quinta-feira, 3 de julho de 2008

Retrato atual deixa Petrobras atrás das rivais, mas potencial impressiona

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira

A despeito da recente derrocada, o desempenho das ações em 2008 colocou a Petrobras na segunda posição do continente em valor de mercado, atrás somente da norte-americana Exxon Mobil. Mas uma comparação baseada nas principais referências operacionais ainda deixa a estatal brasileira atrás dos principais players do setor.

A disparidade entre a capitalização de mercado e seus dados produtivos na comparação com as rivais internacionais figura ao lado do ciclo recente de descobertas anunciado pela brasileira.

Se por um lado a disparada do petróleo pode ter ajudado na valorização dos ativos da estatal, a ocorrência abrange o segmento como um todo. Este fato associa diretamente a amplitude de exposição da empresa ao mercado às expectativas quanto ao potencial benefício das novas reservas.

De maneira geral, a Petrobras parece ser vista entre os analistas como uma das companhias de melhor potencial de crescimento do setor, o que ajuda a explicar as margens de captação. Graças em grande parte ao volume de investimentos e provável benefício com as novas reservas, o futuro da estatal brasileira parece promissor, ao menos na avaliação dos analistas.

Evolução produtiva
Uma amostra deste retrato pode ser extraída das projeções do banco de investimentos norte-americano JP Morgan para as grandes do setor nos próximos anos. Com evidência para o incremento dado pelas descobertas ao volume de reservas, a Petrobras passa na frente das rivais internacionais quando o assunto é evolução do volume produtivo.

A aposta da instituição é que a Petrobras apresente crescimento próximo de 7,3% em sua produção total neste ano, e avanço de mais 7,9% em 2009. Na comparação com os principais players do setor, estas margens tornam-se representativas.

Para a Exxon Mobil, por exemplo, a estimativa da instituição para o aumento produtivo em 2008 gira em torno de 0,3%. Já para a Petro China, a expectativa é de crescimento entre 4,5% e 4,8% para os dois anos em questão.


















Eficiência operacional

Mas o crescimento dos volumes produtivos deve acompanhar uma melhoria da eficiência operacional. Os resultados da empresa tendem a seguir sua evolução produtiva. E a geração de caixa da Petrobras tem tudo para demonstrar este efeito.

Para 2008, a projeção do JP Morgan é que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Petrobras chegue próximo de US$ 39 bilhões. Caso as estimativas da instituição se concretizem, o indicador tende a evoluir cerca de 19% na passagem 2008-2009.

O número supera a média de evolução projetada para o setor, ficando atrás, entre as maiores do mundo, apenas da Petro China, cuja expansão esperada para o mesmo intervalo de tempo beira 26%. A média de expansão das quatro maiores do mundo é de 4% para o período.

Em relação à margem Ebitda - geração de caixa sobre a receita líquida - da Petrobras, a aposta do JP Morgan é de 33% em 2008 e 37% no próximo ano.

Potencial de crescimento
Apesar de alguns dados operacionais ainda se apresentarem bem inferiores a alguns players do setor, o potencial para as ações da Petrobras é o melhor entre as grandes.

O upside estimado pelo banco para os papéis da empresa até o final do ano ultrapassa 50%, variação bem superior à das rivais.

Comparativo operacional

Companhia País Produção Estimada* Reservas** Geração de Caixa (US$ bilhões)***
Exxon Mobil EUA 4,19 22,12 92,27
BP Reino Unido 3,82 17,81 53,50
Petro China China 3,19 21,88 36,34
RD Shell Reino Unido 3,13 11,9 65,8
Chevron EUA 2,86 10,77 48,14
Petrobras Brasil 2,42 11,70 38,76
Rosneft Rússia 2,30 21,69 24,50
Lukoil Rússia 2,12 20,66 22,99
Conoco Phillips EUA 1,93 10,60 40,15
ENI Itália 1,77 6,37 49,73
Repsol YPF Espanha 0,92 2,40 16,59
BG Reino Unido 0,626 2,15 13,69
Galp Portugal 0,14 0,23 1,57

*Projeção do JP Morgan para a produção total em 2008 (milhões de barris diários de óleo equivalente)
**Bilhões de barris equivalentes
***Estimativa do JP Morgan para o Ebitda referente a 2008 (US$ bilhões)