terça-feira, 24 de novembro de 2009

Ações de bancos brasileiros estão muito caras, afirma Mercatto

Os maiores bancos brasileiros estão caros demais, depois de uma alta "absurda" este ano, desencadeada pela perspectiva de que eles acelerarão a concessão de empréstimos para atender à crescente demanda do consumidor, segundo a Mercatto Gestão de Recursos.

"Os bancos estão caros, seja qual for o múltiplo em que você esteja olhando", disse Regis Abreu, diretor executivo da Mercatto, empresa sediada no Rio de janeiro que gere cerca de US$ 1,2 bilhão e dirige o R2 FI de Ações, o fundo de melhor desempenho este ano no Brasil.

As ações do Banco do Brasil mais do dobraram em 2009, enquanto as do Itaú Unibanco e as do Bradesco subiram 56%. O avanço empurrou o Índice MSCI Brasil Financeiro para 17,5 vezes o lucro informado, o nível mais alto desde 2007 e acima da média de cinco anos, de 14,4.

Os três bancos provavelmente aumentarão a concessão de empréstimos em 25% no ano que vem, com a aceleração do crescimento econômico do Brasil, disse Mário Pierry, analista do Deutsche Bank AG de Nova York. É o dobro do crescimento do crédito estimado pelo Itaú e pelo Bradesco para este ano. O Banco do Brasil estima o aumento em pelo menos 17%.

Abreu disse que a Mercatto vem vendendo ações do Banco do Brasil, que havia sido a maior posição da empresa. As ações do banco, sediado em Brasília e cuja carteira de empréstimos aumentou 41% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2008, são comercializadas a 8,8 vezes o lucro, quase o dobro de seu nível no começo deste ano.

"As ações dos bancos subiram um absurdo este ano", disse Abreu. "O Banco do Brasil teve bom resultados, é bem administrado e um investimento interessante, mas não é mais barato", afirmou.

O Banco do Brasil expandiu mais rápido que os concorrentes depois das aquisições do Banco Votorantim, em janeiro, e do Banco Nossa Caixa, em novembro de 2008. O crescimento do crédito pelos bancos privados ficou abaixo da média brasileira desde outubro do ano passado, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O Itaú e o Bradesco serão mais agressivos na expansão de seus empréstimos no ano que vem, disse Pierry. O Itaú, sediado em São Paulo, prevê que sua carteira de empréstimos deverá crescer até 25% no ano que vem. O Bradesco, sediado em Osasco, estima uma alta de pelo menos 20%. O Banco do Brasil não divulgou sua projeção para o crédito em 2010.

As ações das instituições de crédito brasileiras estão sendo comercializadas a 2,7 vezes o valor contábil para 2009, comparativamente a 1,5 vez dos congêneres mundiais, disse Pierry, citando dados do Deutsche Bank. O índice russo, por exemplo, está em 1,3.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pequeno investidor acelera vendas na Bolsa

Com alta de 76% no ano, pessoas físicas vendem ações e embolsam ganhos; fluxo negativo chega a R$ 7,7 bilhões em 2009

Yolanda Fordelone - AE

Com o Ibovespa em alta de 76% em 2009, a pessoa física tem aproveitado os ganhos acumulados para vender ações e embolsar os lucros neste ano em que a aplicação na Bolsa superou com folga outras opções de investimento. Segundo dados diários da BM&FBovespa, compilados pela corretora Link, o fluxo financeiro dos investidores pessoa física para a Bolsa está negativo em R$ 7,7 bilhões no ano, até o dia 12 de novembro. Ou seja, o volume de recursos vendidos supera, em larga escala, o de ingressos.

“A impressão é de que alguns investidores seguraram as aplicações no segundo semestre do ano passado, durante a queda da Bolsa. Este ano, resolveram agir com mais cautela e realizar lucro rapidamente, quando a Bolsa dá repiques de alta. Ele não quer ficar parado, posicionado na Bolsa o tempo todo”, avalia o estrategista da TCX Consultoria, Edgard Tamaki.

Em 2008, o fluxo financeiro dos investidores individuais fechou o ano com saldo positivo de R$ 7,8 bilhões, embora o Ibovespa tenha recuado mais de 41% no período. Mesmo nos piores momentos da crise, a pessoa física injetou dinheiro em ações. Em setembro do ano passado, quando o primeiro de uma série de circuit breakers foi acionado, o saldo entre compras e vendas foi de R$ 488 milhões. Daquele mês até o fim de 2008, o Ibovespa ainda recuaria 31,9%.

“A pessoa física se machucou muito no ano passado, com a enorme queda das ações. Teve prejuízo grande com a estratégia conservadora de comprar e manter a ação na carteira”, lembra o assessor de investimentos da mesa de pessoas físicas da corretora Icap Brasil, Rogério Oliveira. Segundo especialistas, o mercado como um todo não tinha noção da profundidade da crise e do recuo que o Ibovespa sofreria, o que fez com que muitos recomendassem a compra de ações e a manutenção dos papéis na carteira.

O engenheiro Marcelo Barreto, 42 anos, resolveu vender os papéis ainda na virada do ano, após ter ingressado na Bolsa meses antes, no início de 2008. “Aplicava em seis empresas, mas fiquei com apenas uma. Achei que vendendo estaria deixando de perder, pois acreditava na continuidade da queda da Bolsa, como de fato ocorreu”, justifica o investidor, que ainda saiu com lucro. Em março deste ano, ele resolveu recomprar algumas ações. “Me arrependo de ter vendido naquele momento, seria melhor ter esperado os preços subirem. Vejo que a pessoa física entra e sai do mercado no momento errado. O lado psicológico influencia muito”, diz..

Investidor mais ativo

Em 2009, dizem especialistas, os investidores se tornaram mais ativos e arrojados. “A partir de março, quando a Bolsa engatou uma alta mais forte, eles passaram a aproveitar as oscilações fazendo operações mais curtas, para rentabilizar a carteira.” As vendas rápidas, feitas com o objetivo de embolsar o lucro, são apontadas como um dos motivos para o fluxo negativo. “Eu mesmo não estou me expondo por um período prolongado na Bolsa. Passei a fazer operações de dois, três dias”, afirma Tamaki.

Na corretora TOV, cerca de 20% da base de clientes atua em compras e vendas realizadas no mesmo dia (o chamado day trade) e outros 20% em operações de curto prazo que duram alguns dias, conhecidas como swing trade. “Há quatro anos, eu diria que entre 20% e 25% faziam esses dois tipos de negócio”, diz o gerente de home broker da TOV, Valestan Ribeiro.

Operações curtas, que produzem um forte movimento de vendas rápidas, também têm sido feitas, devido à queda de juros, segundo explica Oliveira. “Com o ganho de 0,7%, 0,8% ao mês na renda fixa, alguns investidores migraram parte das aplicações para a Bolsa, mas com o objetivo de rentabilizar a carteira mesmo. Quando conseguem 3% em uma determinada ação que subiu num dia, já retiram o dinheiro.”

Além disso, a própria alta da Bolsa diminuiu o prejuízo de investidores que viram o valor de sua carteira diminuir drasticamente. Segundo especialistas, alguns podem ter sacado os recursos assim que viram a Bolsa subir. “O fluxo negativo indica um movimento de realização. Ao ver a Bolsa atingir determinado patamar, o investidor embolsa o resultado”, afirma Ribeiro. O receio de que a alta não fosse consistente poderia ter provocado as vendas.

“Fascinadas com a alta da Bolsa, nos últimos anos muitas pessoas começaram a investir em ações, acreditando na promessa de ganho fácil”, lembra o professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), Luiz Jurandir Simões de Araújo, para quem o movimento de ingresso de recursos, em parte, pode até ser artificial. “Essas pessoas podem ter perdido o interesse pela Bolsa com a crise e tirado pelo menos parte dos recursos, à medida que houve a recuperação.”

A discussão sobre a possibilidade de a Bovespa estar ou não “esticada”, o que indicaria um movimento de realização, teria aumentado o temor de que a Bolsa volte a cair. De acordo com especialistas, os alertas para quedas se tornaram mais frequentes depois da crise. “Os investidores acompanharam o debate e preferiram não incorrer no erro que cometeram no passado”, diz Tamaki, da TCX Consultoria. “O investidor está mais seletivo, não comprando qualquer ação no pregão ou em ofertas”, acrescenta Araújo, da Fipecafi.

Na contramão do estrangeiro

Ao contrário da pessoa física, o investidor estrangeiro passou a ter uma atitude mais conservadora neste ano, comprando e segurando as ações na carteira. O fluxo já soma R$ 20,1 bilhões em 2009, número bem diferente do visto no ano passado, quando o saldo ficou negativo em R$ 24,6 bilhões. Em 2009, o fluxo só foi negativo em dois meses – janeiro e junho. No primeiro, devido ainda ao reflexo da crise e á fuga de capital dos estrangeiros para os países de origem; em junho, por causa de um movimento de realização natural, após uma alta expressiva na Bolsa, de 46,8%, nos três meses anteriores.

No mais recente boletim da BM&FBovespa, de outubro, os estrangeiros respondiam por 32,7% do volume financeiro negociado na Bolsa. Por conta disso, especialistas se perguntam se agir na contramão deste grupo seria uma boa tática. “Não diria que é a estratégia mais adequada”, comenta Tamaki. “Compram na hora de vender e vendem na hora de comprar. O preço médio, feito em compras regulares, tem que ser feito quando a Bolsa está num movimento de alta”, completa o analista Márcio Noronha, da corretora Link, apontando as compras realizadas no ano passado, enquanto a Bolsa caía. Para especialistas, as vendas realizadas neste ano fazem também com que os investidores individuais percam parte da alta dos preços.

Fusões e aquisições

Marcelo Mariaca

A gestão de pessoas é um dos calcanhares de Aquiles das fusões e aquisições, muito embora não esteja nos primeiros lugares da lista de prioridades dos responsáveis pela condução desses processos – e esse descuido é justamente uma das principais causas dos altos índices de fracasso de muitos negócios.

Os compradores levantam os passivos trabalhistas que vão assumir e estimam a economia de custos que poderão fazer de imediato com demissões.

Mas, em muitos casos, não dão a devida atenção à cultura e ao clima organizacional e não têm uma estratégia para reduzir os impactos negativos que a mudança poderá causar às pessoas da empresa comprada ou incorporada, esquecendo-se de que a inovação, a produtividade e competitividade devem-se à qualidade do capital humano.

Alguns estudos de consultorias internacionais concluem que quase dois terços das fusões e aquisições fracassam e não agregam valor ao negócio porque os controladores não levam em conta a gestão de pessoas ou não conseguem integrar as culturas organizacionais.

Pelo menos metade dessas empresas perde valor de mercado após a fusão ou aquisição. Esse problema pode ser imputado à urgência com que muitos negócios devem ser feitos.

Na maioria dos casos, a empresa espera fechar o negócio para depois saber como anda o clima organizacional, qual o grau de motivação e comprometimento dos integrantes das duas equipes e o nível de alinhamento com os objetivos corporativos, para, então, começar a tomar as medidas necessárias.

Um dos pontos críticos é a falta de informação e transparência que costuma caracterizar esse processo e é responsável pelo clima de incerteza e insegurança que corrói a motivação e o comprometimento das pessoas.

Em casos mais dramáticos, a erosão do clima organizacional durante esses processos não impede a continuação do negócio, mas afeta a produtividade e inibe a criatividade e a inovação.

O primeiro desafio é reter os melhores talentos. Para isso, os novos controladores devem ter, além de estratégias claras e sensatas, uma comunicação transparente e processos de avaliação e seleção objetivos, para evitar um turnover em níveis indesejáveis.

Como ocorreu nas fusões Itaú/Unibanco, é importante que se promova um equilíbrio de poder e a real integração das culturas e competências das empresas que se fundem, para evitar a evasão de profissionais que fazem a diferença e impedir a corrosão do clima organizacional.

Além da precisão e qualidade da due diligence que se faz antes dos processos de fusão e aquisição, no sentido de mapear ativos e riscos e identificar providências para minimizar ou eliminar perdas de valor, a gestão de pessoas e o clima organizacional devem ser analisadas com o mesmo rigor.

Até a seleção do novo CEO e principais líderes que vão comandar a nova empresa deve levar em consideração a capacidade dos executivos de lidar coma gestão de pessoas e outros ativos intangíveis, como comprovou, no caso da incorporação do Banco Real pelo Santander, a escolha do presidente da instituição comprada para comandar o grupo - aliás, um caso raro em transações desse tipo.

Cresce temor de bolha de alumínio; excedente sobe 29%

Por Millie Munshi e Anna Stablum

Os estoques de alumínio suficiente para construir 69.000 jatos Boeing 747 são o motivo de Peter Sorrentino dizer que o produto, elemento metálico mais abundante da crosta terrestre, está caro demais.

"Não vejo por que o preço do alumínio ficou tão alto", disse Sorrentino, cogestor de US$ 13,8 bilhões na Huntington Asset Advisors de Cincinnati.

"Há bastante oferta e a demanda continua calma. Existe uma falta de ligação entre o preço e a realidade."

O Barclays Capital prevê que o excedente de alumínio aumentará 29%, para 1,63 milhões de toneladas, no ano que vem, uma vez que o maior aumento anual nos preços desde 1994 leva os produtores a aumentar a oferta.

Em abril, a Emirates Aluminium começará a construir a maior fundição do mundo, e uma usina pertencente em parte à Norsk Hydro ASA do Catar começa a funcionar no mês que vem.

A alta do alumínio este ano, de 35%, e o salto, de 46%, no Índice S&P GSCI de commodities está criando o receio de que uma bolha esteja se formando.

A China, o maior produtor de alumínio do mundo, corre o risco de uma ausência de demanda do consumidor por parte dos parceiros comerciais, disse Bill Gross, gestor do maior fundo de bônus do mundo da Pacific Investment Management (Pimco).

O principal executivo da Exxon Mobil, Rex Tillerson, disse em 13 de novembro que os preços do petróleo não têm o apoio dos fundamentos do mercado.

Os investidores estão "correndo atrás das commodities" e surge o risco de bolhas, disse em 20 de novembro Nouriel Roubini, o professor da Universidade de Nova York que previu a crise financeira.

China produz mais

O alumínio, que estava sendo negociado a US$ 2.071,50 a tonelada às 7h06 em Londres, terá o preço médio de US$ 1.885 no ano que vem na Bolsa de Metais de Londres (LME, pelas iniciais em inglês), segundo a mediana de 24 projeções de analistas que participaram de uma pesquisa da Bloomberg.

Os estoques monitorados pela LME quase dobraram este ano, para 4,6 milhões, mais do que a produção da Europa Ocidental.

Um Boeing 747 típico leva cerca de 66 toneladas de liga de alumínio, segundo a empresa.

A China produzirá 18% a mais do metal no ano que vem, somando 8,9% à expansão mundial e contribuindo para um excedente equivalente a mais de três meses da demanda norte-americana, estima o Barclays Capital.

A produção mundial aumentou mais de 12% desde abril, segundo mostram dados do Instituto Internacional do Alumínio (IAI, pelas iniciais em inglês).

Cinco avanços consecutivos nos preços médios anuais até 2007 na LME, o mais longo período de ganhos anuais da série histórica, incentivou as empresas a aumentarem a oferta.

A produção do ano passado, de 38,8 milhões de toneladas, foi 67% a mais que a de 1999, segundo dados do IAI.

À medida que a produção ultrapassou a demanda, os preços caíram 62% nos sete meses desde o recorde de US$ 3.380,15 registrado em julho de 2008.

Por que seu presente de final de ano pode estar com os gestores de hedge funds

Por: Nathália A. Terra Pereira

Todo final de ano traz entre os investidores a esperança de que seu maior presente de Natal virá da bolsa. Além de simples otimismo - que pode ser explicado pelas finanças comportamentais - a crença de que o mês de dezembro sempre traz pregões mais favoráveis não está tão longe de ser verdade.

É o chamado rali de fim de ano: um fenômeno há muito conhecido por aqueles mais experientes e familiarizados com a dinâmica dos mercados. Superstições à parte, a tendência de valorização de papéis e índices nas últimas semanas do ano tem explicação bastante lógica: a atuação dos gestores.

Números comprovam rali
Pressionados em encerrar o ano com uma performance melhor de suas carteiras, não é raro gestores de fundos atuarem de forma mais incisiva no mercado a fim de extrair ganhos mais expressivos. O fenômeno pode ser observado nos principais índices de ações ao redor do globo, e o Ibovespa não é exceção.

A última desvalorização registrada pelo principal índice da bolsa brasileira no mês de dezembro foi em 1998. Nem nos últimos anos, marcados pela turbulência em função da crise financeira, o Ibovespa fechou o último mês com queda. Lá fora, o fenômeno é ainda mais marcante e conhecido, com os gestores em Wall Street assumindo posições ainda mais arriscadas.

Neste ano, nada indica que será diferente. Pelo contrário, analistas já arriscam dizer que o mês de dezembro de 2009 será ainda mais caracterizado pelo rali de fim de ano. O motivo para tal argumentação reside no fraco desempenho que a indústria global de hedge funds vem apresentando neste ano.

Na retaguarda das performances
O Hedge Fund Research's Global Hedge Funds Index, índice que representa a rentabilidade dos principais hedge funds no mundo, acumula em 2009 uma valorização ao redor de 12%. A performance é decepcionante se comparada a outros mercados.

Nos países emergentes, alguns índices de ações, como o Ibovespa, registram altas superiores a 70%. Até o S&P500, geralmente caracterizado por uma maior estabilidade e, portanto, ganhos menos expressivos, subiu 22,8% desde o começo de 2009. Isso para não falar em ativos de outra natureza, como ouro, petróleo e moedas.

O porquê de tamanha disparidade é uma questão mais complexa; talvez uma cautela excessiva em face dos prejuízos históricos registrados no ano passado com a crise financeira. Mas fato é que poucos acreditam que os gestores de hedge funds irão se conformar com uma rentabilidade tão fraca.

A volta da geração de Prince?
O ambiente competitivo de Wall Street já foi tema de diversos filmes em Hollywood. Um de seus maiores ícones foi Chuck Prince, ex-presidente do Citigroup, cuja frase "enquanto a música estiver tocando, nós temos que nos levantar e dançar" tornou-se símbolo de uma geração de investidores sedentos por grandes lucros - mesmo que para isso tivessem que tolerar grandes riscos.

O cenário relativamente tranqüilo que vem se configurando no mundo nos últimos meses também suporta a perspectiva de um rali de fim de ano ainda mais expressivo neste mês de dezembro que está por vir. As principais autoridades monetárias do mundo já avisaram que uma política contracionista não deve tão cedo voltar a ser implementada.

No lado corporativo, a temporada de divulgação de resultados se aproxima do fim e o saldo geral que deixa é relativamente positivo, com diversas empresas recuperando os prejuízos amargados em 2008. Tal confluência de fatores deve inspirar uma postura ainda mais agressiva entre os gestores de hedge funds.

Onde essa estrada dará?
Claro que uma valorização ainda mais acentuada nos últimos pregões do ano convém ao interesse de todos. No entanto, alguns analistas se mostram cautelosos quanto a possíveis impactos que uma busca irracional por ativos de maior risco poderia causar. Ainda que não repercutam hoje, amanhã ou no mês que vem, tais conseqüências poderiam vir a surgir em um horizonte de tempo maior.

Afinal, o fim dessa estrada todos nós já conhecemos: estratégias como a securitização de ativos contribuíram em grande escala para as proporções que a atual crise financeira tomou, notadamente nos países mais desenvolvidos. E Chuck Prince - aquele mesmo que uma época já foi ídolo de muitos estreantes na bolsa - hoje é apontado entre os responsáveis por quase ter levado o Citigroup à falência.

Em contrapartida, há também os analistas que acreditam que tal visão é exagerada. O contexto de hoje não é o mesmo de três anos atrás, argumentam, e uma retomada do apetite por risco pelos gestores seria bem vinda na medida em que elevaria a liquidez nos mercados. Difícil dizer qual grupo está certo - até porque verdades absolutas raramente existem nos mercados.

"Compra da Medial pela Amil é benéfica a ambos", afirma analista

Por: Nathália A. Terra Pereira

A onda de consolidação chegou também ao setor brasileiro de planos de saúde. Na última quinta-feira (19), a Amil (AMIL3) anunciou a aquisição da Medial Saúde (MEDI3) por R$ 612,5 milhões, em uma operação bem avaliada pelos analistas da Itaú Corretora.

A visão otimista da equipe acompanha a reação positiva dos mercados quanto à operação. Basta ver o desempenho das ações das duas empresas no pregão da última quinta-feira, quando os papéis da Medial fecharam com alta de 11,5% e os da Amil, 10,4%. "Ambos os acionistas têm a ganhar", afirma a Itaú.

Benefícios para ambos
O preço de R$ 17,2066 por papel a ser pago pela Amil aos acionistas minoritários da Medial representa um grande prêmio frente aos R$ 11,40 calculados pelo Itaú como um preço-justo às ações, com base no final de 2010. Além disso, os analistas destacam ainda a concessão de 100% dos direitos de tag-along aos acionistas da Medial.

Positivo para os que possuem papéis da Medial, positivo também para os detentores de papéis da Amil. "Embora o preço pago esteja bem acima do preço-alvo, o prêmio pode ser justificado pelas sinergias a serem conquistadas pela combinação das atividades das duas empresas", afirma o Itaú.

Embora até o atual momento não haja maiores detalhes quanto à dimensão de tais sinergias, a equipe de analistas acredita que elas devem ser "significativas". Um indicativo contábil que deverá reportar melhora nos próximos trimestres deverá ser o MLR (Medical Loss Ratio, que é a porcentagem paga pelos planos de saúde aos médicos).

Segundo a visão do Itaú, as empresas somente têm a ganhar com a otimização de suas redes de hospitais e clínicas e a obtenção de um maior poder de barganha em negociações do setor.

Conquistando mercado
Por fim, a equipe atenta também para a conquista de um maior market share da Amil com a aquisição da Medial Saúde. Segundo os analistas, a participação no mercado do estado de São Paulo deverá saltar de 7,9% para 15,1%, ao passo que sua fatia no mercado nacional passará de 6,2% para 10,1%.

"Com isso, a Amil torna-se líder no segmento de planos de saúde do Brasil", destacam os analistas.

JPMorgan aposta em 2010 de novas valorizações à América Latina e ao Brasil

Por: Nathália A. Terra Pereira

Quem vivenciou crises passadas ocorridas no País de certa forma se surpreendeu com a resistência apresentada desta vez. Fruto de fundamentos econômicos mais sólidos, o bom desempenho brasileiro não está sozinho no continente: de forma geral, toda a América Latina mostrou um progresso considerável na comparação com choques passados.

"Inflação doméstica sob controle e condições monetárias favoráveis parecem ser os grandes propulsores do crescimento registrado", analisa a equipe do JPMorgan. No entanto, a iminência do fim de 2009 traz consigo novos questionamentos entre analistas: o quê esperar de 2010? O crescimento será sustentado? Afinal, em quais países e setores investir?

É com o propósito de responder a tais questões que a equipe de analistas do JPMorgan lançou mão de extenso relatório sobre o cenário latino-americano em 2010, abordando tanto pontos de fundo econômico quanto recomendações de investimentos. E mais uma vez, o banco traz o Brasil entre os lugares de destaque.

O continente
Ainda que a performance geral dos principais índices de ações de mercados emergentes tenha superado a registrada por índices de mercados desenvolvidos, o JPMorgan destaca o notável desempenho das bolsas latino-americanas. Desempenho talvez até bom demais, suscitando entre alguns o temor de uma bolha na região.

Nada mais infundado, na visão do JPMorgan. A valorização registrada este ano não é só justificada, mas também altamente provável de se manter no ano que se aproxima. "Um retorno a máximas históricas pré-crise não é difícil - exigiria resultados corporativos surpreendentes o que, na nossa visão, é muito possível", afirmam os analistas.

Ainda que os lucros reportados no continente ainda estejam abaixo da média configurada na Ásia, o JPMorgan acredita em "uma recuperação rápida", sustentando igual trajetória ascendente nos mercados. Com isso, a equipe traçou projeções de uma alta média de 24% a ser reportada no continente em 2010.

No entanto, como em qualquer cenário de investimento, há riscos inerentes. E no caso das projeções do JPMorgan para as ações latino-americanas em 2010, eles vêm principalmente do ambiente externo. "Um crescimento global abaixo do esperado é o principal risco", afirma a equipe, que no entanto, não deixa de citar também fatores locais, como as eleições programadas para 2010 e a condução das políticas monetárias nacionais.

O Brasil
Caso os 24% previstos já denotem otimismo por parte da equipe, a expectativa de uma valorização de 28% do mercado brasileiro em 2010 revela a visão ainda mais favorável que os analistas têm acerca do País. "Dado o bom desempenho do crescimento econômico, o intenso fluxo de fundos do País, seu status de membro do BRIC e seu perfil atrelado ao mercado de commodities, é difícil acreditar que o Brasil vá registrar uma fraca performance", elogiam os analistas.

A despeito da forte alta reportada pelo mercado brasileiro em 2009 - o Ibovespa acumula ganhos de 76,6% desde o começo do ano -, o JPMorgan enxerga ainda um bom espaço para maiores valorizações no ano que vem. No entanto, o posto de top pick não fica com o Brasil, mas sim com o México, cujo mercado recebe projeção de alta de 24% em 2010, em linha com o esperado para o continente.

Embora o Brasil ganhe expectativas mais otimistas, a equipe vê uma deterioração maior no ambiente de riscos do País do que no México. "Muito do otimismo externo ao Brasil é justificado, mas obstáculos existem e são muitas vezes menosprezados", diz o banco em seu relatório.

Na visão do JPMorgan, tais obstáculos consistem na alta carga tributária incidente sobre a economia brasileira, no perfil rígido de consumo do País e nos altos níveis de dívida apresentados em relação ao PIB (Produto Interno Bruto).

Os setores
Ainda assim, a visão predominante concedida pelo JPMorgan ao mercado brasileiro é positiva, o que ampara a sugestão de "overweight", isto é, desempenho acima da média mundial. Entretanto, postos os riscos já citados, quais setores desfrutam das melhores perspectivas para 2010?

A priori, o JPMorgan destaca o setor financeiro, tido como um dos principais segmentos a serem favorecidos pela política monetária do País e pelo ritmo de expansão na concessão de crédito. Entre os papéis sugeridos, estão os de Bradesco (BBDC4), Santander (SANB11) e Visanet (VNET3) - Cielo.

Outro segmento a receber elogios por parte da equipe é o imobiliário, que dentre os setores mais atrelados às perspectivas de sólido crescimento econômico brasileiro, "é sem dúvidas hoje o mais barato". Para o JPMorgan, as melhores oportunidades entre as incorporadoras imobiliárias listadas na bolsa brasileira estão com os papéis da PDG Realty (PDGR3) e da Gafisa (GFSA3).

Por fim, a expectativa dos analistas de um 2010 de valorização às commodities puxa consigo uma visão positiva com relação às companhias atreladas ao mercado de matérias-primas. A equipe destaca as ações da Petrobras (PETR3, PETR4) e da OGX (OGXP3) no setor de petróleo, bem como os papéis da Vale (VALE5, VALE3), que tendem a trilhar um bom desempenho no encalço da recuperação econômica chinesa.

Brasileiros começarão 2010 endividados, prevê Luiz Rabi

Por: Tabata Pitol Peres

As compras financiadas devem voltar com força total no final deste ano. A afirmação é do gerente de indicadores de mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi.

"No ano passado vimos as compras financiadas diminuírem e vimos um crescimento do pagamento à vista. Porém, o Natal de 2009 deve ser diferente e a principal forma de pagamento escolhida pelos consumidores vai ser mesmo o crediário".

Rabi justifica sua resposta explicando que, no ano passado, o crédito estava mais caro e os prazos menores. "Como agora já voltamos aos níveis pré-crise, o crédito está muito atraente e faz com que o consumidor prefira parcelar a compra para poder comprar mais. Com isso, acho que um número grande de brasileiros começará 2010 endividado".

Inadimplência
Luiz Rabi diz também que, apesar de apostar em um maior endividamento, não aposta em uma maior inadimplência.

"Normalmente, nas datas comemorativas. É comum que a inadimplência aumente. Mas não acho que isso vá acontecer neste final de ano. Primeiro porque temos o 13º salário, segundo porque foram criados muitos empregos esse ano, e a renda do trabalhador cresceu. Acho que o brasileiro está em condições de pagar suas dívidas".

Cheques
O gerente afirma também que, no final deste ano, o uso do cheque pré-datado - bastante utilizado no Natal de 2008 - deve ter uma menor participação entre as formas de pagamento escolhidas pelo consumidor.

"O cheque pré-datado serviu como uma válvula de escape dos varejistas e consumidores para aquecer as vendas no período de aperto do crédito. Com o crédito de volta, em boas condições, acredito que essa forma de pagamento passará a ser menos utilizada", explica.

Você conhece a liderança zen?

Qual a sua opinião sobre o seu chefe? Se você respondeu citando aspectos negativos, muito mais do que positivos, certamente ele não pode ser considerado um líder zen.

Segundo o autor que desenvolveu a Liderança Zen, Mario Grieco, esta gestão empresarial evidencia a importância do capital humano dentro das empresas.

Este novo conceito é baseado na coletividade. O líder tenta desenvolver o máximo possível do potencial de seus colaboradores, buscando o crescimento de seus profissionais e estimulando o trabalho em equipe.

Sem medo
De acordo com Grieco, o gestor zen não tem medo de perder seu cargo para outra pessoa, pois sua principal característica é a autoconfiança.

"O grande segredo está na gestão de pessoas, no modelo de atuação por meio do qual o líder desperta talentos, contribui, delega, incentiva e, mais do isso, de fato ama seus colaboradores. Sim, estou falando sobre manter por sua equipe um sentimento de amor genuíno, incondicional, semelhante àquele que os pais tecem por seus filhos. Aquele que se preocupa, educa, constrói", explica o autor.

Liderança tradicional
Na liderança tradicional, o chefe está focado no individualismo e busca funcionários parecidos com sua própria imagem. Desta forma, não criará atritos e não correrá o risco de encontrar um colaborador que possa substituí-lo futuramente.

"O tradicional inspeciona tudo que você está fazendo e, quando não está presente, as pessoas não sabem o que fazer. Ele não sabe delegar", explica Grieco.

Resolvendo erros
No momento de resolver ou administrar problemas, as duas gestões têm visões diferentes sobre o assunto.

A liderança mais comum considera o erro uma falha grave e, dependendo do grau, o funcionário pode ser até despedido. Já a outra considera o erro uma oportunidade de crescimento tanto de quem errou como de quem tenta resolver a questão.

Falta de renda e crédito fácil fazem com que brasileiro não tenha o hábito de poupar

Por: Gladys Ferraz Magalhães

A renda insuficiente e o acesso fácil ao crédito fazem com que o brasileiro não tenha o hábito de poupar para os chamados gastos emergenciais, aqueles que aparecem de repente, como o conserto de um automóvel ou um problema de saúde, segundo informa a analista e professora de Psicologia Econômica da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), Vera Rita de Mello Ferreira.

"Com o crédito fácil, as pessoas acabam recorrendo ao limite do cheque especial, do cartão de crédito, quando acontece alguma coisa", analisa.

Além disso, explica ela, no geral, a pessoas entendem que poupança é algo para comprar bens de grande valor e não para as despesas emergenciais ou mesmo aqueles gastos habituais de início do ano.

Outros países
De acordo com uma pesquisa realizada pela TNS, os brasileiros não estão sozinhos, quando o assunto é a falta de hábito em guardar dinheiro para gastos emergenciais. O estudo revela que metade dos consumidores de países desenvolvidos, especialmente os do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Alemanha, não teriam recursos para enfrentar uma despesa financeira não planejada.

Caso necessitassem, 46% dos norte-americanos não conseguiriam obter, em um mês, US$ 2 mil, considerando recursos da poupança, de empréstimos bancários ou de empréstimos com amigos e familiares. O percentual sobe para 47% entre os alemães e 49% no Reino Unido. No México, 58% dos entrevistados afirmaram que seria impossível conseguir este valor.

Por outro lado, os moradores de Luxemburgo (90%), Itália, Holanda e Canadá, com 70% cada, mostraram-se extremamente confiantes de que resistiriam a uma emergência financeira.

Onde angariar fundos?
No que diz respeito onde os consumidores buscariam recursos para emergências, a pesquisa apontou que a poupança seria a principal modalidade para 50% dos alemães, britânicos, canadenses e portugueses, 86% dos moradores de Luxemburgo e 89% dos holandeses.

Redes de relacionamento informais são a preferência de mexicanos (53%) e argentinos (42%), sendo que as mulheres são as mais propensas a pedir ajuda à família ou aos amigos do que os homens.

Quanto ao cartão de crédito, recurso comum, segundo Vera Rita, para os consumidores brasileiros, as famílias de outros países não esperam utilizá-lo para emergências, diz o estudo da TNS. Menos de 20% dos entrevistados de todos os países recorreriam ao plástico como forma de auxílio.

Dentre os que mais utilizariam o plástico, estão entrevistados de países como Canadá (28%), Luxemburgo (27%) e Estados Unidos (20%).

Petrobras testa com bancos capacidade para financiar indústria

O diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, informou nesta segunda-feira que a companhia vai iniciar testes com bancos brasileiros visando futuros financiamentos para fornecedores da indústria do petróleo, com objetivo de atender à imensa demanda dos projetos do pré-sal.

"Hoje faremos um teste ácido com os bancos para eles avaliarem", afirmou Barbassa, referindo-se a termo do mercado financeiro sobre medição da capacidade de pagamento de possíveis tomadores de créditos.

"Vamos ver as condições contratuais e as garantias que terão, se o modelo é executável", acrescentou.

A Petrobras foi orientada pelo governo a buscar o aumento do conteúdo nacional em seus equipamentos desde 2003. Com a descoberta do pré-sal, em 2007, as encomendas da empresa irão aumentar gradativamente e o ritmo da exploração da nova fronteira será ditado pela capacidade de atendimento da demanda por empresas locais.

Para viabilizar esse crescimento, a Petrobras PETR4.SA quer estender aos pequenos fornecedores o crédito que normalmente disponibiliza aos seus fornecedores diretos, de maior porte.

"O desafio aqui é a indústria brasileira, nós estamos trabalhando para facilitar um pouco a condição da empresa brasileira de obter recursos", disse Barbassa.

"O fornecedor do fornecedor tem que ser financiado, mas quem vai operar isso é o sistema bancário", afirmou, descartando a hipótese de a Petrobras se tornar uma espécie de "banco" do setor, como ocorreu em alguma medida com a Eletrobrás ELET6.SA , responsável pelo financiamento da expansão da geração elétrica no país.

Para conseguir recursos suficientes e fomentar a indústria nacional, a Petrobras será capitalizada até o final do primeiro semestre do ano que vem, prevê Barbassa, processo que ainda está tramitando na Câmara dos Deputados.

"Até o primeiro semestre de 2010 isso (a capitalização) terá sido concluído e vai estender a capacidade financeira para indústria", explicou.

Ao mesmo tempo, a companhia continua o trabalho de atrair fabricantes de equipamentos para o país.

No primeiro trimestre do ano que vem, a empresa volta à China para conversar com algumas empresas do setor.

"Já estivemos no Japão, na Coreia e Cingapura, queremos atrair para o Brasil não apenas as empresas grandes, que já conhecem o Brasil, mas motivar os fornecedores dos estaleiros de lá", explicou o executivo em seminário sobre o pré-sal no Rio de Janeiro.

"Os estaleiros nem são a nossa prioridade, queremos trazer os fornecedores desses estaleiros", disse Barbassa, fazendo coro com Guilherme Estrella, diretor de Exploração e Produção da companhia, que na semana passada reclamou da falta de fabricação de turbinas para navios no país.

(Por Denise Luna; Edição de Marcelo Teixeira)

domingo, 22 de novembro de 2009

Ibovespa poderá atingir 90 mil pontos em 2010, preveem analistas

O Ibovespa, índice que mede o desempenho das empresas mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo, deve manter a tendência de alta em 2010 e superar os níveis pré-crise, embora com menor vigor em relação aos mais de 76% de ganhos já acumulados neste ano.

A expectativa dos economistas e analistas de corretoras, que vislumbram a manutenção do nível de aquecimento da economia brasileira, é de que esse cenário terá reflexos principalmente nos papéis das companhias que dependem mais do mercado interno.

Na semana passada, o Ibovespa atingiu nível recorde no ano, aos 67.405 pontos, no dia 17, apesar de ter fechado a semana em 66.327 pontos, com alta acumulada de 7,77% em novembro e de 76,63% em 2009. Para o final deste ano, os prognósticos não são muito animadores, pois o indicador está batendo as metas que haviam sido traçadas pelas casas.

Para 2010, no entanto, o clima é de otimismo, com expectativas de que o Ibovespa feche o ano entre 80 mil e 90 mil pontos, com valorização de mais de 35% sobre o fechamento de quinta-feira, dia 19.

Recorde histórico

O recorde histórico do Ibovespa foi alcançado em 20 de maio o ano passado, aos 73.526 pontos, embalado pela obtenção do grau de investimento pelo Brasil, no início daquele mês.

"Nosso objetivo para o final de 2010 é de o índice marcar 74.500 pontos, com alguma chance de ir a 80 mil", avalia Marcelo Brisac, estrategista da Itaú Corretora. Para Álvaro Bandeira, economista-chefe da Ágora Corretora, o indicador pode bater na casa dos 80 mil a 82 mil pontos, enquanto nas previsões da Alpes Corretora ele pode ir até 90 mil pontos. Nas contas da Planner Corretora, a bolsa pode ter uma valorização de 25%, isso contando que encerre 2009 entre 65 mil e 68 mil pontos e suba para 80 mil no próximo exercício.

"A economia brasileira engrenou, está havendo recuperação do emprego e a rentabilidade das empresas tende a melhorar e voltar ao nível pré-crise", afirma José Góes, economista da Alpes Corretora, para justificar sua expectativa. A Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 são fatores que devem atrair investimentos e beneficiar as áreas ligadas à infraestrutura.

É consenso entre os economistas que o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer 5% em 2010, marca revelada pelo Boletim Focus, que capta a temperatura do mercado, divulgado pelo Banco Central no início da semana passada. Ainda de acordo com o BC, os analistas estimam que o Investimento Estrangeiro Direto (IED), aqueles voltados à produção, deve somar US$ 32 bilhões no próximo ano.

As análises de Góes se voltam para as companhias que dependem mais do mercado interno, já que a economia mundial deve mostrar algum crescimento, mas sem sustentação. Nesse cenário, suas apostas voltam-se para ações dos setores de construção civil, concessionárias de serviços públicos, como teles e empresas de energia elétrica, e aquelas ligadas à infraestrutura, além de siderurgia, que recebe reflexos do investimento interno.

De acordo com Brisac, da Itaú, a bolsa está chegando em um nível em que é necessário selecionar os melhores papéis, como das indústrias de bens de capital e de produtos de consumo. "Teremos a volta do investimento no Brasil e não só os gastos", diz ele. "As empresas irão investir e isso beneficia o setor de bens de capital." Além disso, o estrategista aponta a retomada do crédito, o que dá impulso às ações dos bancos médios e também dos itens de consumo que dependem desse financiamento.

Bandeira, da Ágora, espera o fortalecimento do mercado com base na recuperação da economia mundial, o que trará maior rentabilidade para os resultados das empresas. "Isso se soma à liquidez internacional, que está forte e os investidores devem trazer recursos para o Brasil, que sofreu ou está sofrendo menos com a crise", acrescenta o economista-chefe da corretora Ágora, do Banco Bradesco.

As estimativas do banco Geração Futuro para o ano que vem são de alta média de 25% para o desempenho do mercado acionário. Wagner Salaverry, sócio-diretor, ressalva que seus cálculos levam em conta uma carteira selecionada composta por papéis de dez empresas, entre bancos, consumo, siderurgia e mineração, petróleo e papel e celulose.

Celulose e ferro

Para ele, esse grupo de empresas terá aumento de 25% a 30% no Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês), indicador da geração operacional de caixa, em 2010. "Trabalhamos com a perspectiva de recuperação dos preços da celulose e do minério de ferro, por conta da demanda da China, que deverá se manter, e dos Estados Unidos e Europa, que devem apresentar alguma retomada, mas não franca recuperação", afirma Salaverry.

Góes, da Alpes, discorda. Para ele, por depender mais da economia internacional, as "blue chips" não tenderão a superar os setores voltados para o mercado local.

"Se o dólar continuar desvalorizando, o investidor continuar sem opções de investimentos e se não houver qualquer novidade ruim no cenário mundial, podemos consideram um Ibovespa com alta de 25%”, avalia Ricardo Martins, gerente de pesquisa da Planner Corretora. Ele destaca, no entanto, que uma alta inesperada de alguns preços, como das commodyties, pode levar o mercado acionário a uma "bolha", o que traria maiores riscos.

Martins também vê potencial de crescimento para as companhias ligadas à infraestrutura, como portos, administração de rodovias, ferrovias e aviação comercial. Segundo ele, as empresas de concessões rodoviárias crescem, historicamente, 1,2 vez o desempenho do PIB. "Se o PIB subir 4,5% ou 5%, esse setor será muito beneficiado."

Mercado consumidor pode criar bolha na economia chinesa

Bill Gross, diretor da Pimco, declarou em entrevista à rede de TV Bloomberg que o crescimento econômico da China deverá ser interrompido pela demanda comercial reduzida de parceiros como os EUA.

Gross ainda afirmou que toda a preparação do país em relação à exportações se depara com o fato de não encontrar um consumidor final, algo que o executivo julga como um sério problema para a economia chinesa.

Para a OECD (Organizaton for Economic Cooperation and Developement), "o governo chinês deve conter um crescimento do crédito para se preparar contra as pessoas inflacionárias e bolhas de ativos emergentes".

Fed funds rate
A Fed Funds rate, taxa básica de juro norte-americana, também pode estar contribuindo para uma bolha na economia chinesa. Gross já havia alertado que a manutenção da taxa básica de juro norte-americana em níveis muito baixos chamava atenção para o risco sistêmico de novas bolhas de ativos nas economias e mercados globais.

Da mesma forma, a autoridade do fundo monetário de Hong Kong destacou na véspera que a retirada de estímulos da economia muito tarde deverá aumentar o risco de bolhas nos ativos do continente asiático.

IR x ações: investidor desconhece tributação sobre aplicações em bolsa

Por: Patricia Alves

Ao longo de 2009, a mídia divulgou notícias de que a Receita Federal está atrás dos investidores de renda variável. Entre os motivos da maior fiscalização neste sentido, estão a falta de apuração de ganhos em operações em bolsa, falta de recolhimento de imposto de renda sobre ganhos em operações e falta de preenchimento do demonstrativo de apuração de ganhos na declaração de ajuste anual.

Desconhecimento ou esquecimento... o que faz o investidor deixar de recolher ou declarar impostos sobre estas operações?

De acordo com a contadora Meire Bonfim Poza, gestora da Arbor Contábil, tanto o desconhecimento quanto o esquecimento podem responder a essa questão. "No Brasil, as pessoas não têm cultura de declarar operações em bolsa, pois o mercado de capitais é novidade para o brasileiro", afirmou a especialista, em encontro que reuniu investidores no escritório da corretora Gradual Investimentos, em São Paulo.

Lacuna
O brasileiro, nos últimos anos, aprendeu a investir em ações. De acordo com os últimos dados da BM&F Bovespa, referentes a outubro de 2009, o número de investidores pessoa física na bolsa cresceu de 85.249 em 2002 para 555.768 em 2009, ou seja, um avanço de seis vezes em um período de sete anos.

Segundo Meire, o investidor brasileiro sabe como investir em bolsa, como comprar, quando vender, mas, quando o assunto é tributação, ainda existe uma grande lacuna. "O investidor não imagina que a responsabilidade pelo recolhimento e informação é dele", afirmou.

Em investimentos mais populares, como fundos de renda fixa, por exemplo, a tributação ocorre na fonte e o recolhimento é de responsabilidade da pessoa jurídica responsável pelo pagamento dos rendimentos.

Nas operações do mercado à vista, por outro lado, o recolhimento do imposto devido deve ser feito pelo contribuinte, mensalmente, até o último dia útil do mês subsequente àquele em que os ganhos tiverem sido apurados, sendo que o recolhimento deve ser feito com código Darf 6015.

Ainda nas operações do mercado à vista, quando o assunto é tributação, a única responsabilidade da instituição é a retenção do Imposto de Renda na fonte (0,005% ou 1%), de acordo com o 6º parágrafo do artigo 2º da lei 11.033 de dezembro de 2004.

"Universidades, corretoras e a própria Bolsa deviam neste tipo de ensinamento. Falta ensinar como se apura o ganho, falta esclarecimento sobre a tributação", explica.

Fiscalização x educação
O aumento da fiscalização pela Receita, segundo a contadora, pode ser olhado também de uma forma positiva. "A ação da Receita pode ser vista como uma forma de educar o investidor".

Desde que as autuações começaram, os investidores estão mais atentos ao assunto e buscando informações sobre o tema, com o objetivo de aprender e, claro, regularizar a situação, evitando o pagamento de multas e encargos.

Oportunidade única
Para Meire, uma forma de regularizar a situação frente ao Fisco é por meio do chamado Refis da Crise, instituído pela lei 11.941, que possibilita o parcelamento de dívidas com o Fisco em até 180 meses, com redução de multas e juros, entre outras vantagens.

De acordo com a gestora da Arbor Contábil, todo investidor em débito pode aderir ao programa, desde que a parcela do pagamento não seja inferior a R$ 50.

Para a contadora, o investidor que percebeu que está em débito com o Fisco pode se antecipar e buscar o parcelamento da dívida, mesmo antes de ser intimado pela Receita. Segundo ela, o procedimento ideal é retificar a declaração e aderir ao parcelamento por meio do site da Receita Federal do Brasil (www.receita.fazenda.gov.br).

Para o investidor que já foi intimado pela Receita, no entanto, o procedimento é diferente. O primeiro passo, neste caso, é procurar o auditor fiscal para apresentar a documentação das operações e deixar claro que gostaria de aproveitar o programa de parcelamento da dívida.

Em ambos os casos, é importante se apressar. As adesões ao programa terminam no dia 30 de novembro.

Taxa de Câmbio e Bem-Estar Social

José Márcio Camargo

Valorização cambial diminui os preços dos produtos importados e dos produtos que competem com os importados. Produtos como alimentos, automóveis, geladeiras, fogões, máquinas e equipamentos, em suma, os produtos industriais e agrícolas, têm seus preços reduzidos. Preços menores geram aumento da renda real das famílias, diminui o custo e gera aumento do investimento.

A pós dois trimestres de queda, a economia brasileira retomou a trajetória de crescimento. O consumo das famílias e os gastos do governo foram os principais motores da retomada. Outros países estão em situação similar (Austrália, Noruega, Coreia, etc.), fazendo com que os Bancos Centrais destes países já comecem a aumentar os juros.

Crescimento maior e taxas de juros mais elevadas significam maior rendimento para os investidores. Com a expectativa de que os Bancos Centrais dos países desenvolvidos irão manter suas taxas de juros próximas a zero por um bom tempo, a busca por rentabilidade está fazendo com que os investidores (empresas e mercado financeiro) direcionem seus recursos para ativos dos países que estão saindo mais cedo da recessão. Como resultado, as moedas destes países, inclusive o real brasileiro, têm se valorizado nos últimos meses em relação ao dólar.

Com a queda dos preços, os lucros das empresas produtoras destes bens e os salários de seus trabalhadores também caem, se não em termos absolutos, pelo menos em relação aos lucros e salários daqueles setores produtores de bens que não podem ser importados, como serviços e construção civil. Ou seja, a valorização melhora a situação relativa dos produtores de não comerciáveis (serviços e construção civil), que é a maioria, e piora a situação relativa dos produtores de comerciáveis (indústria e agricultura).

A valorização pode levar empresas que investem pouco e, portanto, não renovam seu estoque de capital e sua tecnologia a se tornar obsoletas. Para estas, a consequência é a falência. Se o número de empresas com estas características é muito grande, a valorização cambial pode levar a uma redução do potencial de crescimento da economia e a um aumento da taxa de desemprego. Mas note que este é o resultado de uma estrutura produtiva ineficiente e com baixa produtividade.

Fatores externos à empresa como infraestrutura inadequada, mão de obra pouco educada, impostos muito altos, excesso de burocracia, etc. aumentam o custo das empresas e são também importantes determinantes de sua capacidade de competir. Nestas condições, uma valorização cambial poderá levar mesmo empresas eficientes a fechar suas portas por falta de competitividade. Mas isto ocorre devido a um ambiente externo pouco amigável que gera ineficiência e baixa produtividade.

Ou seja, valorização cambial é um fator positivo para a economia. A solução para evitar que empresas e setores sejam prejudicados é mais investimento em capital físico e incorporação de novas tecnologias por parte das empresas. Além disso, investimento em capital humano (educação) e infraestrutura, carga tributária menor e reformas microeconômicas que tornem o ambiente externo mais amigável. Manter a taxa de câmbio artificialmente desvalorizada gera pressão inflacionária e aumento dos juros, reduz o incentivo a ganhos de produtividade e diminui os ganhos de bem-estar para a maior parte da sociedade. Melhorar a educação e retomar a agenda de reformas são fatores fundamentais para enfrentar a valorização da moeda.