Mostrando postagens com marcador Geral. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Geral. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de junho de 2011

A hierarquia de necessidades de Maslow – O que é e como funciona

 Por Gustavo Periard, blog Sobre Administração

A famosa hierarquia de necessidades de Maslow, proposta pelo psicólogo americano Abraham H. Maslow, baseia-se na idéia de que cada ser humano esforça-se muito para satisfazer suas necessidades pessoais e profissionais. É um esquema que apresenta uma divisão hierárquica em que as necessidades consideradas de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto. Segundo esta teoria, cada indivíduo tem de realizar uma “escalada” hierárquica de necessidades para atingir a sua plena auto-realização.

A hierarquia de necessidades de Maslow

Para tanto, Maslow definiu uma série de cinco necessidades do ser, dispostas na pirâmide abaixo e explicadas uma a uma a seguir:



Onde existem as necessidades primárias (básicas) que são as fisiológicas e as de segurança e as necessidades secundárias, que são as sociais, estima e auto-realização. Abaixo a explicação de cada uma delas:

1 – Necessidades fisiológicas: São aquelas que relacionam-se com o ser humano como ser biológico. São as mais importantes: necessidades de manter-se vivo, de respirar, de comer, de descansar, beber, dormir, ter relações sexuais, etc.

No trabalho: Necessidade de horários flexíveis, conforto físico, intervalos de trabalho etc.

2 – Necessidades de segurança: São aquelas que estão vinculadas com as necessidades de sentir-se seguros: sem perigo, em ordem, com segurança, de conservar o emprego etc. No trabalho: emprego estável, plano de saúde, seguro de vida etc.

No trabalho: Necessidade de estabilidade no emprego, boa remuneração, condições seguras de trabalho etc.

3 – Necessidades sociais: São necessidades de manter relações humanas com harmonia: sentir-se parte de um grupo, ser membro de um clube, receber carinho e afeto dos familiares, amigos e pessoas do sexo oposto.

No trabalho: Necessidade de conquistar amizades, manter boas relações, ter superiores gentis etc.

4 – Necessidades de estima: Existem dois tipos: o reconhecimento das nossas capacidades por nós mesmos e o reconhecimento dos outros da nossa capacidade de adequação. Em geral é a necessidade de sentir-se digno, respeitado por si e pelos outros, com prestígio e reconhecimento, poder, orgulho etc. Incluem-se também as necessidades de auto-estima.

No trabalho: Responsabilidade pelos resultados, reconhecimento por todos, promoções ao longo da carreira, feedback etc.

5 – Necessidades de auto-realização: Também conhecidas como necessidades de crescimento. Incluem a realização, aproveitar todo o potencial próprio, ser aquilo que se pode ser, fazer o que a pessoa gosta e é capaz de conseguir. Relaciona-se com as necessidades de estima: a autonomia, a independência e o auto controle.

No trabalho: Desafios no trabalho, necessidade de influenciar nas decisões, autonomia etc.

Aspectos a se considerar sobre a hierarquia de necessidades de Maslow

- Para alcançar uma nova etapa, a anterior deve estar satisfeita, ao menos parcialmente. Isto se dá uma vez que, quando uma etapa está satisfeita ela deixa de ser o elemento motivador do comportamento do ser, fazendo com que outra necessidade tenha destaque como motivação.

- Os 4 primeiros níveis destas necessidades podem ser satisfeitos por aspectos extrínsecos (externos) ao ser humano, e não apenas por sua vontade.

- Importante! A necessidade de auto-realização nunca é saciada, ou seja, quanto mais se sacia, mais a necessidade aumenta.

- Acredita-se que as necessidades fisiológicas já nascem com o indivíduo. As outras mostradas no esquema acima se adquirem com o tempo.

- As necessidades primárias, ou básicas, se satisfazem mais rapidamente que as necessidades secundárias, ou superiores.

- O indivíduo será sempre motivado pelas necessidades que se apresentarem mais importantes para ele.

Críticas à teoria das necessidades de Maslow

Com em toda teoria, há sempre aqueles que não concordam com ela em parte ou totalmente. Os críticos desta teoria afirmam que nem todas as pessoas são iguais e, por isso, um aspecto que se mostra como uma necessidade para uma pessoa, pode não ser para outra. Outras críticas dão conta de que esta teoria analisa o desenvolvimento das pessoas, mas não considera em nenhum momento o incentivo dado pela organização.

Há quem diga, também, que Maslow contemplou as necessidades do indivíduo em uma ordem muito rígida, sem a possibilidade de inversão ou troca de necessidades. Mas nenhuma destas críticas descaracterizam a teoria ou a tornam menos atual que as demais, apenas nascem de algumas confusões que são feitas com a definição de “necessidade”, muitas vezes confundida com “desejo” ou “vontade”.

Outras necessidades adicionais

Dentre muitos estudos e análises, Maslow identificou duas necessidades adicionais à pirâmide de necessidades já criada. Estas novas descobertas que davam conta das pessoas que já possuíam todas as necessidades satisfeitas (pouquíssimas pessoas) foram chamadas de cognitivas. São elas:

- Necessidade de conhecer e entender: Está relacionada com os desejos do indivíduo de conhecer e entender o mundo ao seu redor, as pessoas e a natureza.

- Necessidade de satisfação estética: Está relacionada às necessidades de beleza, simetria e arte em geral. Ligada à necessidade que o ser humano tem de estar sempre belo e em harmonia com os padrões de beleza vigente.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Triplicar acessos à internet banda larga custará R$ 150 bilhões

Segundo a consultoria LCA, para expandir o número ce acessos à internet, de 40,9 milhões para 153,6 milhões, Governo e iniciativa privada precisam dispender R$ 144,6 bilhões

Até 2020, o Brasil poderá aumentar o número de acesos à internet  por banda larga dos atuais 40,9 milhões para 153,6 milhões. Mas vai custar caro. O governo e a iniciativa privada teriam que investir R$ 144,6 bilhões em infraestrutura e equipamentos para ampliar, principalmente, as redes de banda larga nas áreas mais remotas. Os números constam de um estudo feito pela consultoria LCA, encomendado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil) e apresentado hoje (2) no 55º Painel Telebrasil, promovido pela Associação Brasileira de Telecomunicações.

Segundo o estudo, em 2020, 87,2% das conexões em banda larga fixa e móvel terão velocidade acima de 12 megabits por segundo (Mbps). Hoje, a velocidade média de conexão é de1,7 Mbps, com a maior parte dos acessos concentrada na faixa até 2 Mbps. A taxa de penetração da banda larga, que hoje é 21,5%, poderá passar para 74,2% da população em 2020.

Todas essas evoluções levam em conta a adoção de medidas necessárias à expansão da internet rápida no Brasil, por empresas privadas e pelo governo, como incentivos fiscais, aplicação de fundos setoriais e disponibilização de faixas de frequência.

(Agência Brasil)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Brasil perde seis posições e aparece menos competitivo em ranking global

País agora é o 44º na lista que é liderada por Hong Kong e EUA

www.administradores.com.br


De acordo com o Índice de Competitividade Mundial 2011 (World Competitiveness Yearbook), desenvolvido pelo International Institute for Management Development (IMD), em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), o Brasil está menos competitivo. A análise mostra que, na comparação com o último levantamento, o Brasil rompeu a linha de crescimento que o acompanhava desde 2007, perdendo seis posições relativas e voltando a ocupar a 44ª posição no ranking geral, liderado por Hong Kong e Estados Unidos.


Dos 20 subfatores analisados pelo relatório, quatro se destacaram, sendo dois pontos positivos e de avanço para o Brasil (Mercado de Trabalho e Investimento Internacional) e os outros dois negativos e de retrocesso das condições competitivas nacionais (Produtividade e Eficiência e Preços).


O subfator Investimento Internacional foi um dos pilares que mais avançou. No relatório de 2010, o país ocupava a 42ª posição e hoje saltou 23 posições e ocupa a 19ª. Os investimentos brasileiros realizados no exterior foram de US$ 11,5 bilhões, levando o país a saltar da 57ª para 25ª posição. Os subfatores Emprego e Mercado de trabalho também ganharam posições. Emprego saltou da 16ª colocação, no ano passado, para a 11ª em 2011. Já Mercado de Trabalho ficou com a 9ª posição no ranking, representando um ganho de 24 posições.


Na contramão desses avanços para a competitividade nacional está a perda de 12 posições no subfator Preços, ocupando em 2011 a 51ª posição. Já o subfator Produtividade e Eficiência, que historicamente apresenta bom desempenho no estudo, perdeu 24 posições, passando a ocupar o 52º lugar.


"O relatório de competitividade em 2011 trás sinais alertas para a estabilidade macroeconômica. A continuidade do crescimento econômico nacional dependerá do comportamento da economia brasileira frente aos desafios do câmbio, do crédito, dos ativos e da produção", aponta Carlos Arruda, professor da FDC responsável pela captação e avaliação dos dados brasileiros do estudo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Calma com a festa na China

Por Alberto Tamer, O Estado de São Paulo

Há alegria nas relações comerciais entre Brasil e China. Promessas de investimentos de todos os lados e importação de produtos industrializados: US$ 1 bilhão, só em compra de aviões da Embraer. O gaiato presidente da Foxconn, maior fabricante mundial de eletrônicos, Terry Gou, nem corou ao informar à presidente que a empresa vai investir nada menos que US$12 bilhões na construção de uma fábrica no Brasil. Não parou aí, disse que vai contratar, acreditem, 100 mil empregados, dos quais 20 mil engenheiros, e criar uma cidade virtual! Isso, quando todo o setor eletroeletrônico, no País, emprega hoje 178 mil pessoas. Conversa fiada. Ninguém acreditou, mas o anúncio fantasioso virou manchete dos jornais.

Somando tudo o que se anunciou e prometeu em Pequim, os novos investimentos chineses (a Foxconn é taiwanesa, mas fabrica na China e em mais outros países) chegariam perto de US$ 13 bilhões. E vem mais...

É bom lembrar que a Foxconn é aquela empresa em que trabalhadores se suicidaram, atirando-se dos últimos andares da fábrica por causa de péssimas condições de trabalho. Depois, dobrou os salários e contratou monges budistas para "espantar o azar". Quem será que vão contratar aqui?

É tanto dinheiro que o Banco Central vai ter de administrar mais essa avalanche de dólares. Mas não precisa se preocupar, não, pois tudo isso está apenas no item "promessas". Os US$ 12 bilhões da Foxconn não devem passar de US$ 3 bilhões, se tanto, e quanto aos aviões da Embraer é preciso primeiro ver o passado para acreditar no presente.

Uma história muito triste. A empresa brasileira foi para a China, associou-se à estatal Avic (dizem que não é, mas é), que era social, mas competidora e transferiu tecnologia. A China passou a fabricar seus próprios aviões e bloqueou a Embraer. Sim, a tal ponto que estava prestes a fechar sua fábrica. Jogo sujo? Não. Ingenuidade nossa e esperteza deles que agem assim em todas as áreas. E agora, por grande pressão do governo brasileiro, a China promete comprar aviões da Embraer, ressuscitando a fábrica local. Há mercado para todos. Está tudo lá, na "carta de intenções..."

Será? Aqui, há dúvidas, muitas dúvidas. A correspondente, Claudia Trevisan e a enviada do Estado a Pequim, Vera Rosa, mostram que nem tudo é bem como parece. Para produzir aviões lá, a Embraer vai ter de importar componentes. E para cada item, haverá, como agora, todo um processo burocrático com a lentidão ditada pelos chineses. E eles são mestres em defender sua indústria e proteger seu mercado.

O caso Embraer é importante, pois trata-se do único produto de valor agregado que o Brasil pode exportar para a China. Nos outros, não temos competitividade nem mesmo para nos defender da invasão chinesa no mercado interno.

A viagem foi um êxito. Não há dúvida que a viagem à China da presidente brasileira e mais de 300 empresários foi um êxito. Na nova diplomacia brasileira de falar menos e obter mais resultados. Mas é preciso separar promessas dos fatos. Agora é seguir passo a passo e cobrar resultados.

Petróleo acima de tudo. Que ninguém se iluda. Ao lado do minério de ferro, a China quer mesmo é o petróleo do pré-sal. De acordo com a Petrobrás, os EUA e a China vão absorver em dois ou três anos quase todo o petróleo excedente do pré-sal.

Aqui, o perigo. Existe, sim, e é grave. Atentem para isto: "o petróleo não cria riqueza onde é extraído, mas onde é refinado e consumido". O que a China, os EUA e outros querem é o petróleo bruto - que sai dos poços em volume controlado por computadores - para refiná-lo e consumi-lo em seus países. A Petrobrás tem até refinarias lá fora para isso.

A presidente Dilma Rousseff já afirmou que o Brasil precisa refinar e exportar mais derivados e menos petróleo. Só que os nossos consumidores também querem isso. E estão conseguindo até agora porque há décadas não se constrói refinarias no País e as poucas existentes são para operar com petróleo leve que só agora - depois de 50 anos!!!! - a Petrobrás descobriu no pré-sal.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Após "euforia", Brasil endurece relação com China, dizem analistas

João Fellet

Apesar das vendas recordes de produtos brasileiros para a China e das declarações em que enaltece sua “parceria estratégica” com o país asiático, o governo brasileiro tem nos últimos anos se posicionado de forma mais crítica em relação a políticas chinesas, afirmam analistas consultados pela BBC Brasil.

A nova postura, expressa em críticas recentes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à desvalorização do yuan (a moeda da China) e à atuação de empresas chinesas no exterior, reflete a insatisfação do governo com desequilíbrios no comércio com Pequim e a busca por firmar-se como um concorrente dos chineses em mercados estrangeiros.

Alexandre Ratsuo Uehara, doutor em ciências políticas e coordenador do curso de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco, diz que o governo começou a mudar o tom na relação com a China no segundo mandato de Lula.

Segundo ele, a mudança ocorreu porque o Brasil passou a se sentir prejudicado nas transações comerciais, já que a importação de produtos industrializados chineses cresceu mas o país continuou a vender sobretudo commodities para a China.

Ele também atribui a nova atitude à recusa chinesa em apoiar o pleito brasileiro por uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU e a decisões políticas que desagradaram o Brasil – entre elas, a suspensão de importações de soja brasileira em 2004, ordenada dias antes de uma visita do presidente Lula a Pequim. À época, a China disse que a suspensão se deveu à contaminação do produto por fungicidas.

“Percebemos que o Brasil amadureceu um pouco na relação e vem a colocando num patamar mais consciente”, diz Uehara, para quem a postura atual contrasta com a “euforia” no início do governo Lula.

Economia de mercado

O professor afirma ainda que o Planalto se decepcionou com a não realização de promessas de investimento no Brasil feitas pela China e cita como último indicador da nova posição a declaração do ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, de que a concessão do status de economia de mercado à China não seria discutido na viagem da presidente Dilma Rousseff ao país, neste mês.

Antiga demanda de Pequim, o reconhecimento dificultaria a imposição, pelo Brasil, de medidas antidumping contra produtos chineses – previstas quando os bens importados são vendidos a preço abaixo do custo ou do preço no mercado de origem.

Nos últimos meses, porém, segundo jornais brasileiros, Dilma indicou que pretende agilizar a concessão de medidas antidumping, conceder salvaguardas a setores sob risco e impor barreiras técnicas à entrada de produtos chineses.

Para Sérgio Amaral, presidente do Conselho Empresarial Brasil-China, “até algum tempo, havia receio de ministérios e do Itamaraty de que essas medidas pudessem ferir susceptibilidades e deteriorar relações com os chineses, mas isso já não se justifica”.

Amaral, que é diplomata e foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no governo FHC, diz que é “natural e necessário que governo se posicione diante dessas questões e inicie processo de negociação” que leve em conta as restrições impostas pelos chineses à importação de bens industrializados brasileiros.

Segundo ele, ainda que a China tenha um poder de barganha maior na negociação, o Brasil deve se valer de sua importância para o setor siderúrgico chinês – dado que é seu maior vendedor de minério de ferro – e de sua abundância de alimentos, setor em que os chineses não são autossuficientes.

‘Encapsular divergências’

Já para Luís Antonio Paulino, professor de relações internacionais da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e diretor do Insituto Confúcio (órgão presente em vários países e ligado ao governo chinês que visa divulgar a cultura e a língua do país), o governo brasileiro deve agir para “encapsular divergências” que possam surgir a partir de disputas comerciais entre as nações.

“Quanto mais se intensifica a relação, mais há possibilidade de abrir contenciosos. Mas eles não podem contaminar as relações entre os governos, que devem tratar de interesses maiores”, diz.

Paulino afirma ainda que, embora possa haver “pequenos ajustes em relação a questões específicas”, a relação entre os dois países deve evoluir.

“Nas relações entre nações, não existe amizade, existem interesses. E há interesses de ambos os lados que justificam uma maior aproximação”, diz, citando a importância das commodities brasileiras para a China e o desejo brasileiro de receber investimentos chineses.

Competição

Ainda que interesses brasileiros e chineses ensejem uma evolução no comércio bilateral, os dois países tendem a se posicionar em campos opostos na disputa por outros mercados.

No ano passado, durante visita à Tanzânia, Lula criticou práticas de empresas chinesas na África.

“Nada contra os meus amigos chineses. (...) Mas a verdade é que, às vezes, eles ganham uma mina e trazem todos os chineses para trabalhar naquela mina. E ficam sem gerar oportunidade de trabalho para os trabalhadores do país”, disse ele.

Segundo Alexandre Ratsuo Uehara, a fala do ex-presidente indica “mais do que uma ambição de competir com a China, mas uma necessidade”.

Ele diz que o Brasil está perdendo mercados estrangeiros para a China tanto em produtos como em serviços (como o de empreiteiras ou mineradoras) e que tem sua hegemonia econômica ameaçada na própria vizinhança.

“Com os crescentes investimentos chineses em países latino-americanos, o Brasil deve perder ainda mais espaço”, afirma.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

FMI alerta para 'escassez crescente' de petróleo

Por Renato Martins

O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que os governos devem se preparar para uma "escassez crescente" de petróleo nos mercados globais e para picos agudos de preços nos próximos anos. Para o FMI, embora o efeito da escassez de petróleo possa ser apenas um "freio menor" para a expansão da economia global no médio e no longo prazo, "esses efeitos benignos no crescimento global não devem ser tomados como premissa, desde que a escassez, ou seus efeitos para o crescimento, poderão ser mais significativos".

Em um capítulo de seu relatório Perspectiva da Economia Mundial, divulgado nesta quinta-feira, o FMI diz que "na prática, será difícil fazer uma distinção clara entre mudanças inesperadas na escassez de petróleo e choques mais tradicionais e temporários, especialmente no curto prazo, quando muitos dos efeitos na economia global serão similares".

O relatório completo será divulgado na próxima semana, antes da reunião de primavera do FMI, na qual a alta dos preços das commodities deverá ser discutida. No capítulo revelado hoje, o Fundo exorta os governos a assegurarem que suas economias estejam preparadas para lidar com mudanças inesperadas na oferta e nos preços do petróleo - por exemplo, reduzindo os subsídios aos preços dos combustíveis, de modo a proteger a posição fiscal dos governos, mas também fortalecendo as "redes de segurança" para os mais pobres - e a encorajarem políticas que promovam fontes alternativas de energia.

O crescimento forte da demanda por petróleo nos países emergentes, combinado com as preocupações quanto a possíveis interrupções na oferta do petróleo produzido no Oriente Médio, levou os preços a subirem mais de 25% no ano passado.

Endossando a opinião de muitos analistas, para quem a produção global de petróleo vai atingir seu pico em breve, se é que já não começou a declinar, o relatório do FMI reconhece que a maturação de muitos campos de petróleo vai limitar a capacidade de alguns países produtores de elevar sua capacidade de produção.

Para o FMI, uma volta ao crescimento anual de 1,8% na produção global de petróleo, visto entre 1981 e 2005, "parece improvável". "As possibilidades variam entre uma redução maior na tendência de crescimento da oferta e uma redução propriamente dita na produção de petróleo, temporária ou mais permanente", diz o relatório.

As projeções do FMI são de que uma desaceleração de 1 ponto porcentual no crescimento da oferta global de petróleo, para 0,8% ao ano, reduziria o crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) global em menos de 0,25% no médio e no longo prazo. Ainda assim, a transferência de riqueza dos países importadores para os exportadores faria crescerem os fluxos de capital e ampliaria os desequilíbrios de conta corrente que já existem.

Os economistas do Fundo advertem, porém, para o potencial para "mudanças grandes e abruptas", tendo em vista os riscos geopolíticos associados ao mercado de petróleo. "Efeitos adversos poderão ser muito maiores, dependendo da extensão e da evolução da escassez de petróleo e da capacidade da economia mundial para lidar com uma escassez maior", diz o relatório. As informações são da Dow Jones.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Quanto custa o futuro?

Mais investimentos em pesquisa e desenvolvimento são fundamentais, se o Brasil quiser mesmo ser grande

Por Simão Mairins, www.administradores.com.br


É quase consenso entre organismos e especialistas de todo o mundo que o Brasil, em alguns anos, será uma das cinco maiores potências do planeta. Bons resultados no mercado internacional e a blindagem demonstrada na crise econômica fortaleceram essa opinião e ajudaram a deixar o governo ainda mais otimista. No entanto, o crescimento comemorado atualmente segue caminhos duvidosos e a sustentabilidade da boa fase ainda é uma incógnita.



No Brasil de hoje já não se fala mais em país do futuro, mas, sim, do presente. Só que, quando o assunto é economia, uma coisa não pode estar dissociada da outra. A sustentabilidade, a longo prazo, da boa fase vivida atualmente, depende estritamente do que se faz agora. Será que o Brasil está mesmo no caminho certo?



Exportador de commodities



Entre os chamados Brics – bloco de emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China – os dois últimos têm despontado na frente, investindo pesado em inovação tecnológica e formação de mão de obra. Com essas características, ambos, principalmente a China, estão se consolidando como fortes exportadores de bens industrializados. Enquanto isso, o Brasil se fortalece como um dos maiores fornecedores mundiais de commodities, ou seja, bens de valor agregado muito baixo, como minérios e produtos agrícolas.



Posicionado de tal maneira no mercado internacional, o Brasil assume dois riscos sérios. O primeiro é o de ter um desequilíbrio na balança comercial, porque os países que importam commodities brasileiras vendem de volta produtos manufaturadas por valores superiores.



Outro problema é que nenhuma das grandes economias do mundo (nem as que despontam atualmente) se constituiu como tal sem uma sólida indústria de bens de consumo. No entanto, o Brasil ainda depende, majoritariamente, do agronegócio e da indústria de base.



Hoje, o país começa a investir em formação de profissionais, com a ampliação do número de universidades e de escolas técnicas, mas os resultados ainda devem demorar um pouco. Segundo João Maria de Oliveira, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, a Coréia do Sul levou cerca de 20 anos para colher os frutos dos investimentos feitos em formação de mão de obra para seu mercado.



Registro de patentes



Outra questão fundamental para o posicionamento do Brasil no mercado internacional de forma sólida é o registro de patentes. Na economia liberal, a propriedade de processos e tecnologias é um dos principais fatores responsáveis pela competitividade nos mercados, e quem desenvolve e patenteia sai na frente.



"O registro de patente que está sendo feito agora é que vai determinar o posicionamento de uma empresa no futuro", disse João Maria, em conferência promovida pelo Ipea para jornalistas. Ele explica que muitas empresas no mundo investem em pesquisas no intuito de desenvolver tecnologias e patenteá-las visando um nicho que pode ser criado no futuro.



No Brasil, no entanto, a indústria investe menos de 1% de seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento, número bastante inferior, por exemplo, ao da Alemanha, que investe 2,6%, segundo dados do Ipea.



O índice brasileiro de investimentos em pesquisa e desenvolvimento está acima da média latino-americana, mas ainda é, majoritariamente, de origem pública. Segundo gráficos do Ipea, de 0,91% do PIB brasileiro que é investido nesse campo, mais da metade parte dos governos.



O setor de petróleo e gás, através da Petrobras, é, no Brasil, o que mais detém patentes, e coloca o país em uma posição de vanguarda na área, no plano internacional. Mesmo assim, o Brasil responde por menos de 0,1% do total de produtos ou processos patenteados no mundo.



Pesa ainda o fato de o processo de registro de patentes no Brasil ser muito lento, o que, além de dificultar o posicionamento das tecnologias nacionais no mercado externo, gera uma situação de insegurança jurídica internamente.



O órgão federal responsável pelo registro de patentes no Brasil é o INPI – Instituto Nacional da Propriedade Industrial, que é encarregado, também, pelo registro de marcas no país, processo que, da mesma forma, é criticado pela morosidade. Confira a matéria que fizemos sobre este assunto clicando aqui.

terça-feira, 29 de março de 2011

China vai ultrapassar Estados Unidos em produção científica antes de 2020

A China poderá ser o maior produtor de artigos científicos já em 2013, ultrapassando os Estados Unidos, diz um relatório da Royal Society de Londres que analisou o estado da colaboração científica mundial.

Por Nicolau Ferreira


“O mundo científico está a mudar e novos jogadores estão a surgir rapidamente”, disse em comunicado Chris Llewellyn Smith, antigo director do CERN e o presidente do grupo consultivo do estudo, intitulado “Conhecimento, redes e nações. A Colaboração Científica Global no século XXI”.

Segundo o relatório, a produção científica continua a florescer. Entre 2002 e 2007, o dinheiro gasto em investigação passou de 561 para 813 mil milhões de euros, ao mesmo tempo que o número de investigadores subiu de 5,7 para 7,1 milhões. Países como a Índia, o Brasil, o Irão, a Turquia ou mesmo a Tunísia estão a apostar cada vez mais na ciência e há uma colaboração internacional maior.

“Além da emergência da China, vemos um crescimento no Sudeste asiático, no Médio Oriente, no Norte de África e noutras nações. O aumento de colaboração e investigação científica é muito bem-vindo. No entanto, nenhuma nação que foi historicamente dominante pode dar-se ao luxo de se apoiar nas conquistas passadas se quer ter a vantagem competitiva a nível económico que ser-se um líder científico proporciona”, disse o inglês.

A China é o segundo país que mais publica artigos científicos. Entre 1993-2003 e 2004-2008, a percentagem mundial de publicações do gigante asiático passou de 4,4 para 10,2 por cento, enquanto nos Estados Unidos decresceu de 26 para 21 por cento. O terceiro lugar vai para o Reino Unido que passou de 7,1 para 6,5 por cento.





No caso do Brasil, a pesquisa diz que São Paulo subiu para o 17º lugar - antes ocupava o 38º - na lista de cidades com mais publicações científicas no mundo, o que "reflete o rápido crescimento da atividade científica brasileira".

A representatividade dos estudos brasileiros teve leve aumento: entre 1999 e 2003, eles equivaliam a 1,3% do total de pesquisas científicas globais. Entre 2004 e 2008, essa porcentagem subiu para 1,6.

Mas "as reduções significativas no orçamento de ciência em 2011 levantam preocupações", diz o relatório (em meio aos cortes de R$ 50 bilhões no orçamento da nação, o Ministério de Ciência e Tecnologia deve perder R$ 1,7 bilhão).

O número total de artigos publicados pelos EUA vai continuar a aumentar, mas “Em algum lugar antes de 2020, espera-se que a China ultrapasse os Estados Unidos”, diz o relatório. Há projeções que apontam que esse momento será já em 2013.

Mas o aumento da qualidade científica, avaliada pelo número de vezes que um artigo é citado, não está a acontecer tão rápido e a China vai demorar mais de uma década para chegar ao rácio ocidental. A percentagem de citações do país, apesar de ter subido de quase zero para quatro por cento entre os dois períodos, ainda está longe das citações dos EUA, que rondam os 30 por cento.

quinta-feira, 24 de março de 2011

EUA investirão no pré-sal e pretendem aumentar compras de petróleo brasileiro

Plano de Ação firmado entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos na área de energia, em julho do ano passado, amplia a integração no setor entre os dois países

www.administradores.com.br


Segundo declarações feitas no último final de semana pelo subsecretário para Política e Assuntos Internacionais da Secretaria de Energia dos Estados Unidos, David Sandalow, as empresas norte-americanas pretendem, sim, investir na produção do petróleo brasileiro da camada do pré-sal. O representante de Washington disse ainda que os EUA pretendem importar mais combustível brasileiro.



"Os Estados Unidos querem ser parceiros no pré-sal e esperam ser um bom comprador do petróleo brasileiro", afirmou ele, na abertura da Cúpula Empresarial Brasil-Estados Unidos, no Centro de Convenções Brasil 21, em Brasília.



O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, destacou que o Plano de Ação firmado entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos na área de energia, em julho do ano passado, amplia a integração no setor entre os dois países.

quarta-feira, 23 de março de 2011

China pode superar EUA em 20 anos, diz Banco Mundial

Depois de ultrapassar o Japão no ano passado, país estabeleceu uma meta de crescimento econômico de 8% em 2011 e de 7% ao ano entre este ano e 2015

Danielle Chaves, da Agência Estado

A China pode superar os EUA como a maior economia do mundo se mantiver o crescimento anual de 8% nos próximos 20 anos, afirmou Justin Lin, economista-chefe do Banco Mundial, em um fórum econômico realizado em Hong Kong. Segundo Lin, o tamanho da economia chinesa poderá, então, ser duas vezes o da economia norte-americana, quando medida pela paridade do poder de compra.

Depois de ultrapassar o Japão no ano passado, a China estabeleceu uma meta de crescimento econômico de 8% em 2011 e de 7% ao ano entre este ano e 2015. Lin afirmou que a China tem sido a nação com a expansão mais rápida nas últimas duas décadas e, entre 1990 e 2010, cresceu a uma taxa "milagrosa" de 10,4% - um contraste com o desempenho de outras economias em transição.

O economista alertou, porém, que a expansão poderá ser prejudicada pela fraca recuperação global após a crise financeira e pediu que a China trate dos desafios domésticos, como a desigualdade de renda. Lin também disse que o aquecimento global pode impor um "desafio real" para a sustentabilidade da China no longo prazo e sugeriu que o país - que é o maior poluidor do mundo - aproveite seu crescimento e se torne um novo líder na tecnologia verde.

"É necessário para a China dar continuidade ao seu crescimento. Esses são desafios para o país, mas também são oportunidades", declarou Lin, que assumiu o cargo no Banco Mundial em 2008. A China revelou programas ambiciosos para desenvolver energia limpa e fechar fábricas que não conseguirem atender às metas de emissão de poluição, com o objetivo de reduzir a intensidade de carbono entre 40% e 45% até 2020, com base nos níveis de 2005.

A economia da China cresceu 10,3% em 2010, marcando o ritmo anual de expansão mais rápido desde o começo da crise global recente. Diferentemente de outros países que enfrentam dificuldades para estimular o crescimento, o governo chinês vem tentando frear sua economia e conter um fluxo de liquidez que está provocando inflação e elevando os preços dos imóveis. As informações são da Dow Jones.

Classe C chega a 101 milhões de brasileiros, diz pesquisa

53% da população está na classe C, diz estudo da Cetelem BGN. Pirâmide social muda de formato e vira losango.

G1

Clique aqui e veja a pesquisa

Cerca de 19 milhões de brasileiros migraram para a classe C em 2010, que chegou a 101,65 milhões de pessoas e já representa 53% da população total do país (191,79 milhões). Os dados são da pesquisa Observador 2011, encomendada pela Cetelem BGN à Ipsos Public O estudo mostra que a 'nova classe média' é a maior do país, mais ampla que as classes AB e DE juntas.

Segundo a pesquisa, 25% da população estava nas classes DE (47,94 milhões) em 2010 e outros 21% nas classes AB (42,19 milhões), que recebeu no ano passado um acréscimo de 12 milhões de brasileiros. Em 2009, a classe C reunia 92,85 milhões de brasileiros. Já as classes DE tinham 66,88 milhões e as AB, 30,21 milhões.

Para o estudo, foram feitas 1.500 entrevistas domiciliares em 70 cidades do país entre os dias 24 e 31 de dezembro.

A pesquisa, realizada desde 2005, faz uma radiografia do comportamento do consumidor brasileiro e mostra que a pirâmide social mudou de formato, se transformando em um losango, pois a classe C é a que conta com o maior número de pessoas.

Enquanto a população cresceu 5,35% de 2005 a 2010, a classe C cresceu 62,12% e as classes AB inflaram 59,70%. Já as classes DE tiveram redução de 48,41% no período, o que corresponde a quase 45 milhões de brasileiros. Em 2005, as classes AB e C juntas correspondiam a 49% da população; em 2010, elas somavam 74%.

"Existe uma grande transformação e ela pode se transformar em oportunidade se usarmos essas informações para fazer um planejamento estratégico de nossos negócios", afirma Marcos Etchegoyen, presidente da Cetelem. "Temos que criar a cultura de ofertar o crédito de maneira que a pessoa entenda o que está sendo ofertado, tire suas dúvidas e possa se manter adimplente, de modo a continuar usando o crédito no futuro".

Renda e gastos
De acordo com a pesquisa, houve aumento da renda média dos brasileiros de todas as classes e regiões. Alta que se mostrou mais acentuada nas classes DE, cuja renda familiar média declarada pelos pesquisados ficou em R$ 809 - 48,44% maior do que em 2005. Os brasileiros da classe AB tiveram renda média de R$ 2.983 e os da C de R$ 1.338.

No ano de 2010, os brasileiros gastaram em média, mensalmente, R$ 165,00 a mais que no ano de 2009. Os itens de destaque foram seguros, previdência privada, aluguel, vestuário e convênios médicos. Em 2010, 20% da população indicou já ter feito compras pela internet. Segundo o estudo, mais de 60% das compras dos itens de médio custo foram financiadas. Em todas as regiões, o gasto médio com telefone fixo foi superior ao do telefone celular.

A pesquisa indica também que o brasileiro está otimista. Cerca de 60% dos entrevistados espera mais crescimento em 2011, 53% mais consumo, 52% mais crédito e 39% acreditam que o PIB se mantenha em alta.

Segundo o levantamento, 79% dos pesquisados pretendem economizar mais em 2011, mas 48% também pretendem gastar mais neste ano, com destaque para itens como bens para casa, móveis, decoração e entretenimento. Por outro lado, apenas 26% dos entrevistados comparam as taxas de juros, antes de escolher aonde vão fazer compras financiada.

Segundo o estudo, as classes DE concentram os maiores crescimentos na intenção de compra para 2011, com destaque para eletrodomésticos, celulares, motos e carros.

Para Miltonleise Carreiro Filho, vice presidente da Cetelem, os números da pesquisa ainda não apresentam o efeito das medidas de restrição de crédito anunciadas pelo Banco Central no fim do ano passado , e nem as perspectivas de aumento de inflação em 2011.  “O que vem acontecendo nos meses de janeiro e fevereiro em termos reais é que nem a inadimplência vem subindo e nem o consumo caindo. Por enquanto não tivemos nenhum efeito que fosse contrário a essas manifestações”.

Estudo coloca Google como marca mais valiosa do mundo em 2011

InfoMoney

O Google é a marca mais valiosa do mundo, avaliada em US$ 44,3 bilhões, seguido pela Microsoft, com valor de US$ 42,8 bilhões, de acordo com a pesquisa Brand Finance Global 500 de 2011, divulgada pela empresa de consultoria Brandirectory.

Para chegar ao topo, o Google desbancou a Walmart, que em 2010 ocupava a liderança no ranking. A gigante do varejo tem sua marca avaliada em US$ 36,2 bilhões.

O estudo avaliou o valor da marca de 500 empresas no mundo. Segundo a pesquisa, cinco das dez empresas do topo são da área de tecnologia.

Novidade
O Facebook aparece pela primeira vez - ficou na 281ª posição, com o valor de marca de US$ 3,7 bilhões. Outro destaque é a Coca-Cola, que saiu da lista das dez maiores marcas pela primeira vez, indo para a 16 posição, com valor de US$ 25,8 bilhões.

Entre as dez primeiras colocadas, nove são companhias norte-americanas. A única “intrusa” entre as dez é a britânica Vodafone, que, com valor estimado de US$ 30,6 bilhões, está na quinta colocação.

A companhia brasileira mais bem colocada na lista é o banco Bradesco, que subiu 15 posições, chegando à 28ª colocação este ano, com valor estimado em US$ 18,7 bilhões. Depois, vem o Itaú, com US$ 16,6 bilhões na 41ª posição.

Na 95ª posição, aparece o Banco do Brasil, com US$ 9,526 bilhões, e na 106ª, a Petrobras, avaliada em US$ 8,697 bilhões.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Choque do petróleo não deverá ser prolongado, diz Société Générale

InfoMoney

O recente rali nos preços do barril de petróleo não deverá impactar substancialmente o cenário econômico global, uma vez que este movimento de choque na oferta provavelmente será temporário, aponta a equipe do banco Société Générale.

Segundo a equipe do Société Générale, tudo o mais mantido constante, uma elevação permanente de US$ 10 por barril de petróleo resultaria em uma queda de 0,25 ponto percentual do PIB (Produto Interno Bruto) global no ano seguinte. “Raramente, no entanto, tudo permanece igual”, revela o relatório.

Considerando a possibilidade dos conflitos no norte da África e no Oriente Médio se espalharem para outros países produtores de petróleo, os preços da commodity poderiam atingir US$ 200 o barril. No entanto, este evento, considerado como um Black Swan (cisne negro) – um fato com possibilidades remotas de ocorrer, mas consequências desastrosas -, não provocaria um aperto monetário, dada a preocupação com os efeitos negativos sobre o crescimento.

Quanto aos fatos concretos – o preço do barril de petróleo Brent avançou mais de US$ 15 desde o final de janeiro -, o impacto na economia global depende do quão alto o preço do barril atingirá e por quanto tempo este movimento ascendente continuará, aponta o relatório.

Movimento temporário
No entanto, Michala Marcussen, responsável pelo documento, acredita que este avanço é temporário por duas razões: a contaminação da crise para a Arábia Saudita parece baixa e a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) possui uma reserva que oferece condições de compensar as distorções no fornecimento.

Por outro lado, caso o “Black Swan” se torne um fato concreto, o crescimento global levará um severo golpe, destaca Marcussen, contaminando negativamente o desempenho para os ativos de risco ao redor do globo e, com uma demanda menor, o preço de outras commodities cairia, mas não ocorreria um aperto monetário. “Para que os preços das commodities acionem elevações das taxas de juros, deve ser um choque guiado pela demanda”, afirma.

Choque permanente da demanda
Já analisando pelo lado da demanda, Marcussen revela que há um choque permanente. “Essas altas nos preços são levadas pela recuperação global, e notavelmente pela forte retomada nos mercados emergentes”, ressalta. Neste caso, as consequências são diferentes, o que implica ganhos para os ativos de risco.

E esse fato pode levar a um movimento inflacionário. Nos últimos anos uma elevação no preço das commodities com base na demanda era compensada por uma tendência deflacionária nos bens manufaturados. Mas com a transformação das economias emergentes de exportadoras para consumidoras, este efeito será suavizado.

Alta moderada
No entanto, a expectativa do Société Générale é de que o preço do petróleo represente ganhos moderados durante os anos seguintes, com um crescimento das economias emergentes a um ritmo menor que o atual, seguindo um aperto na política monetária.

Enquanto isso, o BCE (Banco Central Europeu) não promoverá mudanças na taxa básica de juros neste ano, uma vez que não há um problema fundamentalmente inflacionário e que a recuperação ainda permanece frágil, com a questão da dívida soberana ainda longe de ser resolvida.

Cisne branco
Por fim, há mais um cenário projetado pelos analistas, com uma recuperação global mais forte que o previsto. “É importante notar que esse cenário é menos provável que gere uma forte alta nos preços do petróleo”, ressalta. Neste caso, a resposta dos governos seria o aperto monetário.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Analistas rechaçam tese de subprime no Brasil

Autor(es): Leandro Modé

O Estado de S. Paulo - 22/02/2011


 Em artigo publicado no ""Financial Times"", gestor britânico afirma que País pode estar caminhando para uma crise de crédito semelhante à dos EUA

Analistas brasileiros descartam que esteja em formação no País uma bolha de crédito, conforme afirmou ontem, em um artigo no jornal britânico "Financial Times", o investidor Paul Marshall. Presidente de um dos maiores fundos hedge (de alto risco) da Europa, ele escreveu que o Brasil "pode estar caminhando para uma crise do subprime".

Subprime é o nome pelo qual ficou conhecida a crise que estourou em 2008 nos Estados Unidos, após a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers. Esse nome caracterizava um segmento de clientes aos quais foram concedidos empréstimos para a compra da casa própria. Como não conseguiram honrar os compromissos, seguiu-se uma onda de calotes que estourou nos bancos.

Marshall sustenta, entre outros fatores, que o ritmo de expansão do crédito aqui tem superado o crescimento nos outros países que formam os Brics (Rússia, Índia e China). Ele também cita que o comprometimento da renda dos brasileiros com prestações supera o nível dos Estados Unidos - informação divulgada em reportagem do Estado de outubro do ano passado.

Por fim, observa que os bancos brasileiros gastam mais para cobrir perdas com inadimplência do que bancos indianos e chineses. E conclui: "(O Brasil ) talvez tenha bebido com muita impulsividade no salão da desinflação (dos últimos anos)".

O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira, o gerente de indicadores de mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi, e o analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu, rebatem os argumentos do investidor inglês.

"Para começar, não é adequado comparar economias desenvolvidas com a nossa, na qual nunca houve muito crédito à disposição dos consumidores", afirmou Oliveira. Ele também lembra que, no Brasil, os bancos limitam o comprometimento da renda dos clientes com empréstimos. "Em geral, não deixam que passe de 30% do rendimento."

Outra diferença importante entre o Brasil e os Estados Unidos é que, por aqui, a maioria dos empréstimos é concedida com taxas prefixadas. Ou seja, o devedor não está sujeito às oscilações do mercado e da própria economia. Nos EUA, um dos grandes problemas é que o juro básico da economia subiu, elevando junto o custo dos empréstimos. Muita gente, então, deixou de pagar.

Santacreu avalia que o argumento de Marshall não se encaixa no caso brasileiro porque o Banco Central (BC) tem se mostrado atento a eventuais distorções no mercado. O analista cita como exemplo as medidas macroprudenciais anunciadas no fim de 2010, com objetivo, sobretudo, de frear a expansão do crédito para a compra de veículos.

"O BC está dando sinais para os agentes econômicos de que o crédito deve ser moderado a partir de 2011", argumentou Santacreu. "Além do mais, os próprios bancos brasileiros tiveram más experiências no passado e aprenderam com elas."

Rabi observou que, tecnicamente, o artigo do inglês não trouxe nenhum cálculo excepcional. "Ele usou dados que têm sido citados por vários outros especialistas para dizer que não há risco de bolha no Brasil", disse.

O economista da Serasa também lembra que, nos EUA e em outros países desenvolvidos, as taxas de juros são bem mais baixas do que no Brasil. Isso faz com que os bancos dessas nações busquem rentabilizar suas operações - ou seja, buscar mercados como o subprime. Aqui, observa, não é preciso.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Opep está pronta para oferecer mais petróleo, diz Emirados Árabes

Declaração foi feita após o barril do Brent superar US$ 105 porque parte da produção na Líbia foi paralisada

Regina Cardeal, da Agência Estado

RIAD - A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) está monitorando a turbulência política no Oriente Médio de perto e está pronta a oferecer petróleo extra ao mercado se for preciso, disse o ministro de Petróleo dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Mohammad Al-Hamli.


"Há ampla oferta no mercado e estamos prontos a fornecer mais petróleo em caso de necessidade", Hamli disse aos jornalistas, ao ser perguntado sobre a atual situação na Líbia. Ele deu as declarações depois que o barril do Brent superou US$ 105 porque parte da produção na Líbia foi paralisada. Às 15h09 (de Brasília), o Brent para entrega em abril subia 3,09% para US$ 105,69 na plataforma eletrônica ICE.

Cerca de 50 mil barris por dia da produção da Líbia está parada por causa da turbulência política no país, disse David Fyfe, chefe da Divisão de Mercados e Indústria de Petróleo da Agência Internacional de Energia (AIE) em conferência em Londres.

A Líbia, membro da Opep, extraiu 1,6 milhão de barris de petróleo por dia em janeiro, segundo pesquisa Dow Jones. As informações são da Dow Jones.

Petróleo em Londres dispara mais de 5% para 108 dólares

Os preços do petróleo tipo Brent atingiram US$ 108 o barril pela primeira vez desde 2008 nesta segunda-feira (21), devido a preocupações de que a crescente violência na Líbia possa provocar interrupção no fornecimento do país membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Os preços do petróleo nos Estados Unidos ditaram um salto no rali de mais de US$ 5, a maior alta em mais de dois anos.

Operadores se apressaram para cobrir posições vendidas entre o petróleo tipo Brent e o WTI norte-americano. A diferença em abril foi estreitada para US$ 10 durante o dia, mas se ampliou para mais de US$ 12 mais tarde no pregão.

Os preços do tipo Brent no mercado de futuros, que avançaram mais de US$ 10 este ano, principalmente devido ao crescente risco geopolítico, saltaram em US$ 3,22 o barril, ou 3,2%, para estacionar em US$ 105,74 o barril.

Os preços subiram mais US$ 2, para fechar em US$ 108 nas últimas negociações, maior patamar desde 4 de setembro de 2008.

O contrato do petróleo cru norte-americano, que vence na terça-feira, aumentou US$ 5,22 o barril para fechar a US$ 91,42 no fim da tarde -- maior nível em duas semanas

Revoltas na Líbia prejudicam produção de petróleo

 A Wintershall, unidade de exploração de petróleo e gás natural da Basf, se preparava para interromper sua produção na Líbia e retirar os funcionários estrangeiros do país, no momento em que a violência se espalha no terceiro maior produtor africano de petróleo.

Ao mesmo tempo, manifestantes antigoverno saíram às ruas da cidade de Ras Lanuf, sede de um uma refinaria de petróleo e de um complexo petroquímico da Líbia, informou o jornal líbio Quryna em seu website nesta segunda-feira.

Citando empregados do local, o jornal informou que estava sendo criado um comitê especial de trabalhadores e moradores locais para proteger as instalações.

A Wintersahll disse nesta segunda-feira que estava diminuindo sua produção de petróleo na Líbia, equivalente a 100 mil barris por dia. Empresas como a Royal Dutch Shell e a OMV anunciaram a retirada de seus funcionários estrangeiros.

A norueguesa Statoil, a austríaca OMV e a anglo-holandesa Shell também tomaram medidas depois que manifestantes contrários ao governo foram mortos em Benghazi e revoltas se espalharam para a capital Trípoli durante o final de semana e nesta segunda-feira.

A medida da Winterhall significaria uma queda considerável no fornecimento da Líbia, cujas exportações de petróleo se dirigem em sua maioria à Europa e cuja produção é de paroximadamente 1,6 milhão de bpd de petróleo bruto, o que coloca o país como o terceiro maior produtor africano -- depois da Nigéria e da Angola.

A maioria das operações de produção de petróleo da Líbia está localizada no leste do país e ao sul de Benghazi -- a segunda maior cidade do país, que na segunda-feira parecia escapar do controle das forças leais a Muammar Gadaffi.

A produção no campo de petróleo de Murza, administrada pela espanhola Repsol, não foi afetada por enquanto. As produções da Eni também não foram prejudicadas até o momento.

(Reportagem de Vera Eckert)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

País cresceu 7,8%, diz índice do BC

Expansão em 2010 supera projeção. Segundo Mantega, crédito já está desacelerando

A economia brasileira cresceu 7,81% no ano passado, de acordo com o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central (BC), divulgado ontem. O número supera a projeção da instituição sobre a expansão do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país), de 7,3%. Para 2011, o BC espera uma expansão de 4,5%. No último trimestre do ano passado, o IBC-Br teve um crescimento de 5% em relação a 2009 e de 1,03% sobre o período de julho a setembro.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou ontem que o PIB deve ter crescido entre 7,5% e 8% em 2010. Mas acrescentou que as medidas de restrição ao crédito adotadas pelo governo "já estão produzindo efeitos de desaceleração do financiamento e do comércio".

- A economia desacelera devido a medidas fiscais e monetárias - afirmou ele, em discurso durante evento promovido pelo banco BTG Pactual com investidores brasileiros e estrangeiros.

Apesar da força, especificamente em dezembro, o IBC-Br ficou praticamente estável, com leve crescimento de 0,07% em relação ao mês anterior, mostrando arrefecimento. Em novembro, o índice havia registrado aumento de 0,33% sobre o mês anterior. Segundo especialistas, no entanto, essa trégua do fim de 2010 não deve se intensificar nos primeiros meses deste ano, já que diversos indicadores mostram que a economia continua aquecida.


Entre os indicadores, destacou o economista-chefe da Austin Asis, Alex Agostini, estão as vendas de papelão ondulado (um dos mais clássicos termômetros de atividade), que cresceram 2% sobre janeiro de 2010. Ele também citou as vendas de veículos no período, cujo crescimento encostou em 15%. Por isso, acredita Agostini, o cenário ainda aponta para a atividade aquecida, mesmo com as medidas macroprudenciais tomadas em dezembro pelo BC, que restringiram e encareceram o crédito de longo prazo voltado para bens duráveis.


- O primeiro trimestre vai ser fundamental para avaliar o comportamento da inflação - afirmou Agostini, acrescentando que, por conta desse cenário, o BC deverá continuar elevando a Selic - hoje em 11,25% - até 12,75% ao ano.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Dilma e Obama vão assinar acordo para destravar comércio

Governos finalizam tratado que visa a resolver barreiras sanitárias e técnicas, mas sem mexer em tarifas comerciais

Empresários afirmam que alcance de acordo é limitado; agenda busca reaproximação após divergências por Irã

PATRÍCIA CAMPOS MELLO
DE SÃO PAULO

A presidente Dilma Rousseff e o presidente Barack Obama devem assinar um tratado de cooperação econômica e comercial (Teca, na sigla em inglês) durante a visita do líder americano ao Brasil, em 19 e 20 de março.
O Itamaraty e o Escritório de Comércio dos Estados Unidos, o USTr, estão finalizando os detalhes do acordo, nos moldes de tratados fechados pelo Brasil com a Suíça e pelos EUA com o Uruguai. Segundo uma fonte do governo brasileiro, o acordo já está nas mãos dos advogados, para os acertos finais.
O acordo deve ser um dos principais anúncios da visita de Obama, ao lado de um tratado de previdência, semelhante ao assinado com o Japão. O tratado cria um mecanismo bilateral, em nível ministerial, para que as barreiras ao comércio e aos investimentos nos dois países sejam discutidas e resolvidas.
Alguns dos principais entraves econômicos que podem ser abordados pelo tratado são barreiras sanitárias a produtos como carnes e frutas brasileiras, simplificação de processos alfandegários e normas técnicas.
Mas o acordo não prevê redução de tarifas de importação. "O Teca é um acordo que fica muito aquém de uma liberalização comercial", diz José Augusto Coelho Fernandes, diretor-executivo da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
"Mas pode organizar determinadas formas de cooperação econômica e ajudar na monitoração de temas importantes", pondera.
O tratado começou a ser negociado em 2009, mas as conversações ficaram em banho-maria no ano passado, em meio às fricções causadas pelo acordo militar EUA-Colômbia, a crise de Honduras e a questão do Irã.
A assinatura do acordo, apesar de não ter efeitos imediatos de abertura comercial, é vista como reaproximação e restabelecimento de confiança entre os países.

O QUE FICOU DE FORA
O Teca não aborda algumas das principais reivindicações do Brasil -redução de tarifas ou cotas para açúcar, etanol, calçados, têxteis, retirada de medidas antidumping sobre aço, suco de laranja e camarão, nem eliminação da bitributação.
Quando o Uruguai assinou o Tifa, um tratado semelhante com os EUA, em 2007, houve gritaria geral no Mercosul, com críticas de que o acordo poderia minar a legitimidade do bloco, já que poderia ser o precursor de um possível acordo de livre-comércio.
Segundo o governo brasileiro, o tratado dá ao Escritório Comercial dos EUA autoridade para tratar de temas da agenda bilateral, como acelerar a resolução de questões, como barreiras sanitárias a exportações agrícolas.
Nas palavras de um empresário, na prática é um conselho que se reúne periodicamente, pega uma lista de problemas e tenta resolver.
Para esse empresário, o setor privado apoia porque é uma forma de deixar o comércio como prioridade, mas não remove barreiras.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sindicatos e salários na China

José Pastore - O Estado de S.Paulo

Os salários na China vêm aumentando em ritmo meteórico. No setor industrial, o aumento médio em 2010 foi de aproximadamente 9%. Em muitas cidades, o salário mínimo subiu 20%. Em vários setores há falta de mão de obra.

Na nova conjuntura, os trabalhadores estão se tornando mais exigentes. Os sindicatos começam a flexionar seus músculos. Será que a conjugação da falta de mão de obra com uma maior pressão sindical criará uma nova realidade salarial na China? Isso afetará a competitividade das empresas chinesas?

A máquina sindical do país é bastante complexa. No nível mais alto, está a Confederação Nacional dos Sindicatos Chineses, com mais de 200 milhões de filiados e operando como uma simples correia de transmissão do governo central com o objetivo de levar adiante os programas do Partido Comunista. Seus recursos são imensos, pois provêm de 2% da gigantesca folha salarial da China. Pela via da distribuição do numerário para entidades regionais e locais, essa confederação exerce forte controle da base sindical do país.

Mas essa situação está mudando. As federações e os sindicatos regionais e locais começam a ganhar independência. A redução do número de empresas estatais e o aumento das privadas (ou mistas) estão estimulando os sindicatos a falar mais alto.

Mudanças expressivas estão ocorrendo nos sindicatos ligados às multinacionais. Foram eles que deflagraram as greves no setor automobilístico em 2010 e que forçaram as empresas a conceder aumentos salariais expressivos - em alguns casos (Honda) de até 30%.

Estaria aí a semente que vai minar a competitividade das empresas chinesas, que sempre contaram com a vantagem do trabalho barato?

A pressão do mercado e dos sindicatos no campo salarial não deve ser superestimada por três razões. Em primeiro lugar, porque, apesar dos expressivos aumentos, as diferenças entre os salários da China e do resto do mundo desenvolvido ou emergente continuam brutais. Um operário chinês ganha 20 vezes menos do que seu colega americano ou europeu e sete vezes menos do que o brasileiro. E as despesas de contratação para as empresas chinesas são reduzidíssimas. A previdência social ainda é um luxo e, na maioria dos casos, as empresas nada pagam nesse campo.

Em segundo lugar, é bom considerar que, apesar dos movimentos recentes, a grande maioria dos sindicatos ainda vive num sistema de cooptação. As empresas usam as entidades sindicais para levantar a moral dos trabalhadores e avançar nos programas de qualidade e produtividade. Muitas empresas apoiam os sindicatos com programas assistencialistas que agradam aos operários e arrefecem os movimentos de reivindicação. Em muitos casos, os chefes fazem isso da diretoria dos sindicatos. A literatura cita exemplos em que o diretor financeiro da empresa é o presidente do sindicato (Mingwei Lu, Union Organizing in China: Still a Monolithic Labor Movement?, Industrial and Labor Relations Review, outubro de 2010).

Em terceiro lugar, e mais importante, está o fato de que a produtividade do trabalho tem aumentado muito mais do que o salário na maioria das indústrias chinesas. Ou seja, apesar dos recentes aumentos, o custo unitário do trabalho está diminuindo e a competitividade, aumentando.

O que isso tem que ver com o Brasil? Ao lado de tudo isso, é inegável que o poder de compra da grande maioria dos chineses está aumentando rapidamente. Forma-se naquele gigante uma classe média colossal e que já é o maior mercado consumidor do mundo. Trata-se de uma excelente janela de oportunidades para os países que têm o que vender para a China.

No caso do Brasil, as vantagens comparativas têm se limitado às exportações de commodities. Para avançar no campo das manufaturas, temos de superar os conhecidos desafios da modernização da infraestrutura, reduzir o custo Brasil e melhorar a produtividade do trabalho - um substancial salto na qualidade da educação.

PROFESSOR DE RELAÇÕES DO TRABALHO DA FEA-USP
SITE: WWW.JOSEPASTORE.COM.BR