Por: Giulia Santos Camillo
Se antes um dos assuntos mais discutidos pelos economistas era a globalização, depois do início da crise dos EUA, a situação mudou assim como o tema das discussões, que passou a ser descolamento.
Foi nesse sentido que o vice-presidente do Federal Reserve, Donald Kohn, se dirigiu aos ouvintes no International Research Fórum on Monetary Policy, em Frankfurt, na Alemanha.
Mais especificamente, Kohn abordou três pontos, sendo os dois primeiros discussões sobre integração e descolamento no cenário atual e o último, o papel da inflação nesse contexto.
Descolamento existe mesmo?
Para chegar a uma conclusão sobre a real existência do chamado descolamento, Kohn inicialmente falou sobre a integração entre os mercados globais. Para ele, a prova de que a globalização existe é o aumento do peso do comércio internacional no PIB (Produto Interno Bruto) dos países, incluindo os emergentes.
Outro ponto destacado foi o aumento da relação entre os serviços financeiros, que ocorreu globalmente, mas de forma desigual. "A integração entre países industrializados, medida pela proporção entre a soma dos ativos externos e o PIB, triplicou desde 1990, enquanto uma medida análoga entre países emergentes aumentou apenas cerca de 50%", explica Kohn.
Daí pode-se entender porque os países industrializados estão mais suscetíveis aos problemas no mercado norte-americano do que os demais. Além disso, o vice-presidente da autoridade monetária dos EUA ressalta que a crise ainda não acabou, portanto não é possível saber até que ponto o descolamento existe.
Porém Kohn não descarta a resiliência das economias emergentes frente à crise dos EUA, principalmente no que se refere às condições financeiras, como um exemplo de deslocamento, citando a performance desses mercados como melhor do que a dos países industrializados no período.
Integração x descolamento
Tendo traçado um cenário tanto de integração quanto de descolamento, a proposta de Kohn era conciliar essas duas idéias, mostrando que elas podem coexistir. Para isso, ele utilizou três argumentos.
O primeiro é que a integração geralmente leva a uma tendência de especialização da produção em cada país, o que pode explicar o descolamento já que dessa forma a economia desses países acaba sendo influenciada mais pela atividade doméstica do que por acontecimentos internacionais.
O segundo ponto é que "a correlação entre ciclos de negócios é específica aos choques que geram cada ciclo". Por último, Kohn cita a melhora estrutural dos países emergentes, principalmente o fortalecimento de políticas financeiras e fiscais.
Inflação
Uma outra forma de provar que a integração existe é citando a influência da alta da cotação internacional das commodities no aumento do risco inflacionário global.
Para Kohn, apesar de não estar clara a razão da persistência dos elevados preços dos produtos diante de um enfraquecimento da economia mundial, nos anos anteriores o movimento de ascensão foi causado principalmente pela forte demanda e oferta limitada.
Por fim, o economista ressalta que, por enquanto, a situação ainda está sob controle. "Mas os bancos centrais devem monitorar o cenário cuidadosamente à procura de sinais de que o aumento em preços relativos ao redor do mundo não gere inflação cada vez maior".
Se antes um dos assuntos mais discutidos pelos economistas era a globalização, depois do início da crise dos EUA, a situação mudou assim como o tema das discussões, que passou a ser descolamento.
Foi nesse sentido que o vice-presidente do Federal Reserve, Donald Kohn, se dirigiu aos ouvintes no International Research Fórum on Monetary Policy, em Frankfurt, na Alemanha.
Mais especificamente, Kohn abordou três pontos, sendo os dois primeiros discussões sobre integração e descolamento no cenário atual e o último, o papel da inflação nesse contexto.
Descolamento existe mesmo?
Para chegar a uma conclusão sobre a real existência do chamado descolamento, Kohn inicialmente falou sobre a integração entre os mercados globais. Para ele, a prova de que a globalização existe é o aumento do peso do comércio internacional no PIB (Produto Interno Bruto) dos países, incluindo os emergentes.
Outro ponto destacado foi o aumento da relação entre os serviços financeiros, que ocorreu globalmente, mas de forma desigual. "A integração entre países industrializados, medida pela proporção entre a soma dos ativos externos e o PIB, triplicou desde 1990, enquanto uma medida análoga entre países emergentes aumentou apenas cerca de 50%", explica Kohn.
Daí pode-se entender porque os países industrializados estão mais suscetíveis aos problemas no mercado norte-americano do que os demais. Além disso, o vice-presidente da autoridade monetária dos EUA ressalta que a crise ainda não acabou, portanto não é possível saber até que ponto o descolamento existe.
Porém Kohn não descarta a resiliência das economias emergentes frente à crise dos EUA, principalmente no que se refere às condições financeiras, como um exemplo de deslocamento, citando a performance desses mercados como melhor do que a dos países industrializados no período.
Integração x descolamento
Tendo traçado um cenário tanto de integração quanto de descolamento, a proposta de Kohn era conciliar essas duas idéias, mostrando que elas podem coexistir. Para isso, ele utilizou três argumentos.
O primeiro é que a integração geralmente leva a uma tendência de especialização da produção em cada país, o que pode explicar o descolamento já que dessa forma a economia desses países acaba sendo influenciada mais pela atividade doméstica do que por acontecimentos internacionais.
O segundo ponto é que "a correlação entre ciclos de negócios é específica aos choques que geram cada ciclo". Por último, Kohn cita a melhora estrutural dos países emergentes, principalmente o fortalecimento de políticas financeiras e fiscais.
Inflação
Uma outra forma de provar que a integração existe é citando a influência da alta da cotação internacional das commodities no aumento do risco inflacionário global.
Para Kohn, apesar de não estar clara a razão da persistência dos elevados preços dos produtos diante de um enfraquecimento da economia mundial, nos anos anteriores o movimento de ascensão foi causado principalmente pela forte demanda e oferta limitada.
Por fim, o economista ressalta que, por enquanto, a situação ainda está sob controle. "Mas os bancos centrais devem monitorar o cenário cuidadosamente à procura de sinais de que o aumento em preços relativos ao redor do mundo não gere inflação cada vez maior".