terça-feira, 13 de março de 2012

Qual a melhor forma de abater uma dívida?

Por João Sandrini, EXAME.com

Leitor quer usar o FGTS para reduzir o saldo devedor de um financiamento imobiliário, mas não sabe se abate a prestação ou o tempo de pagamento

Pergunta do internauta: Tenho um financiamento imobiliário de 30 anos e estou utilizando o FGTS para amortizar a dívida a cada dois anos. Gostaria de saber se é melhor optar pela redução do tempo de financiamento ou pelo abatimento do valor das prestações mensais.

Resposta de Marcelo Prata*

Marcus,

A amortização do saldo devedor utilizando o FGTS é uma decisão acertada. A razão é simples: os recursos da conta vinculada do FGTS rendem 3% ao ano + TR (Taxa Referencial), o que representou 4,2% no ano de 2011. Ou seja, é muito abaixo das taxas de juros praticadas no sistema financeiro.

O FGTS pode ser utilizado para amortizar o financiamento respeitando o prazo mínimo de 2 anos para cada evento. Quando se amortiza, o cliente tem duas opções: a) manter o mesmo prazo de financiamento, mas diminuir o valor das parcelas; ou b) diminuir o prazo do financiamento, pagando a mesma "prestação" por mês. O que é melhor?

Do ponto de vista financeiro, a melhor opção é diminuir o prazo do financiamento. É fácil entender o motivo: como os juros são cobrados sobre o saldo devedor, quanto mais tempo você levar para diminuir esse saldo, mais juros irá pagar.

No entanto, nem sempre a decisão pode ser tomada olhando somente sob esse aspecto. É preciso levar em conta o orçamento familiar, caso o pagamento das parcelas do financiamento estejam comprometendo a renda do devedor a ponto de se utilizar o limite do cheque especial, por exemplo.

Se for esse o seu caso, é mais vantajoso manter o prazo do financiamento e diminuir o valor da parcela. Afinal, a taxa do financiamento imobiliário, em média de 11% ao ano (imóveis acima de 500.000 reais), é muito menor que os juros cobrados no cheque especial (8,5% ao mês).

Portanto, analise em qual das duas condições acima você se enquadra antes de falar com o banco na próxima vez que for realizar a amortização.

*Marcelo Prata é presidente da Associação Brasileira dos Corretores de Empréstimo e Financiamento Imobiliário (Abracefi)

Lições para o Brasil da tragédia grega

Por Joaquim Castanheira - Diretor de redação do Brasil Econômico 

A crise econômica iniciada em setembro de 2008, com a quebra do banco americano Lehman Bothers, não para de prover o mundo de situações carregadas de ironias.

A primeira delas foi o resgate bilionário, feito com o dinheiro publico, do sistema financeiro e de companhias privadas nos Estados Unidos - justamente o país que prega, como um dogma, que as forcas do mercado devem encontrar seus próprios meios para resolver os problemas que o afligem.

No final de semana, os países desenvolvidos deram mais um exemplo dessa faceta irônica. Desta vez, a fonte foi a Grécia e sua aparentemente insolúvel tragédia financeira.

Sob o peso de uma dívida impagável, o país foi à bancarrota e se viu obrigado a pedir auxílio aos vizinhos europeus. Resultado: um acordo com os credores privados, fechado na última sexta-feira, representou o maior calote da história do capitalismo mundial.

Os bancos amargaram um prejuízo de € 100 bilhões, valor do "desconto" que foram obrigados a conceder para que a União Europeia socorresse a Grécia com € 130 bilhões. A dívida reestruturada soma € 206 bilhões.

Mas onde está a ironia nessa verdadeira tragédia grega? Pois bem, está no passado, um passado que envolve o Brasil. Durante mais de duas décadas, a economia brasileira sangrou pagando uma dívida externa avassaladora.

Para honrar seus compromissos, o país amargou anos e anos de uma situação econômica que oscilava entre a recessão e a estagnação. Não contou, durante esse período, com um pingo de compreensão das instituições financeiras globais ou dos governos estrangeiros - uma compreensão que sobra para a Grécia atualmente.

Pagou até o último centavo e, numa reversão total, tornou-se, inclusive, credor de alguns organismos, como o FMI.

Quem adotou a postura correta foi a Argentina, que impôs a seus credores um acordo do tipo "é pegar ou largar." Houve choro e ranger de dentes entre os neoliberais de plantão, mas, no final, a grande maioria dos credores aceitou as condições de nossos vizinhos.

Tudo bem. Todas as queixas derramadas no texto acima podem se transformar numa choradeira sobre o leite derramado. Mas também podem significar uma lição preciosa sobre o comportamento que um governo deve adotar diante de crises econômicas agudas: pense, antes de tudo, no que for melhor para o país.

Durante anos, os manda-chuvas brasileiros se guiaram pela lógica absoluta de conceitos forjados nos países desenvolvidos - como se esses conceitos não atendessem os interesses desses mesmos países.

Segundo eles, a prioridade de qualquer economia deveria ser o cumprimento, a qualquer preço, dos compromissos financeiros com os grandes bancos e órgãos financeiros internacionais.

Mesmo que, nesses compromissos, estivessem embutidos juros estapafúrdios e cobranças duvidosas. O Brasil foi um dos poucos países que acreditou nessa história.

A saída grega indica que a subserviência não é o melhor caminho e o Brasil deve ficar atento para não cair novamente nesse erro.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Amortização extraordinária em financiamento imobiliário

Por Sergio Andrade

Na internet não é difícil encontrar textos e simuladores sobre financiamentos imobiliários, porém quando o assunto é amortização extraordinária, muitas dúvidas aparecem e os textos disponíveis tratam este assunto apenas superficialmente.

No Brasil, a maioria dos financiamentos imobiliários feitos pelos bancos são através do sistema SAC. Esse sistema possui as seguintes características:

  • Como o próprio nome diz, as amortizações no saldo devedor são constantes ao longo do período contratado;
  • A parcela da prestação referente aos juros é maior no início do plano e vai diminuindo gradativamente, junto com o saldo devedor;
  • Assim, as prestações também vão diminuindo ao longo do tempo, diferente do sistema PRICE, onde as prestações não mudam (sistema bastante utilizado em lojas de eletrodomésticos)

Amortização Extraordinária

Agora suponha que você possua um financiamento imobiliário e em um determinado momento durante seu plano você consiga uma quantia extra e queira diminuir sua dívida através de uma amortização extraordinária. Como fazer?

Geralmente os bancos lhe oferecem 2 possibilidades de amortização extraordinária sobre o saldo devedor:

  1. Reduzir a quantidade de prestações, mantendo o valor atual das mesmas;
  2. Manter a quantidade de prestações, reduzindo o valor das mesmas

E agora, qual a melhor opção?

Para tomar essa decisão é preciso levar em consideração diversos fatores, inclusive alguns pessoais. Abaixo alguns exemplos desses fatores:
  • A taxa de juros aplicada no financiamento;
  • O momento em que ocorrerá a amortização, por exemplo, mais próximo do início, do meio ou do fim.
  • Regras de amortização descritas no contrato, já que os contratos de financiamento não são todos iguais;
  • Sua situação financeira no momento da amortização.

De maneira geral, seguem algumas dicas para ajudar na decisão:

  • Em ambas as opções, você estará pagando uma menor quantidade de juros;
  • Mas se o seu critério de decisão for, estritamente, pela opção que possui o menor montante de juros a ser pago, não tem muito o que pensar, escolha a opção de redução da quantidade de prestações; 
  • Quanto mais próximo do início do financiamento, mais parcelas do financiamento serão reduzidas e maior será sua economia com os juros;
  • Se a amortização for realizada em um período mais próximo do final do plano, a diferença entre as duas opções, em termos de quantidade de juros a ser pago, diminui;
  • Na  opção de redução do valor da prestação, quanto mais próximo do final do plano, maior será a redução da prestação.

Além das dicas citadas acima, é imprescindível refletir sobre alguns pontos:

  • Geralmente, as taxas aplicadas nos financiamentos imobiliários são as menores encontradas no mercado. Assim, aproveite essa quantia extra para quitar outras dívidas onde os juros são maiores.
  • Pode acontecer de você encontrar taxas de investimentos maiores que sua taxa de financiamento, neste caso aplique a quantia extra. Mesmo que a taxa de investimento seja inferior a taxa do financiamento, essa opção pode ser interessante do ponto de vista de ter um colchão de emergência para situações adversas.
  • Se o seu orçamento mensal estiver em situação complicada, a opção de amortização com redução do valor de prestação pode ser uma boa solução para aliviar o mesmo.

Espero que este texto tenha ajudado a clarificar um pouco mais sobre o tema de amortização extraordinária em financiamentos imobiliários.

Escrevam suas dúvidas e sugestões sobre o tema.

Até a próxima!

Grécia desbanca Argentina e assume posto de maior calote do mundo

Dívida grega reestruturada soma € 206 bi, acima dos € 60 bi do default argentino
 
Por Daniela Milanese e Marina Guimarães, correspondentes da Agência Estado
 
Após meses de negociação e expectativa, a Grécia desbancou a Argentina e assumiu o posto de maior calote soberano do mundo. Guardadas as diferenças entre as duas situações, a dívida grega reestruturada soma 206 bilhões de euros, bem mais do que os 60 bilhões de euros (US$ 82 bilhões) do default argentino, em 2005. Além do volume maior na dívida total em reestruturação, a perda líquida dos investidores da dívida grega também supera a do caso argentino, segundo projeções de analistas ouvidos pela Agência Estado.
 
Se há uma grande diferença é que, ao contrário da Argentina, a Grécia passou por um longo processo de tratativas com os credores privados. A Argentina partiu para um calote forçado da dívida logo no primeiro momento, em 2001, e só chamou os investidores para a renegociação anos depois, em 2005.
Inicialmente, ninguém acreditava que um membro da zona do euro pudesse protagonizar reestruturação tão profunda, no primeiro caso de default da união monetária. Entretanto, as comparações entre os dois países hoje são plenamente aceitas no velho continente.
 
Há tempos que os analistas argentinos, experientes no assunto, alertavam para as semelhanças dos dois casos, como a falta de confiança externa, a debilidade da liderança política, o mal estar social, os ajustes sucessivos sem resultado e a saída de depósitos. Distúrbios, protestos, rebaixamento de ratings e risco nas alturas formam hoje o cenário grego, já bem conhecido pelos argentinos que foram às ruas em dezembro de 2001 para pedir que "se vayan todos" do governo (que saiam todos).
A oferta de troca da Grécia aplica um desconto nominal de 53,5% sobre o endividamento privado, que totaliza 206 bilhões de euros. Trazida a valor presente, a operação deve representar um desconto líquido aos investidores de até 75%.
 
Para calcular a perda líquida dos investidores, bancos como o Barclays Capital e o Credit Suisse usaram uma taxa de desconto de 12%, maior do que a considerada pelo IIF (de 9%). O resultado é um desconto final de 74% no caso da Grécia, acima dos 73% impostos pela operação da Argentina.
 
"As perdas para os investidores no caso da Grécia, assumindo que nossa taxa de desconto estará próxima do nível pós-reestruturação, podem ser ainda mais penosas (do que as da Argentina)", escrevem os analistas Cagdas Aksu e Donato Guarino, do Barclays Capital, em relatório enviado a clientes. Eles lembram que, até então, o calote argentino era considerado o mais grave já existente, com um dos índices de participação mais baixos do mundo emergente, de 76%.
 
Hoje, o governo da Grécia informou que a participação dos credores pela lei grega foi de 83,5% da dívida privada total do país. Dos 206 bilhões de euros em títulos, o equivalente a 172 bilhões de euros aceitou a proposta grega. Esse índice permite que o governo ative as cláusulas de ação coletiva (CACs), como já sinalizou.
O próximo passo é a troca efetiva dos bônus, prevista para a próxima segunda-feira, 12 de março.
 
Comparação
 
Os dois países ofereceram na operação de troca alguns títulos atrelados ao desempenho da economia. Isso significa que parte da remuneração dos investidores varia conforme o desempenho do PIB. De forma geral, se a atividade interna melhorar, os credores recebem mais, e vice-versa. O Barclays Capital avalia, entretanto, que as condições desses títulos são piores no caso grego. As obrigações argentinas também eram indexadas à inflação e podiam pagar os rendimentos atrelados ao PIB a cada ano. Se num determinado período não fosse cumprida a meta do PIB, o pagamento ficava acumulado para o período seguinte.
 
No caso grego, ao contrário, os pagamentos serão referentes a apenas 1% do valor de face dos títulos, desde que sejam atingidas as condições exigidas para o comportamento do PIB. Se em algum ano a meta não for atingida, o pagamento do rendimento fica perdido e não acumula para o período seguinte. "A conclusão é que o valor dos títulos gregos ligados ao PIB deve ser muito menor do que o dos argentinos", dizem os especialistas do Barclays Capital.
 
Em compensação, a Argentina estava sozinha ao anunciar unilateralmente seu default, enquanto a Grécia conta com o apoio da União Europeia, que formula um segundo pacote de resgate, de 130 bilhões de euros. "O default da Grécia é maior do que o da Argentina, mas a Grécia tem ajuda", disse Wilber Colmeraruer, sócio da consultoria Brazil Funding, em Londres.

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Financiar imóvel é melhor que alugar?

Leitora quer saber se o que gasta com aluguel seria suficiente para pagar as prestações de um imóvel
por João Sandrini, de EXAME.com
 
Pergunta da internauta: Gostaria de saber se vale a pena comprar um imóvel no Rio financiado ou é melhor alugar um. O valor do apartamento que alugo é de 650.000 reais. Já o aluguel custa 3.200 reais com todas as taxas incluídas. Seria possível financiar o imóvel com o mesmo custo? (Leticia Siqueira)
Resposta de Joe Powell*
 
A decisão de comprar ou alugar um imóvel depende geralmente dos projetos pessoais de cada um. A compra de um imóvel é um projeto de médio/longo prazo. Portanto, se você tem a intenção de continuar morando no Rio, realmente financiar a casa própria parece uma alternativa melhor do que continuar alugando. Afinal de contas, você estaria investindo em um bem que lhe pertence, construindo assim o seu patrimônio.
Hoje, se você financiar 80% do valor do apartamento onde reside (520.000 reais) pela tabela SAC (Sistema de Amortização Constante), a parcela mensal inicial de será de aproximadamente 6.150, lembrando que as parcelas são decrescentes ao longo dos anos. Consideramos uma idade de 35 anos, um prazo de 360 meses para amortização e taxa média de 11% ao ano.
Para ter uma parcela próxima ao valor que você paga hoje de aluguel, o financiamento máximo seria de 270.000 reais. Ou seja, você teria que ter em mãos os outros 380.000 reais para dar de entrada no imóvel. Isso sem esquecer que terá de arcar com despesas de condomínio e IPTU.
A principal vantagem de financiar a compra de um imóvel é que você poderia comprar um bem agora, sem se descapitalizar totalmente. O imóvel poderá valorizar no decorrer dos próximos anos e aumentar assim o valor do seu patrimônio pessoal. Se um imóvel que hoje vale 650.000 reais valorizar 5% ao ano nos próximos 10 anos, ele poderia ter um valor de mercado de mais de 1 milhão de reais transcorrido esse prazo.
Além disso, você pode ir amortizando seu financiamento e terminar de pagá-lo antes do prazo, o que economizará os juros pagos ao banco.
Agora é uma questão de ver se as parcelas cabem no seu orçamento. Afinal de contas, não adianta comprar o imóvel e depois ficar em apuros financeiros.

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5 razões para os preços dos imóveis subirem em 2012 - e 5 para eles caírem

Por: Diego Lazzaris Borges
Infomoney
 
Os preços dos imóveis  registraram forte valorização nos últimos anos, motivados, segundo especialistas, por uma série de fatores - entre eles, a estagnação de preços nos anos anteriores, a maior oferta de crédito e a ascensão das classes C e D.
 
Nos últimos 12 meses encerrados em janeiro, a valorização atingiu 25,5% no Brasil, de acordo com o índice FipeZap. Mas será que ainda há espaço para mais alta? Há quem diga que sim e há quem tenha opinião contrária. Para você tirar suas próprias conclusões, especialistas listaram 5 motivos para que os preços dos imóveis subam este ano – e 5 para que eles caiam (ou fiquem estáveis).
 
Motivos para que os preços subam:
Para o CEO da Vitacon Incorporadora, Alexandre Lafer Frankel, os imóveis devem continuar se valorizando em 2012. Confira as razões apresentadas pelo executivo:
 
  •  Crescimento e estabilidade econômica
    O crescimento da economia brasileira e a estabilidade econômica atingida pelo País nos últimos anos continuarão a ser, na opinião de Frankel, os principais drivers para o aquecimento do mercado imobiliário e o consequente aumento dos preços dos empreendimentos.

  • Queda na taxa de juros
    A queda da Selic (taxa básica de juro) também tende a estimular a economia e aumentar a procura por crédito, fazendo com que os preços dos imóveis continuem em trajetória ascendente.
  • Escassez de terrenos
    Para o executivo, a escassez de terrenos, principalmente nos grandes centros urbanos, deve continuar fazendo com que os imóveis sejam negociados a preços elevados. Isso porque, ao comprarem terrenos cada vez mais escassos, as incorporadoras e construtoras precisam repassar os custos para os compradores, ocasionando uma elevação do preço das unidades lançadas.
  • Capacidade de consumo e crédito
    A ascensão das classes C e D e a capacidade de consumo do brasileiro, aliadas à boa oferta de crédito, continuarão impulsionando o preço dos imóveis para patamares mais elevados em 2012, acredita o executivo.
  • Aumento de preços de mão de obra e materiais
    Por fim, na opinião do CEO da Vitacon, o aumento de preço de mão de obra e dos materias de construção deve ser outro motivo para que o preço dos imóveis suba este ano.

Motivos para os preços caírem (ou ficarem estáveis)
Já o vice-presidente do Ibef (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças) e autor do Livro “Imóveis, Seu Guia Para Fazer da Compra e Venda um Grande Negócio”, Luiz Calado, aponta alguns motivos para que os preços fiquem estáveis ou até mesmo caiam em 2012:

  • Grande oferta de imóveis
    O especialista ressalta que nunca se construiu tantos empreendimentos imobiliários quanto agora. “Hoje já vemos muitos empreendimentos prontos, com vários apartamentos disponíveis para a venda”, diz. Segundo ele, é interessante acompanhar de perto os relatórios anuais das empresas incorporadoras, para ver se o estoque aumentou. “Se aumentou, é sinal de que a demanda diminuiu - ou que construíram mais do que a demanda”, afirma.
  • Os preços já atingiram níveis muito altos
    Calado também aponta que os preços dos imóveis chegaram a um patamar muito alto. “Prova disso é que os brasileiros já começam a achar atrativos os preços nos Estados Unidos”, pontua.
  • Condições de crédito
    De acordo com o especialista, as condições de crédito e limite para uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), de R$ 500 mil, também continuam sendo impeditivos para as pessoas financiarem os imóveis.
  • Demanda menor
    O especialista também ressalta que havia uma demanda reprimida por imóveis, mas não era uma demanda infinita. “Hoje muita gente já comprou o seu imóvel. É claro que sempre vai ter mais gente para comprar, mas o que vimos nos últimos anos foi um “boom”, com todos querendo comprar. Os lançamentos eram vendidos em um final de semana”, exemplifica.
  • Preço mais estabilizado dos terrenos
    O coordenador do curso de Real Estate da Poli/USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), João da Rocha Lima Júnior, também aponta que não há nenhuma razão para que os imóveis continuem subindo este ano. Segundo ele, entre os motivos para que os preços caiam ou permaneçam estáveis, está o fato de que os terrenos, apesar de escassos, estão com preços mais estabilizados. “Hoje há um maior equilíbrio, algo que não acontecia algum tempo atrás. Com muitas empresas disputando poucos terrenos, eles acabaram ficando muito mais caros e inflando o preço dos imóveis”, ressalta.

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quarta-feira, 7 de março de 2012

Desigualdade e pobreza diminuem no Brasil, diz FGV

Apesar da melhoria, o Brasil permanece entre os 12 países mais desiguais do mundo


Por Flávia Villela, da Agencia Brasil

Apesar da crise econômica mundial, que vem se acentuando e aumentando as desigualdades em vários países, no Brasil a pobreza caiu 7,9% entre janeiro de 2011 e janeiro de 2012 e as desigualdades continuam a diminuir. A constatação faz parte da pesquisa De Volta ao País do Futuro, que analisou a nova classe média e foi divulgada hoje (7) pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

O coordenador da pesquisa, Marcelo Neri, lembrou que a queda ocorre em ritmo três vezes maior que o sugerido pelas metas do Milênio das Nações Unidas (ONU). "O Brasil está um pouco na contramão de sua história pregressa e da de outros países emergentes e desenvolvidos. Aqui a desigualdade vem caindo nos últimos 11 anos consecutivos e está caindo com mais rapidez do que antes e hoje estamos no nosso menor nível de desigualdade da série histórica que começa em 1960", destacou.

O estudo mostra que, de janeiro de 2011 a janeiro de 2012, o índice de Gini, que mede a desigualdade numa escala de 0 a 1, caiu 2,1%, passando de 0,53 para 0,51 e que o crescimento da renda familiar per capita média foi 2,7% nos 12 meses estudados.

Neri defendeu que os resultados positivos devem-se às políticas públicas de redução da pobreza e ao fato de os brasileiros terem menos filhos e não deixarem de matriculá-los na na escola. "Educação é o fator mais importante para esse resultado, conforme nossos estudos, e a melhora na educação pode significar uma queda maior ainda."

Apesar da melhoria, o economista lembrou que o Brasil permanece entre os 12 países mais desiguais do mundo. Embora seja a região mais pobre e desigual do país, a renda do Nordeste é a que cresce mais devido a investimento de novas empresas, políticas públicas e empreendimentos estatais entre outros motivos.

Uma parte da pesquisa se arrisca a fazer um cenário prospectivos e prevê que se a desigualdade continuar nesse ritmo de queda, a proporção da chamada classe C, que hoje representa 55,5% da população, deve chegar a 60,1% em 2014. A classe C, de acordo com a definição utilizada pelo estudo, é composta por famílias com renda familiar entre R$ 1.734 e R$ 7.475.

Baseado nessa metodologia, a pesquisa aponta que entre 2003 e 2011, cerca de 40 milhões de pessoas saíram da classe D para a classe C, que conta hoje com mais de 105,4 milhões de brasileiros. Cerca de 22,5 milhões pertencem à classe AB (com salários maiores que R$ 7.475) e cerca de 63,5 milhões estão na classe D e E (com renda inferior a R$ 1.085).

terça-feira, 6 de março de 2012

PIB brasileiro crescerá entre 4% e 4,5% em 2012, estima Mantega

Apesar de o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, ter sido menor do que o esperado pelo governo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, manteve o tom otimista e já prevê, para 2012, um crescimento médio próximo a 4,5%.

"O importante é que começamos 2012 com a economia se aquecendo. Isso pode ser visto pelo desempenho de novembro e dezembro. Essa trajetória continuará no primeiro e no segundo semestre de 2012, e [o crescimento do PIB] será maior do que o do ano passado, atingindo o ápice no segundo semestre de 2012, quando a economia estará crescendo mais de 5%. A média deverá ficar entre 4% e 4,5%", disse Mantega hoje, durante coletiva de imprensa.

Para o ministro, 2011 foi um ano positivo para a economia brasileira, principalmente porque a geração de emprego se manteve em um bom patamar. "Podemos concluir que foi um bom ano, embora o PIB não tinha apresentado um crescimento do tamanho que esperávamos. Apesar de o [índice de] 2,7% de crescimento não ter sido tão alto, o desempenho da economia foi satisfatório porque geramos mais de 2 milhões de empregos", avaliou.

Mantega destacou que os números só não foram melhores porque o governo foi surpreendido pela dimensão da crise econômica internacional. "Não contávamos com o agravamento da crise no segundo semestre. Se ela não tivesse acontecido, nosso crescimento seria mais próximo dos 4% do que dos 3%".

Apesar disso, avalia o ministro, o país colheu bons resultados em relação à inflação. "Ela foi reduzida, e esse era um dos objetivos da equipe econômica."

Segundo Mantega, as condições para o crescimento de 2012 "são positivas e estão dadas". Para isso, o governo estuda uma série de medidas de incentivo à indústria e para a desvalorização do real. "Haverá uma ação mais forte do governo para que esse crescimento se realize, por meio de uma série de estímulos monetários e de redução de juros. O governo preparou um grande programa de investimentos que aumentará ainda mais ao longo do ano", antecipou.

O PIB cresceu 2,7% em 2011, na comparação com o ano anterior, totalizando R$ 4,143 trilhões. Em 2010, o PIB brasileiro havia crescido 7,5%. Em termos proporcionais, o PIB brasileiro apresentou crescimento menor do que a média mundial, que ficou em 3,8%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI),

Sob a ótica da produção, a agropecuária cresceu 3,9%; a indústria, 1,6%; e os serviços, 2,7%. Sob a ótica da demanda, foram registrados crescimentos no consumo das famílias (4,1%), no consumo do governo (1,9%) e na formação bruta de capital fixo, isto é, nos investimentos (4,7%).

Em termos per capita, o PIB teve uma expansão de 1,8% em 2011. Com isso, o PIB per capita alcançou R$ 21.252, em valores correntes. Em 2010, o PIB per capita havia crescido 6,5%. 

Lições de uma guerra cambial

Por Sergio Leo

Ao criar obstáculos à entrada de moeda estrangeira no país, na semana passada, o governo apontou para um dos dois temores despertados em Brasília pelo que o ministro Guido Mantega definiu como "guerra cambial". Atacou-se o receio de que o país seja inundado por dinheiro especulativo, em busca de lucros com a diferença entre o baixo custo do capital no mundo e o alto rendimento pago aos investidores no Brasil. Há dúvidas se essa ação do governo será eficaz. E há ceticismo ainda maior em relação a maneira como se tem enfrentado o outro medo em Brasília, o de invasão de importações baratas, capazes de sufocar a indústria nacional.

Não se pode acusar o governo de não ter uma agenda clara e uma rota definida para lidar com os efeitos colaterais dessa guerra cambial, caracterizada por medidas monetárias nos principais mercados do mundo que, por diferentes caminhos, resultam na desvalorização das moedas desses países, tornando seus produtos e mercados mais competitivos.

A decisão de punir com maior imposto os empréstimos internacionais às exportações partiu da avaliação de que esses financiamentos encobriam a entrada de capital para especular no mercado interno, e antecipam um repertório ainda maior de medidas punitivas e de uma possível aceleração da queda de juros.

Importação é um dos sintomas da perda de competitividade

No caso da política comercial, há integrantes do governo que, em conversas reservadas, assumem que estão dispostos a levantar barreiras a importações mesmo que contrariem compromissos internacionais do país, como as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) - como foi o caso evidente do aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), sobre automóveis importados. Admite-se quebrar as regras com o argumento de que seria ingenuidade respeitá-las quando outros governos as abandonam, e o Brasil, além disso, se defronta com competição desleal turbinada pela desvalorização excessiva dos preços de mercadorias em dólar, euros ou yuan.

As medidas protecionistas, arrumadas na prateleira da defesa comercial, na maioria dos casos, porém, são reação à demanda das empresas instaladas no país. Muitas delas são justificadas e necessárias, como as barreiras a importações com dumping, preço abaixo do normal, ou falsificações, ou ainda a mercadorias subsidiadas ilegalmente pelos seus países de origem. Um sinal de que há racionalidade e não mero protecionismo em muitas das ações nesse campo foi a decisão da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), na semana passada, de mudar as regras de comprovação de norma de origem, para facilitar - e não dificultar - a entrada de mercadorias de países asiáticos que não concedem certificados aos exportadores locais antes do embarque.

Legais ou não, porém, as medidas protecionistas são armadura de pouca resistência. Seu efeito total sobre as importações brasileiras - e, portanto, sobre as contas externas do país - é limitado. Embora tenham garantido a sobrevivência de fabricantes em setores menores, como o de escovas ou de imãs de ferrite, as noventa medidas de defesa comercial dentro das regras da OMC em vigor não chegam perto de 5% dos US$ 255 bilhões de importações registrados no ano passado. E as medidas "criativas" de maior alcance, como o aumento do IPI de automóveis, só mostraram, até agora, como é perigoso improvisar nesse terreno.

O governo, que se prepara para anunciar o novo regime automotivo, com estímulos à instalação de fábricas e criação de pesquisa e desenvolvimento no país, argumenta que os anúncios bilionários de investimento por parte de montadoras estrangeiras, nos últimos meses, são sinal do sucesso do aumento do imposto, em 30 pontos percentuais, decidido no ano passado. Uma afirmação que só pode ser repetida pelos muito governistas ou muito crédulos.

A verdade é que praticamente todos os investimentos dos fabricantes de automóveis já estavam nos planos das empresas, alguns já tinham sido até anunciados. Se o aumento do IPI teve algum efeito foi o de criar incerteza entre esses investidores.

Fala-se no governo em eliminar o aumento do imposto para quem tiver planos de investir no país, mesmo que não cumpra de imediato as exigências de conteúdo nacional - que, aliás, até agora não ganharam definição clara. Na prática, isso significa recuar da decisão sobre o IPI até para montadoras chinesas, que, afinal, também estão vindo fabricar no Brasil. Um outro reconhecimento oficial da inutilidade do aumento do IPI foi o anúncio, pelo Planalto, da possível ruptura do acordo com o México, com o qual o Brasil tem livre comércio de produtos automobilísticos.

Mesmo antes do aumento, a balança comercial já mostrava uma escalada nas importações de automóveis do México que por causa do acordo automotivo, foram isentos do aumento de IPI. E, coerente com seu anúncio de preocupação com o forte influxo de importações, o governo decidiu forçar uma redução nas vendas mexicanas ao país, desta vez para surpresa das montadoras que têm no México um pilar de suas estratégia de produção.

Assim como não quer que o vigor da economia brasileira atraia capitais especulativos tornando o país mais vulnerável aos humores internacionais, a presidente Dilma Rousseff crê que seu projeto de estimular empregos e produção no país a partir das medidas de fortalecimento do mercado interno pode ser sabotado pelo crescimento de importações. É o que explica a pulsão protecionista em Brasília. Mas já há indicações suficientes para mostrar que as importações não são uma doença. São apenas sintoma de uma moléstia de muitas causas, chamada perda de competitividade da economia brasileira.

Venda de imóveis novos em SP cai 21% e é a menor desde 2005

Por TATIANA RESENDE

A venda de imóveis novos residenciais na capital paulista somou 28,3 mil unidades em 2011, com retração de 21,2% ante o ano anterior, de acordo com os dados divulgados nesta terça-feira pelo Secovi (Sindicato da Habitação) de São Paulo. A quantidade é a menor desde 2005 (23,8 mil) e foi a mesma registrada em 2006.

As moradias de dois e três dormitórios responderam por 77% das vendas. "2010 foi um ano de crescimento exuberante. É completamente fora da curva", afirmou Celso Petrucci, economista-chefe da entidade, tentando minimizar o impacto da redução.

Já a quantidade de lançamentos, contabilizada pela Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos sobre o Patrimônio), registrou queda de 1,3% no mesmo comparativo, totalizando 37,7 mil moradias postas à venda no ano passado.

O único crescimento (54%) foi registrado nas unidades de um dormitório, que atingiram 6,6 mil unidades.

Os imóveis com valor acima de R$ 500 mil representaram 18,4% dos lançamentos em 2009, 25,8% em 2010 e chegaram a 28,2% no ano passado, considerando o valor corrigido pelo INCC (Índice Nacional de Custo da Construção).

Vale lembrar que o dinheiro do trabalhador depositado na conta do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) só pode ser utilizado na compra de unidades até esse patamar. Para atrair mais clientes, com o aumento do poder de compra do consumidor, os bancos negociam a elevação desse número com o governo federal.

Venda de imóveis novos residenciais na cidade de São Paulo, em mil unidades

2005 - 23,8
2006 - 28,3
2007 - 36,6
2008 - 32,8
2009 - 35,8
2010 - 35,9
2011 - 28,3




China se prepara para uma era de crescimento mais lento

Por Bob Davis | The Wall Street Journal, de Pequim

Ao reduzir a meta de crescimento da China para 7,5% este ano, o primeiro-ministro Wen Jiabao indicou que a era de expansão voraz do país possa estar chegando ao fim, uma mudança com implicações profundas para economias como a da Austrália e do Brasil, que prosperaram a com a forte demanda chinesa por commodities.

O ajuste sugere que os líderes chineses chegaram a um nível de conforto com relação a um crescimento mais lento e que não pretendem estimular a economia através de grandes investimentos estatais, como o fizeram no passado. Em vez disso, planejam permitir uma mudança há muito recomendada, que afaste o país de uma expansão liderada pelas exportações.

As consequências desta mudança dependem da forma como Pequim vai gerenciar a transição. Os parceiros comerciais da China muito provavelmente serão afetados de diversas maneiras.

Uma desaceleração no ritmo de investimento em infraestrutura, geração de energia e exportações provavelmente implicará um crescimento mais lento nas importações de aço, concreto, petróleo e outras commodities, potencialmente um golpe para Brasil, Austrália, os países produtores de petróleo do Oriente Médio e outros grandes fornecedores de commodities.

"Acreditamos que o superciclo das commodities da China ficou para trás", disse Dong Tao, analista do Credit Suisse.

Mas a mudança também trará novas oportunidades, tanto domesticamente como no exterior.

Uma China que dependa mais do consumo interno talvez polua menos, aliviando preocupações mundiais com o meio-ambiente, e produza mais empregos. A mudança também poderia elevar as importações de software, entretenimento, turismo e bens e serviços de alta tecnologia dos Estados Unidos, Europa e outros países ricos.

"Acelerar a transformação do modelo de desenvolvimento econômico [...] é tanto uma tarefa de longo prazo como a tarefa mais premente no momento", disse o premiê chinês Wen Jiabao ontem, na sessão de abertura do Congresso Nacional do Povo, versão chinesa de um parlamento, que se reúne uma vez a cada ano.

A meta oficial de crescimento da China tem sido fixada em 8% desde setembro de 2005. A meta é, em grande parte, simbólica: durante os últimos sete anos, a economia chinesa tem crescido a uma média anual de 10,9%. No entanto, analistas dizem que a meta de crescimento do PIB de 7,5% para 2012 indica que direção os mais altos funcionários do governo querem dar à economia. O Fundo Monetário Internacional prevê um crescimento de 8,2% este ano para a China.

Em seu último ano como a segunda maior autoridade da China, Wen argumentou que a única alternativa viável para o país é mudar sua fórmula de crescimento, num cenário em que os mercados para suas exportações da Europa, EUA e Japão atravessam um recessão ou crescimento lento.

Wen tem defendido esse argumento de uma forma ou de outra, desde pelo menos 2007, mas a parcela do consumo como porcentual da economia durante esse período caiu. Analistas dizem que a oposição de estatais industriais e os governos das províncias, que se beneficiam do sistema atual, têm impedido a mudança. Também o fez a crise financeira global de 2008 e 2009, quando a China se protegeu da recessão com um enorme programa de estímulo que se baseou em gastos em infraestrutura.

Stephen Green, analista da Standard Chartered, disse que pode haver um apetite renovado por mudança, citando um editorial publicado recentemente no "Diário do Povo", jornal do Partido Comunista, que argumentou que "reformas imperfeitas devem ser preferíveis a uma crise provocada pela ausência de reformas". Um relatório do Banco Mundial e um centro de estudos chinês influente, o Centro de Pesquisa de Desenvolvimento, também defendeu uma mudança nos fundamentos da economia chinesa.

Wen listou uma série de iniciativas, incluindo aumentos do salário mínimo, apoio do governo à expansão do crédito ao consumidor e "novas formas de consumo", como compras on-line e veículos mais econômicos. Ele disse que a China poderia minimizar as exigências de registro para os trabalhadores rurais que migram para as cidades, tornando mais fácil para eles obter empregos melhor remunerados. Wen também disse que a China vai ampliar seus sistemas de de saúde e previdência, o que poderia incentivar as famílias chinesas a gastar mais das suas poupanças.

Em um tom mais político, Wen destacou a necessidade de proteger os direitos dos agricultores à terra em que trabalham e vivem, dizendo que "esses direitos não podem ser violados por ninguém."

A China tem visto uma onda violenta de protestos nos últimos anos relacionada à apreensão de terras por governos locais, que frequentemente oferecem uma indenização simbólica e, em seguida, vendem a propriedade a urbanizadores por preços de mercado. A questão veio à tona no ano passado, quando moradores de Wukan, vilarejo no sul do país, realizaram protestos sobre uma suposta desapropriação de terras, obrigando as autoridades locais a demitir líderes do governo local, congelar os projetos de urbanização e realizar novas eleições.

Um dos líderes da rebelião em Wukan foi eleito como prefeito do vilarejo no fim de semana numa eleição democrática - uma reviravolta impressionante que alguns analistas acreditam que representa exatamente uma possível nova abordagem para a agitação social.

Wen também traçou uma a meta de 4% para o índice de preços ao consumidor em setembro de 2012. Embora essa seja a mesma meta do ano passado, desta vez parece ser um objetivo real e não simbólico. No ano passado, o índice de preços ao consumidor cresceu 5,4%, mas foi diminuindo no segundo semestre. De 2001 a 2010, a média da inflação foi de apenas 2,2%.

Wen listou áreas onde o governo fez progressos, incluindo o controle da inflação e dos disparos nos preços dos imóveis residenciais.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Classe C sustentará aumento de 40% do PIB até 2020

Nova classe média, com renda entre R$ 1,4 mil a R$ 7 mil, será responsável pelo crescimento do país em menos de 10 anos
Agência Estado

Pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostra que a classe média será a principal responsável por sustentar um crescimento acumulado de 40% projetado pela entidade para a economia brasileira até 2020.

O estudo "A evolução da classe média e o seu impacto no varejo", divulgado hoje, chama de classe média as famílias que formam a classe C definida pelas faixas de rendimento da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por esse critério, integram a classe média famílias com renda mensal de R$ 1,4 mil a R$ 7 mil.

A pesquisa prevê que o consumo familiar no Brasil será de R$ 3,53 trilhões em 2020, ante R$ 2,34 trilhões estimados para 2011. O montante representará 65% do Produto Interno Bruto (PIB) do País em 2020. Para a entidade, o crescimento do poder aquisitivo da população ficará mais evidente na classe C, que hoje representa 54% dos brasileiros e possui uma capacidade de consumo de mais de R$ 1 trilhão, o que equivale a 51% de toda a renda das famílias.

A previsão é que já em 2015 a classe média seja responsável pelo consumo equivalente ao das classes A e B somadas. Segundo a pesquisa, o País passa por um forte processo de crescimento do mercado consumidor. Em 2003, as classes A, B e C representavam cerca de 49% das famílias brasileiras e atualmente essa proporção chega a 61%. "Em 2003, menos da metade dos brasileiros se encontrava em um patamar médio de consumo, enquanto hoje quase dois terços da população já alcançou esse patamar", afirma o estudo. "O Brasil de 2020 será um dos maiores mercados consumidores e uma das maiores economias globais."

A renda per capita da população, que em 2010 era de R$ 19.342, deve crescer 30% nas classes A (rendimento mensal acima de R$ 11 mil) e B (entre R$ 7 mil e R$ 11 mil) e 50% nas demais. Entre 2002 e 2010, a taxa de desemprego passou de 11,7% para 6,7%, de acordo com o estudo. A massa real de salários aumentou em torno de 30% no mesmo período.

"O Brasil tornou-se uma economia de classe média com renda maior e mais bem distribuída e ainda contará com o processo de inclusão de pessoas de faixas de renda mais baixas no mercado de consumo por mais essa década, ao menos", afirma a entidade.

As condições socioeconômicas verificadas nos últimos anos têm mudado, conforme a FecomercioSP, o perfil de consumo da população. "O consumidor brasileiro, que já evoluiu do consumo básico para um patamar mais sofisticado, vai demandar cada vez mais serviços e produtos de alta qualidade", prevê a pesquisa. Exemplo disso, segundo o estudo, é o gasto médio com alimentação fora do domicílio - que em 2003 era de R$ 114,59 por mês e passou para R$ 145,59 em 2009, aumento de 26,6%. Os gastos mensais médios com telefonia celular subiram 63,3% entre 2003 e 2009, passando de R$ 17,68 para R$ 28,93.

De acordo com a entidade, o comércio varejista foi um dos setores privilegiados com a mudança dos padrões sociais da população. O crescimento médio do varejo foi de 9% ao ano de 2004 a 2010, um aumento real de 82% nas vendas no período. "Em sete anos, o comércio varejista quase dobrou de tamanho", afirma a FecomercioSP.

População

A pesquisa projeta que, em 2020, o País terá aproximadamente 207 milhões de habitantes. A população economicamente ativa, atualmente de 130 milhões, deve atingir 145 milhões de brasileiros, o que representa um incremento de mais de 10% na força de trabalho potencial no fim da década.

Para a entidade, entretanto, o principal desafio do Brasil para os próximos dez anos é lidar com as consequências provocadas pelo envelhecimento da população. "Se a última década foi do fortalecimento e crescimento da classe média, esta será focada no entendimento dos riscos e oportunidades envolvidos no envelhecimento da população", observa o estudo.

O total de pessoas com mais de 60 anos deve pular de 18 milhões para 26 milhões em 2020. Para a entidade, com o aumento da qualidade e da expectativa de vida, muitas pessoas com idade superior a 60 anos irão permanecer no mercado de trabalho.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

China: Líder Global?

Marcos Troyjo
Diretor do BRICLab da Columbia University e professor do IBMEC
Brasil Econômico
 

Como se dará o desdobramento da ascensão da China no cenário global? Será que além de motor do crescimento mundial a China também deseja exercer maior liderança? Ser vista como única potência de dimensão semelhante aos Estados Unidos?

 

Muitos analistas rapidamente decretam que o impressionante crescimento econômico chinês delineia uma nova ordem global em que a China será a potência preponderante. Existem, no entanto, graves falhas nessa maneira de ver o desenrolar das relações internacionais nos próximos 50 anos.

 

Historicamente, como bem exemplifica Henry Kissinger em seu On China, líderes chineses sempre enxergaram sua cultura como intrinsicamente superior.  O modelo chinês de império se caracterizou ao longo tempo não pela expansão de sua cultura, mas pela absorção de outras culturas, localizadas em seu entorno geopolítico, à visão de mundo chinesa. O fechamento a outras culturas incutiu na alma e na arquitetura chinesas marcas perceptíveis.

 

Vêm à mente o hermetismo da Cidade Proibida ou mesmo a Grande Muralha, monumentos ao isolacionismo chinês. 

           

É curioso constatar que a recente ascensão da China se dá como notável exceção a seu paradigma histórico de insularidade. Por conta de uma "externalidade geopolítica" dos anos 1970 – a necessidade dos EUA de rachar a viga-mestra do comunismo mediante a promoção do cisma sino-soviético – os benefícios econômicos estendidos à China a reconfiguraram como potência exportadora. O êxito da China resulta portanto de uma "mudança de DNA"; de ter seu crescimento voltado para fora.

 

A ideia de "liderança global" é um experimento a que as autoridades chinesas ainda não decidiram se lançar. A extroversão da China em outros campos que não o da economia é obra difícil. Na arena política global, a visão chinesa tem sido de "crítica parcial", não necessariamente de oposição a de um sistema protagonizado pelos EUA. A razão é simples. A geopolítica dos últimos 30 anos, em que a China é menos um ator e mais um espectador, criou ambiente propício à continuada prosperidade chinesa.

 

A China talvez seja o país que menos contribuiu para as operações de paz da ONU dentre os países-membros do Conselho de Segurança. É também o que mais oferece resistência a movimentos de reforma do Conselho, particularmente ao aumento do número de membros-permanentes. Liderança global, hipótese em que a China teria de assumir mais responsabilidades no campo da paz e segurança, é um luxo bastante caro. Ao passo que em 2011 cada cidadão dos EUA dispendeu US$ 1.700 com defesa, cada chinês gastou apenas US$ 65.

 

É improvável que a China deseje financiar sua condição de líder global. Tal status é incompatível com o modelo de crescimento adotado até o presente por Pequim. Ademais, embora muitas nações flertem com a experiência chinesa de crescimento econômico, é impossível reproduzi-la como modelo "adaptável" a diferentes realidades socioeconômicas.

 

E há também limitações em termos de "soft power". Se liderança tem que ver com o plano dos valores, que projeto a China tem a oferecer ao mundo?

 

Dificilmente pode-se pensar a China como "role model", um exemplo a ser seguido, ou mesmo imaginar um "Sonho Chinês" a inspirar indivíduos ou países das mais variadas culturas.

Seis categorias de ações

Fonte: CHR Investor

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O que você espera do ativo que acabou de comprar? Uma valorização de 500% mesmo que tenha que ficar posicionado 2 anos ou apenas um retorno de 3% em 2 dias?

Talvez estas perguntas pareçam banais para os mais ansiosos mas elas são fundamentais para que se possa definir os objetivos de um investimento. Principalmente, se pensarmos que existem empresas de diversos tamanhos na bolsa.

O tamanho de uma empresa tem muito a ver com aquilo que você pode esperar em relação a ação. Ou você acredita que uma Petrobras ou uma Vale possa se valorizar 500% em 2 anos? Muito difícil, para não dizer quase impossível.

Normalmente, as grandes empresas não têm grandes variações de preços de ações. Os grandes movimentos de cotações são mais comuns em empresas menores.

Esse exemplo tem o intuito de mostrar que antes de se fazer qualquer investimento é fundamental que definamos o tipo de empresa que estamos analisando. Desta forma, adequando os ensinamentos de Peter Lynch ao mercado brasileiro, listei abaixo as seis categorias que servirão de guia para o investidor:

Ações de crescimento lentoEmpresas que tem um crescimento da receita e dos lucros bem próximo do crescimento do PIB do país onde estão sediadas. Muitas vezes, são empresas que já passaram por períodos de crescimento acelerado e agora seja em razão de terem ido o mais longe possível, seja pelas limitações impostas pelo mercado em que atuam, reduziram o ritmo. Um sinal definitivo destas ações é que elas são boas pagadoras de dividendos. As ações das empresas dos chamados setores defensivos (elétrico, telefonia, saneamento,etc) são um bom exemplo de ações de crescimento lento.

Ações de crescimento rápido -  Normalmente são ações de empresas menores e que crescem acima de 20% ao ano. Podemos encontrar estas empresas em quase todos os setores. Aliás é bom frisar, que nem sempre o crescimento rápido de uma empresa está relacionado ao crescimento rápido do setor em que ela atua. Uma boa administração e um programa de investimento eficiente pode propiciar resultados excelentes bem acima da média do setor.

Mas lembrem-se: como tudo no mercado financeiro, uma expectativa de maior rentabilidade normalmente é acompanhada de um nível de risco maior. Empresas menores possuem menor liquidez e necessitam de um bom financiamento para continuarem a atender as expectativas dos acionistas. Caso contrário, elas perecem e passam a fazer parte da primeira categoria.

Peter Lynch sempre salientou que as "empresas de rápido crescimento são as grandes vencedoras do mercado de ações". Possuir apenas uma empresa destas no portfólio pode fazer toda a diferença na rentabilidade final da carteira.

Ações Cíclicas – São ações de empresas que variam de tendência dependendo do ciclo que se encontram. Empresas dos setores siderúrgico, aéreo e de commodities podem fazer parte desta categoria. Quando assumem uma tendência, se movimentam com rapidez. Neste caso, o "momentum" é essencial nas ações cíclicas, e você deve ser capaz de identificar os primeiros sinais de que o negócio está perdendo ou ganhando ritmo.

Muitas vezes a movimentação abrupta deste tipo de ação traz fortes prejuízos para o investidor desavisado. Esta categoria, via de regra, é composta por empresas grandes e sólidas, que o investidor trata como seguras. Quando a ação começa a cair forte não significa que a cia esteja passando por alguma dificuldade, mas apenas se ajustando dentro do novo ciclo em curso.

Ações confiáveis – São ações de empresas tradicionais, com receitas bilionárias e que crescem entre 10% e 15% ao ano. Você não encontrará grandes variações nos gráficos das ações desta categoria.

Ações confiáveis devem fazer parte de todo e qualquer tipo de portfólio. Elas serão responsáveis pela estabilidade da carteira. São empresas que você tem certeza (ou quase…) que não irão a falência.

Não espere que a ação confiável que você escolheu lhe propicie um retorno bem acima da média do mercado; isso não irá acontecer. Mas sem dúvida, lhe permitirá passar momentos menos tensos quando a volatilidade do mercado disparar em uma correção mais intensa.

Ações em recuperação – Estas ações são de empresas que praticamente não crescem. São potenciais fatalidades. Sem dúvida, elas representam um risco alto, mas ao mesmo tempo podem propiciar um retorno bem acima do "benchmark". A melhor coisa em investir em ações em recuperação bem sucedidas é que, de todas as categorias de ações, suas altas e baixas estão menos relacionadas ao mercado em geral.

Não é fácil encontrar uma boa ação desta categoria. É preciso estudar e acompanhar a empresa de perto. Normalmente investidores que trabalham na própria empresa ou no setor ("insider trading") levam uma boa vantagem.

Ações com ativos ocultos – São ações que possuem algum ativo valioso em seu balanço mas que ainda não foi identificado pelo mercado. Estas ações, sem dúvida, são as mais difíceis de serem encontradas. Isso porque, hoje em dia, com tanta informação correndo pelas mídias financeiras, encontrar alguma oportunidade que tenha passado por este filtro é muito difícil. Além disso, encontrando este tipo de ação é preciso ter muita paciência, afinal de contas, pode demorar um bom tempo, até que o mercado reconheça a distorção existente.

Um pré-requisito básico para encontrar este tipo de ação é ter familiaridade com os balanços contábeis das cias.

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Como já citei acima, as ações não permanecem "ad eternum" na mesma categoria. Ações de crescimento rápido, por exemplo,  não podem manter um crescimento acima de 20% para sempre, e cedo ou tarde, acabam cedendo e se acomodam em níveis de crescimento correspondente a ações de crescimento lento e a ações confiáveis.

Além disso, algumas ações podem pertencer a mais de uma categoria.

Em resumo, este artigo tem o intuito de fornecer ferramentas para que você saiba identificar quando as tuas expectativas não correspondem com o perfil da empresa que você pretende investir.

Se antes de fazer qualquer investimento você souber em que categoria se encontra a ação que está analisando, sem dúvida, poderá traçar uma estratégia que esteja amparada em objetivos mais realistas.

Como escreveu Peter Lynch, "distribuir as ações por categorias é o primeiro passo na análise da sua história. Pelo menos agora você sabe que tipo de história deve ser. O próximo passo é preencher as lacunas que o ajudarão a adivinhar como será o desenvolvimento dessa história".

Sete passos para um plano de contingência

Nuno Fernandes, professor de finanças do IMDA 

Em cinco de dezembro, a Standard & Poor's alertou sobre um possível rebaixamento de nota em massa para 15 países da zona euro, incluindo seis com nota AAA (Alemanha, França, Áustria, Holanda, Finlândia e Luxemburgo). Isto seria impensável apenas um ano atrás.
 
Acredito que o euro sobreviverá e não haverá grandes transtornos nos próximos meses. Até vejo uma provável resolução, em janeiro de 2012, das incertezas atuais; contendo medidas de curto prazo (como uma garantia maciça ou provisão de liquidez pelo Banco Central Europeu) e de médio prazo (como uma consolidação fiscal e iniciativas de competitividade).
 
No entanto, líderes empresariais precisam saber que há uma ameaça real do colapso do euro, em que vários países da zona euro voltariam às suas antigas moedas (o tal risco da redenominação). Alguns gestores preferem ignorar esse problema e dizer que não têm plano de contingência se houver colapso, o que é simplesmente má gestão de risco. Mesmo se a falência for improvável, as consequências podem ser gravíssimas.
 
Vimos isso recentemente. Muitas diretorias e empresas foram pegas de surpresa pelo colapso do Lehman Brothers e o congelamento dos mercados de crédito, o que precipitou uma recessão em todo o hemisfério ocidental.
 
Empresas devem blindar seus acionistas para que não sejam negativamente surpreendidos por uma crise ameaçadora. Elas não devem ignorar os piores cenários possíveis que, apesar de improváveis, podem ser devastadores. Sendo você um gerente sênior, quais medidas deve tomar para se preparar para um possível colapso do euro?
 
No mínimo, você tem de analisar as consequências jurídicas de um colapso da zona euro para contratos comerciais transfronteiriços. No geral, o impacto não seria extremamente negativo, já que algumas empresas se beneficiariam de 'hedges naturais'.
 
Além dos impactos diretos, as empresas deveriam considerar diversas outras implicações do risco de redenominação. Devem tomar medidas para controlar não somente as exposições diretas, mas também as indiretas, e não devem apostar todas as fichas em uma única ação.
 
 
Eu recomendaria os seguintes sete passos como base de um planejamento de contingência seguro:
 
 
1) Lidando com a crise da liquidez. Empréstimos entre bancos caíram bastante este ano e um colapso do euro deixaria a liquidez ainda mais pressionada. A questão é se a crise de crédito se espalhará para além da Europa. Você há de considerar os balanços ao redor do mundo - está preparado para financiar suas operações para os próximos 12 meses, sem ter acesso a crédito bancário ou mercados de títulos? Muitos de seus empréstimos e títulos também podem ser ligados à avaliação de sua empresa, ou mesmo para a nota soberana do país de sua empresa. Você consegue sustentar o financiamento ininterrupto de suas operações caso essas ligações sejam interrompidas?
 
2) Foque em investimentos que podem protegê-lo na crise. Algumas empresas estão mais bem posicionadas do que outras - se você gerar mais da metade de suas vendas fora da Europa, por exemplo em mercados emergentes, estará mais seguro. Tenha planos de contingência que permitam centrar-se em seu core business e minimizar desvios. Lembre-se: quando todo mundo está vendendo, não é hora para ser vendedor!
 
3) Certifique-se de que tem um balanço patrimonial forte e gerencie vencimentos de sua dívida. Se você tiver que rolar uma quantidade substancial de dívida nos próximos meses, quais medidas deve tomar se houver um agravamento econômico, levando a um congelamento completo dos mercados de crédito?
 
Você deve garantir um fluxo ininterrupto de fundos para continuar suas operações.
 
4) Gerencie a exposição ao câmbio. Se você for exportador para a zona euro, quais procedimentos têm para lidar com a incerteza cambial? Reconsidere programas hedge de moeda. Com países abandonando o euro, veremos desvalorizações maciças (30% a 60%), resultando em produtos importados caríssimos. Se não fizer nada, pode significar que seus lucros, quando convertidos em moeda comum, podem cair consideravelmente. No entanto, muito cuidado com o hedging do mercado de derivados. Grande parte do mercado de CDS provavelmente não servirá como hedge. De fato, após o recente corte de 50% sobre a dívida grega, debenturistas ainda reclamam que é um "evento de crédito" que deve levar ao pagamento nos termos do contrato CDS. A questão ainda não está resolvida, mas infelizmente há pressões políticas para acabar com a validade do CDS como ferramenta de crédito/cobertura.
 
5) Incorpore a reconversão de moedas em seu planejamento estratégico. Para exportadores, isso tem implicações enormes no balanço. Esperar o melhor não é mais viável. O que você vai fazer se houver uma desvalorização maciça (em relação ao dólar, libra, franco suíço ou iene) das moedas (re)adotadas pelos países da zona periférica depois de abandonar o euro? Seus sistemas de pagamento estão prontos para uma mudança de moeda no faturamento e, consequentemente, alterações nos fluxos de caixa?
 
6) Cuidado com a cadeia de suprimentos. Pequenas empresas podem sofrer desproporcionalmente se dependerem de exportações para o continente europeu. Atenção também às finanças de seus fornecedores e, quando possível, tente trabalhar com eles em oportunidades que seriam boas para ambos.
 
7) Avalie como uma recessão prolongada na Europa afetaria seu balanço. Certifique-se de alocar reservas de caixa em investimentos seguros e de controlar gastos não essenciais. Considere também uma economia fraca e restrições sobre os gastos dos consumidores que possam resultar da crise. Padrões de consumo não serão mais os mesmos.
 
Uma boa gestão de risco significa antecipar cenários improváveis. As chances de um colapso europeu são pequenas, no entanto, as consequências podem ser devastadoras, e você não quer ser pego de surpresa.