Seu Guia Para Fazer da Compra e Venda um Grande Negócio”, Luiz Calado, aponta alguns motivos para que os preços fiquem estáveis ou até mesmo caiam em 2012:
- Grande oferta de imóveis
O especialista ressalta que nunca se construiu tantos empreendimentos imobiliários quanto agora. “Hoje já vemos muitos empreendimentos prontos, com vários apartamentos disponíveis para a venda”, diz. Segundo ele, é interessante acompanhar de perto os relatórios anuais das empresas incorporadoras, para ver se o estoque aumentou. “Se aumentou, é sinal de que a demanda diminuiu - ou que construíram mais do que a demanda”, afirma. - Os preços já atingiram níveis muito altos
Calado também aponta que os preços dos imóveis chegaram a um patamar muito alto. “Prova disso é que os brasileiros já começam a achar atrativos os preços nos Estados Unidos”, pontua. - Condições de crédito
De acordo com o especialista, as condições de crédito e limite para uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), de R$ 500 mil, também continuam sendo impeditivos para as pessoas financiarem os imóveis. - Demanda menor
O especialista também ressalta que havia uma demanda reprimida por imóveis, mas não era uma demanda infinita. “Hoje muita gente já comprou o seu imóvel. É claro que sempre vai ter mais gente para comprar, mas o que vimos nos últimos anos foi um “boom”, com todos querendo comprar. Os lançamentos eram vendidos em um final de semana”, exemplifica. - Preço mais estabilizado dos terrenos
O coordenador do curso de Real Estate da Poli/USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), João da Rocha Lima Júnior, também aponta que não há nenhuma razão para que os imóveis continuem subindo este ano. Segundo ele, entre os motivos para que os preços caiam ou permaneçam estáveis, está o fato de que os terrenos, apesar de escassos, estão com preços mais estabilizados. “Hoje há um maior equilíbrio, algo que não acontecia algum tempo atrás. Com muitas empresas disputando poucos terrenos, eles acabaram ficando muito mais caros e inflando o preço dos imóveis”, ressalta.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Desigualdade e pobreza diminuem no Brasil, diz FGV
Apesar da melhoria, o Brasil permanece entre os 12 países mais desiguais do mundo
O estudo mostra que, de janeiro de 2011 a janeiro de 2012, o índice de Gini, que mede a desigualdade numa escala de 0 a 1, caiu 2,1%, passando de 0,53 para 0,51 e que o crescimento da renda familiar per capita média foi 2,7% nos 12 meses estudados.
Neri defendeu que os resultados positivos devem-se às políticas públicas de redução da pobreza e ao fato de os brasileiros terem menos filhos e não deixarem de matriculá-los na na escola. "Educação é o fator mais importante para esse resultado, conforme nossos estudos, e a melhora na educação pode significar uma queda maior ainda."
Apesar da melhoria, o economista lembrou que o Brasil permanece entre os 12 países mais desiguais do mundo. Embora seja a região mais pobre e desigual do país, a renda do Nordeste é a que cresce mais devido a investimento de novas empresas, políticas públicas e empreendimentos estatais entre outros motivos.
Uma parte da pesquisa se arrisca a fazer um cenário prospectivos e prevê que se a desigualdade continuar nesse ritmo de queda, a proporção da chamada classe C, que hoje representa 55,5% da população, deve chegar a 60,1% em 2014. A classe C, de acordo com a definição utilizada pelo estudo, é composta por famílias com renda familiar entre R$ 1.734 e R$ 7.475.
Baseado nessa metodologia, a pesquisa aponta que entre 2003 e 2011, cerca de 40 milhões de pessoas saíram da classe D para a classe C, que conta hoje com mais de 105,4 milhões de brasileiros. Cerca de 22,5 milhões pertencem à classe AB (com salários maiores que R$ 7.475) e cerca de 63,5 milhões estão na classe D e E (com renda inferior a R$ 1.085).
terça-feira, 6 de março de 2012
PIB brasileiro crescerá entre 4% e 4,5% em 2012, estima Mantega
Lições de uma guerra cambial
Ao criar obstáculos à entrada de moeda estrangeira no país, na semana passada, o governo apontou para um dos dois temores despertados em Brasília pelo que o ministro Guido Mantega definiu como "guerra cambial". Atacou-se o receio de que o país seja inundado por dinheiro especulativo, em busca de lucros com a diferença entre o baixo custo do capital no mundo e o alto rendimento pago aos investidores no Brasil. Há dúvidas se essa ação do governo será eficaz. E há ceticismo ainda maior em relação a maneira como se tem enfrentado o outro medo em Brasília, o de invasão de importações baratas, capazes de sufocar a indústria nacional.
Não se pode acusar o governo de não ter uma agenda clara e uma rota definida para lidar com os efeitos colaterais dessa guerra cambial, caracterizada por medidas monetárias nos principais mercados do mundo que, por diferentes caminhos, resultam na desvalorização das moedas desses países, tornando seus produtos e mercados mais competitivos.
A decisão de punir com maior imposto os empréstimos internacionais às exportações partiu da avaliação de que esses financiamentos encobriam a entrada de capital para especular no mercado interno, e antecipam um repertório ainda maior de medidas punitivas e de uma possível aceleração da queda de juros.
Importação é um dos sintomas da perda de competitividade
No caso da política comercial, há integrantes do governo que, em conversas reservadas, assumem que estão dispostos a levantar barreiras a importações mesmo que contrariem compromissos internacionais do país, como as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) - como foi o caso evidente do aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), sobre automóveis importados. Admite-se quebrar as regras com o argumento de que seria ingenuidade respeitá-las quando outros governos as abandonam, e o Brasil, além disso, se defronta com competição desleal turbinada pela desvalorização excessiva dos preços de mercadorias em dólar, euros ou yuan.
As medidas protecionistas, arrumadas na prateleira da defesa comercial, na maioria dos casos, porém, são reação à demanda das empresas instaladas no país. Muitas delas são justificadas e necessárias, como as barreiras a importações com dumping, preço abaixo do normal, ou falsificações, ou ainda a mercadorias subsidiadas ilegalmente pelos seus países de origem. Um sinal de que há racionalidade e não mero protecionismo em muitas das ações nesse campo foi a decisão da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), na semana passada, de mudar as regras de comprovação de norma de origem, para facilitar - e não dificultar - a entrada de mercadorias de países asiáticos que não concedem certificados aos exportadores locais antes do embarque.
Legais ou não, porém, as medidas protecionistas são armadura de pouca resistência. Seu efeito total sobre as importações brasileiras - e, portanto, sobre as contas externas do país - é limitado. Embora tenham garantido a sobrevivência de fabricantes em setores menores, como o de escovas ou de imãs de ferrite, as noventa medidas de defesa comercial dentro das regras da OMC em vigor não chegam perto de 5% dos US$ 255 bilhões de importações registrados no ano passado. E as medidas "criativas" de maior alcance, como o aumento do IPI de automóveis, só mostraram, até agora, como é perigoso improvisar nesse terreno.
O governo, que se prepara para anunciar o novo regime automotivo, com estímulos à instalação de fábricas e criação de pesquisa e desenvolvimento no país, argumenta que os anúncios bilionários de investimento por parte de montadoras estrangeiras, nos últimos meses, são sinal do sucesso do aumento do imposto, em 30 pontos percentuais, decidido no ano passado. Uma afirmação que só pode ser repetida pelos muito governistas ou muito crédulos.
A verdade é que praticamente todos os investimentos dos fabricantes de automóveis já estavam nos planos das empresas, alguns já tinham sido até anunciados. Se o aumento do IPI teve algum efeito foi o de criar incerteza entre esses investidores.
Fala-se no governo em eliminar o aumento do imposto para quem tiver planos de investir no país, mesmo que não cumpra de imediato as exigências de conteúdo nacional - que, aliás, até agora não ganharam definição clara. Na prática, isso significa recuar da decisão sobre o IPI até para montadoras chinesas, que, afinal, também estão vindo fabricar no Brasil. Um outro reconhecimento oficial da inutilidade do aumento do IPI foi o anúncio, pelo Planalto, da possível ruptura do acordo com o México, com o qual o Brasil tem livre comércio de produtos automobilísticos.
Mesmo antes do aumento, a balança comercial já mostrava uma escalada nas importações de automóveis do México que por causa do acordo automotivo, foram isentos do aumento de IPI. E, coerente com seu anúncio de preocupação com o forte influxo de importações, o governo decidiu forçar uma redução nas vendas mexicanas ao país, desta vez para surpresa das montadoras que têm no México um pilar de suas estratégia de produção.
Assim como não quer que o vigor da economia brasileira atraia capitais especulativos tornando o país mais vulnerável aos humores internacionais, a presidente Dilma Rousseff crê que seu projeto de estimular empregos e produção no país a partir das medidas de fortalecimento do mercado interno pode ser sabotado pelo crescimento de importações. É o que explica a pulsão protecionista em Brasília. Mas já há indicações suficientes para mostrar que as importações não são uma doença. São apenas sintoma de uma moléstia de muitas causas, chamada perda de competitividade da economia brasileira.
Venda de imóveis novos em SP cai 21% e é a menor desde 2005
Por TATIANA RESENDE
A venda de imóveis novos residenciais na capital paulista somou 28,3 mil unidades em 2011, com retração de 21,2% ante o ano anterior, de acordo com os dados divulgados nesta terça-feira pelo Secovi (Sindicato da Habitação) de São Paulo. A quantidade é a menor desde 2005 (23,8 mil) e foi a mesma registrada em 2006.
As moradias de dois e três dormitórios responderam por 77% das vendas. "2010 foi um ano de crescimento exuberante. É completamente fora da curva", afirmou Celso Petrucci, economista-chefe da entidade, tentando minimizar o impacto da redução.
Já a quantidade de lançamentos, contabilizada pela Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos sobre o Patrimônio), registrou queda de 1,3% no mesmo comparativo, totalizando 37,7 mil moradias postas à venda no ano passado.
O único crescimento (54%) foi registrado nas unidades de um dormitório, que atingiram 6,6 mil unidades.
Os imóveis com valor acima de R$ 500 mil representaram 18,4% dos lançamentos em 2009, 25,8% em 2010 e chegaram a 28,2% no ano passado, considerando o valor corrigido pelo INCC (Índice Nacional de Custo da Construção).
Vale lembrar que o dinheiro do trabalhador depositado na conta do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) só pode ser utilizado na compra de unidades até esse patamar. Para atrair mais clientes, com o aumento do poder de compra do consumidor, os bancos negociam a elevação desse número com o governo federal.
Venda de imóveis novos residenciais na cidade de São Paulo, em mil unidades
2005 - 23,8
2006 - 28,3
2007 - 36,6
2008 - 32,8
2009 - 35,8
2010 - 35,9
2011 - 28,3
China se prepara para uma era de crescimento mais lento
Ao reduzir a meta de crescimento da China para 7,5% este ano, o primeiro-ministro Wen Jiabao indicou que a era de expansão voraz do país possa estar chegando ao fim, uma mudança com implicações profundas para economias como a da Austrália e do Brasil, que prosperaram a com a forte demanda chinesa por commodities.
O ajuste sugere que os líderes chineses chegaram a um nível de conforto com relação a um crescimento mais lento e que não pretendem estimular a economia através de grandes investimentos estatais, como o fizeram no passado. Em vez disso, planejam permitir uma mudança há muito recomendada, que afaste o país de uma expansão liderada pelas exportações.
As consequências desta mudança dependem da forma como Pequim vai gerenciar a transição. Os parceiros comerciais da China muito provavelmente serão afetados de diversas maneiras.
Uma desaceleração no ritmo de investimento em infraestrutura, geração de energia e exportações provavelmente implicará um crescimento mais lento nas importações de aço, concreto, petróleo e outras commodities, potencialmente um golpe para Brasil, Austrália, os países produtores de petróleo do Oriente Médio e outros grandes fornecedores de commodities.
"Acreditamos que o superciclo das commodities da China ficou para trás", disse Dong Tao, analista do Credit Suisse.
Mas a mudança também trará novas oportunidades, tanto domesticamente como no exterior.
Uma China que dependa mais do consumo interno talvez polua menos, aliviando preocupações mundiais com o meio-ambiente, e produza mais empregos. A mudança também poderia elevar as importações de software, entretenimento, turismo e bens e serviços de alta tecnologia dos Estados Unidos, Europa e outros países ricos.
"Acelerar a transformação do modelo de desenvolvimento econômico [...] é tanto uma tarefa de longo prazo como a tarefa mais premente no momento", disse o premiê chinês Wen Jiabao ontem, na sessão de abertura do Congresso Nacional do Povo, versão chinesa de um parlamento, que se reúne uma vez a cada ano.
A meta oficial de crescimento da China tem sido fixada em 8% desde setembro de 2005. A meta é, em grande parte, simbólica: durante os últimos sete anos, a economia chinesa tem crescido a uma média anual de 10,9%. No entanto, analistas dizem que a meta de crescimento do PIB de 7,5% para 2012 indica que direção os mais altos funcionários do governo querem dar à economia. O Fundo Monetário Internacional prevê um crescimento de 8,2% este ano para a China.
Em seu último ano como a segunda maior autoridade da China, Wen argumentou que a única alternativa viável para o país é mudar sua fórmula de crescimento, num cenário em que os mercados para suas exportações da Europa, EUA e Japão atravessam um recessão ou crescimento lento.
Wen tem defendido esse argumento de uma forma ou de outra, desde pelo menos 2007, mas a parcela do consumo como porcentual da economia durante esse período caiu. Analistas dizem que a oposição de estatais industriais e os governos das províncias, que se beneficiam do sistema atual, têm impedido a mudança. Também o fez a crise financeira global de 2008 e 2009, quando a China se protegeu da recessão com um enorme programa de estímulo que se baseou em gastos em infraestrutura.
Stephen Green, analista da Standard Chartered, disse que pode haver um apetite renovado por mudança, citando um editorial publicado recentemente no "Diário do Povo", jornal do Partido Comunista, que argumentou que "reformas imperfeitas devem ser preferíveis a uma crise provocada pela ausência de reformas". Um relatório do Banco Mundial e um centro de estudos chinês influente, o Centro de Pesquisa de Desenvolvimento, também defendeu uma mudança nos fundamentos da economia chinesa.
Wen listou uma série de iniciativas, incluindo aumentos do salário mínimo, apoio do governo à expansão do crédito ao consumidor e "novas formas de consumo", como compras on-line e veículos mais econômicos. Ele disse que a China poderia minimizar as exigências de registro para os trabalhadores rurais que migram para as cidades, tornando mais fácil para eles obter empregos melhor remunerados. Wen também disse que a China vai ampliar seus sistemas de de saúde e previdência, o que poderia incentivar as famílias chinesas a gastar mais das suas poupanças.
Em um tom mais político, Wen destacou a necessidade de proteger os direitos dos agricultores à terra em que trabalham e vivem, dizendo que "esses direitos não podem ser violados por ninguém."
A China tem visto uma onda violenta de protestos nos últimos anos relacionada à apreensão de terras por governos locais, que frequentemente oferecem uma indenização simbólica e, em seguida, vendem a propriedade a urbanizadores por preços de mercado. A questão veio à tona no ano passado, quando moradores de Wukan, vilarejo no sul do país, realizaram protestos sobre uma suposta desapropriação de terras, obrigando as autoridades locais a demitir líderes do governo local, congelar os projetos de urbanização e realizar novas eleições.
Um dos líderes da rebelião em Wukan foi eleito como prefeito do vilarejo no fim de semana numa eleição democrática - uma reviravolta impressionante que alguns analistas acreditam que representa exatamente uma possível nova abordagem para a agitação social.
Wen também traçou uma a meta de 4% para o índice de preços ao consumidor em setembro de 2012. Embora essa seja a mesma meta do ano passado, desta vez parece ser um objetivo real e não simbólico. No ano passado, o índice de preços ao consumidor cresceu 5,4%, mas foi diminuindo no segundo semestre. De 2001 a 2010, a média da inflação foi de apenas 2,2%.
Wen listou áreas onde o governo fez progressos, incluindo o controle da inflação e dos disparos nos preços dos imóveis residenciais.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Classe C sustentará aumento de 40% do PIB até 2020
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
China: Líder Global?
Diretor do BRICLab da Columbia University e professor do IBMEC
Brasil Econômico
Como se dará o desdobramento da ascensão da China no cenário global? Será que além de motor do crescimento mundial a China também deseja exercer maior liderança? Ser vista como única potência de dimensão semelhante aos Estados Unidos?
Muitos analistas rapidamente decretam que o impressionante crescimento econômico chinês delineia uma nova ordem global em que a China será a potência preponderante. Existem, no entanto, graves falhas nessa maneira de ver o desenrolar das relações internacionais nos próximos 50 anos.
Historicamente, como bem exemplifica Henry Kissinger em seu On China, líderes chineses sempre enxergaram sua cultura como intrinsicamente superior. O modelo chinês de império se caracterizou ao longo tempo não pela expansão de sua cultura, mas pela absorção de outras culturas, localizadas em seu entorno geopolítico, à visão de mundo chinesa. O fechamento a outras culturas incutiu na alma e na arquitetura chinesas marcas perceptíveis.
Vêm à mente o hermetismo da Cidade Proibida ou mesmo a Grande Muralha, monumentos ao isolacionismo chinês.
É curioso constatar que a recente ascensão da China se dá como notável exceção a seu paradigma histórico de insularidade. Por conta de uma "externalidade geopolítica" dos anos 1970 – a necessidade dos EUA de rachar a viga-mestra do comunismo mediante a promoção do cisma sino-soviético – os benefícios econômicos estendidos à China a reconfiguraram como potência exportadora. O êxito da China resulta portanto de uma "mudança de DNA"; de ter seu crescimento voltado para fora.
A ideia de "liderança global" é um experimento a que as autoridades chinesas ainda não decidiram se lançar. A extroversão da China em outros campos que não o da economia é obra difícil. Na arena política global, a visão chinesa tem sido de "crítica parcial", não necessariamente de oposição a de um sistema protagonizado pelos EUA. A razão é simples. A geopolítica dos últimos 30 anos, em que a China é menos um ator e mais um espectador, criou ambiente propício à continuada prosperidade chinesa.
A China talvez seja o país que menos contribuiu para as operações de paz da ONU dentre os países-membros do Conselho de Segurança. É também o que mais oferece resistência a movimentos de reforma do Conselho, particularmente ao aumento do número de membros-permanentes. Liderança global, hipótese em que a China teria de assumir mais responsabilidades no campo da paz e segurança, é um luxo bastante caro. Ao passo que em 2011 cada cidadão dos EUA dispendeu US$ 1.700 com defesa, cada chinês gastou apenas US$ 65.
É improvável que a China deseje financiar sua condição de líder global. Tal status é incompatível com o modelo de crescimento adotado até o presente por Pequim. Ademais, embora muitas nações flertem com a experiência chinesa de crescimento econômico, é impossível reproduzi-la como modelo "adaptável" a diferentes realidades socioeconômicas.
E há também limitações em termos de "soft power". Se liderança tem que ver com o plano dos valores, que projeto a China tem a oferecer ao mundo?
Dificilmente pode-se pensar a China como "role model", um exemplo a ser seguido, ou mesmo imaginar um "Sonho Chinês" a inspirar indivíduos ou países das mais variadas culturas.
Seis categorias de ações
| . O que você espera do ativo que acabou de comprar? Uma valorização de 500% mesmo que tenha que ficar posicionado 2 anos ou apenas um retorno de 3% em 2 dias? Talvez estas perguntas pareçam banais para os mais ansiosos mas elas são fundamentais para que se possa definir os objetivos de um investimento. Principalmente, se pensarmos que existem empresas de diversos tamanhos na bolsa. O tamanho de uma empresa tem muito a ver com aquilo que você pode esperar em relação a ação. Ou você acredita que uma Petrobras ou uma Vale possa se valorizar 500% em 2 anos? Muito difícil, para não dizer quase impossível. Normalmente, as grandes empresas não têm grandes variações de preços de ações. Os grandes movimentos de cotações são mais comuns em empresas menores. Esse exemplo tem o intuito de mostrar que antes de se fazer qualquer investimento é fundamental que definamos o tipo de empresa que estamos analisando. Desta forma, adequando os ensinamentos de Peter Lynch ao mercado brasileiro, listei abaixo as seis categorias que servirão de guia para o investidor: Ações de crescimento lento – Empresas que tem um crescimento da receita e dos lucros bem próximo do crescimento do PIB do país onde estão sediadas. Muitas vezes, são empresas que já passaram por períodos de crescimento acelerado e agora seja em razão de terem ido o mais longe possível, seja pelas limitações impostas pelo mercado em que atuam, reduziram o ritmo. Um sinal definitivo destas ações é que elas são boas pagadoras de dividendos. As ações das empresas dos chamados setores defensivos (elétrico, telefonia, saneamento,etc) são um bom exemplo de ações de crescimento lento. Ações de crescimento rápido - Normalmente são ações de empresas menores e que crescem acima de 20% ao ano. Podemos encontrar estas empresas em quase todos os setores. Aliás é bom frisar, que nem sempre o crescimento rápido de uma empresa está relacionado ao crescimento rápido do setor em que ela atua. Uma boa administração e um programa de investimento eficiente pode propiciar resultados excelentes bem acima da média do setor. Mas lembrem-se: como tudo no mercado financeiro, uma expectativa de maior rentabilidade normalmente é acompanhada de um nível de risco maior. Empresas menores possuem menor liquidez e necessitam de um bom financiamento para continuarem a atender as expectativas dos acionistas. Caso contrário, elas perecem e passam a fazer parte da primeira categoria. Peter Lynch sempre salientou que as "empresas de rápido crescimento são as grandes vencedoras do mercado de ações". Possuir apenas uma empresa destas no portfólio pode fazer toda a diferença na rentabilidade final da carteira. Ações Cíclicas – São ações de empresas que variam de tendência dependendo do ciclo que se encontram. Empresas dos setores siderúrgico, aéreo e de commodities podem fazer parte desta categoria. Quando assumem uma tendência, se movimentam com rapidez. Neste caso, o "momentum" é essencial nas ações cíclicas, e você deve ser capaz de identificar os primeiros sinais de que o negócio está perdendo ou ganhando ritmo. Muitas vezes a movimentação abrupta deste tipo de ação traz fortes prejuízos para o investidor desavisado. Esta categoria, via de regra, é composta por empresas grandes e sólidas, que o investidor trata como seguras. Quando a ação começa a cair forte não significa que a cia esteja passando por alguma dificuldade, mas apenas se ajustando dentro do novo ciclo em curso. Ações confiáveis – São ações de empresas tradicionais, com receitas bilionárias e que crescem entre 10% e 15% ao ano. Você não encontrará grandes variações nos gráficos das ações desta categoria. Ações confiáveis devem fazer parte de todo e qualquer tipo de portfólio. Elas serão responsáveis pela estabilidade da carteira. São empresas que você tem certeza (ou quase…) que não irão a falência. Não espere que a ação confiável que você escolheu lhe propicie um retorno bem acima da média do mercado; isso não irá acontecer. Mas sem dúvida, lhe permitirá passar momentos menos tensos quando a volatilidade do mercado disparar em uma correção mais intensa. Ações em recuperação – Estas ações são de empresas que praticamente não crescem. São potenciais fatalidades. Sem dúvida, elas representam um risco alto, mas ao mesmo tempo podem propiciar um retorno bem acima do "benchmark". A melhor coisa em investir em ações em recuperação bem sucedidas é que, de todas as categorias de ações, suas altas e baixas estão menos relacionadas ao mercado em geral. Não é fácil encontrar uma boa ação desta categoria. É preciso estudar e acompanhar a empresa de perto. Normalmente investidores que trabalham na própria empresa ou no setor ("insider trading") levam uma boa vantagem. Ações com ativos ocultos – São ações que possuem algum ativo valioso em seu balanço mas que ainda não foi identificado pelo mercado. Estas ações, sem dúvida, são as mais difíceis de serem encontradas. Isso porque, hoje em dia, com tanta informação correndo pelas mídias financeiras, encontrar alguma oportunidade que tenha passado por este filtro é muito difícil. Além disso, encontrando este tipo de ação é preciso ter muita paciência, afinal de contas, pode demorar um bom tempo, até que o mercado reconheça a distorção existente. Um pré-requisito básico para encontrar este tipo de ação é ter familiaridade com os balanços contábeis das cias. . Como já citei acima, as ações não permanecem "ad eternum" na mesma categoria. Ações de crescimento rápido, por exemplo, não podem manter um crescimento acima de 20% para sempre, e cedo ou tarde, acabam cedendo e se acomodam em níveis de crescimento correspondente a ações de crescimento lento e a ações confiáveis. Além disso, algumas ações podem pertencer a mais de uma categoria. Em resumo, este artigo tem o intuito de fornecer ferramentas para que você saiba identificar quando as tuas expectativas não correspondem com o perfil da empresa que você pretende investir. Se antes de fazer qualquer investimento você souber em que categoria se encontra a ação que está analisando, sem dúvida, poderá traçar uma estratégia que esteja amparada em objetivos mais realistas. Como escreveu Peter Lynch, "distribuir as ações por categorias é o primeiro passo na análise da sua história. Pelo menos agora você sabe que tipo de história deve ser. O próximo passo é preencher as lacunas que o ajudarão a adivinhar como será o desenvolvimento dessa história". |
Sete passos para um plano de contingência
Em cinco de dezembro, a Standard & Poor's alertou sobre um possível rebaixamento de nota em massa para 15 países da zona euro, incluindo seis com nota AAA (Alemanha, França, Áustria, Holanda, Finlândia e Luxemburgo). Isto seria impensável apenas um ano atrás.