Por: Gabriel Ignatti Casonato
Diante da série de desdobramentos que provocou nos mercados ao longo dos últimos meses, a crise financeira foi tema central do relatório anual divulgado pelo BIS (Banco de Compensações Internacionais, na sigla em inglês). No documento, a instituição busca fazer uma análise abrangente do colapso, indo desde sua origem até os primeiros sinais de estabilização.
Para isso, a equipe do banco dividiu a referida crise em cinco estágios diferentes. O primeiro, como não poderia deixar de ser, nos remete a junho de 2007, quando os problemas enfrentados pelo mercado imobiliário começaram a chegar às instituições financeiras que possuíam forte exposição aos títulos lastreados em hipotecas de alto risco, chamadas de subprime.
Lembrando da contaminação gerada nos balanços de grandes instituições, que se revezaram no anúncio de sucessivas baixas contábeis, o BIS cita como exemplo o caso do Bear Stearns, que não conseguiu se recuperar da onda de resgates motivada pelos rumores sobre a fragilidade de seu caixa e teve que ser vendido ao JP Morgan por valor irrisório, de apenas US$ 236 milhões.
"Este primeiro estágio da crise deixou o sistema financeiro bastante enfraquecido", relatou a instituição. No entanto, cabe lembrar que neste ponto as principais economias do planeta já estavam sendo fortemente contaminadas pelas implicações dos problemas de crédito, o que nos leva ao segundo estágio da crise apontado pelo banco.
Impactos começam a ser sentidos
Conforme destaca o relatório, os impactos da crise no lado real da economia começaram a ser sentidos com mais intensidade nesta fase, deixando a impressão - que meses mais tarde se confirmaria - de que importantes potências, como os Estados Unidos, encontravam-se na iminência de um temido quadro recessivo.
Não obstante, em meio às crescentes preocupações com o rumo da economia, a confiança dos investidores não saiu ilesa e despencou para patamares que há muito não se viam, fazendo com que a crise alcançasse o terceiro estágio apontado pelos analistas da instituição.
Foi durante esta etapa que os problemas enfrentados pelo Lehman Brothers culminaram no maior pedido de concordata da história corporativa norte-americana, o que, segundo o BIS, ampliou ainda mais a já elevada aversão ao risco nos mercados, além de revelar uma postura surpreendente do Federal Reserve, que rejeitou conceder garantias para a compra do banco falido pelo britânico Barclays.
Também nesta fase diversos bancos centrais anunciaram uma série de esforços para combater a falta de liquidez nos mercados. Indo desde a criação de linhas de auxílio às instituições problemáticas até os tradicionais cortes nos juros básicos, as medidas não tiveram a eficácia esperada, mas foram capazes de amenizar os impactos causados pela bolha de crédito.
Governos intervêm
A partir daí, teve início a quarta etapa da crise, conforme destaca o BIS. Nela, apesar da manutenção das incertezas em torno do setor financeiro e da possibilidade de um aprofundamento da recessão global, os mercados foram beneficiados com o anúncio de novas ações - desta vez sem precedentes - pelos governos das principais economias do planeta, o que renovou os ânimos dos investidores com relação a uma provável melhora do deteriorado cenário econômico.
Dentre elas, os analistas destacaram o pacote de socorro de US$ 700 bilhões anunciado pelo governo norte-americano, na época ainda presidido por George W. Bush, além da ação coordenada de bancos centrais em todo o mundo para cortes em suas respectivas taxas básicas de juro, medidas inéditas que acabaram provendo liquidez e reduzindo as tensões no mercado.
No entanto, mesmo com os benefícios das intervenções governamentais, o cenário ainda era digno de preocupação. Nos meses que se seguiram, a maioria dos indicadores econômicos divulgados continuou decepcionando as projeções, o que fez com que as bolsas enfrentassem uma volatilidade como há muito não se via. Este foi o retrato dos mercados até meados de março deste ano, quando a crise entrou no último estágio apontado pelo BIS.
Retomada dos ganhos
Nesta fase, que vem durando até os dias de hoje, a euforia com mais uma rodada de medidas anunciadas pelo governo norte-americano, com amplo destaque ao programa de compra de Treasuries do Federal Reserve, finalmente foi capaz de fomentar uma maior tomada de risco por parte dos investidores, permitindo assim a retomada dos ganhos à renda variável em âmbito global.
No que diz respeito à economia, a percepção de boa parte dos especialistas com relação aos últimos números divulgados, conforme destaca o relatório do banco, é de que o ciclo de contração global está muito próximo de se encerrar, embora também exista a expectativa de que a recuperação deva ser mais lenta do que a registrada em recessões anteriores.
Dito isto e ainda tendo em vista o bom desempenho da renda variável no primeiro semestre do ano, cabe aos investidores aguardarem se o movimento terá sequência ou não. Por enquanto, fica a dica dos especialistas de que os períodos de crise, como o atual, costumam trazer consigo oportunidades interessantes de investimento.
Diante da série de desdobramentos que provocou nos mercados ao longo dos últimos meses, a crise financeira foi tema central do relatório anual divulgado pelo BIS (Banco de Compensações Internacionais, na sigla em inglês). No documento, a instituição busca fazer uma análise abrangente do colapso, indo desde sua origem até os primeiros sinais de estabilização.
Para isso, a equipe do banco dividiu a referida crise em cinco estágios diferentes. O primeiro, como não poderia deixar de ser, nos remete a junho de 2007, quando os problemas enfrentados pelo mercado imobiliário começaram a chegar às instituições financeiras que possuíam forte exposição aos títulos lastreados em hipotecas de alto risco, chamadas de subprime.
Lembrando da contaminação gerada nos balanços de grandes instituições, que se revezaram no anúncio de sucessivas baixas contábeis, o BIS cita como exemplo o caso do Bear Stearns, que não conseguiu se recuperar da onda de resgates motivada pelos rumores sobre a fragilidade de seu caixa e teve que ser vendido ao JP Morgan por valor irrisório, de apenas US$ 236 milhões.
"Este primeiro estágio da crise deixou o sistema financeiro bastante enfraquecido", relatou a instituição. No entanto, cabe lembrar que neste ponto as principais economias do planeta já estavam sendo fortemente contaminadas pelas implicações dos problemas de crédito, o que nos leva ao segundo estágio da crise apontado pelo banco.
Impactos começam a ser sentidos
Conforme destaca o relatório, os impactos da crise no lado real da economia começaram a ser sentidos com mais intensidade nesta fase, deixando a impressão - que meses mais tarde se confirmaria - de que importantes potências, como os Estados Unidos, encontravam-se na iminência de um temido quadro recessivo.
Não obstante, em meio às crescentes preocupações com o rumo da economia, a confiança dos investidores não saiu ilesa e despencou para patamares que há muito não se viam, fazendo com que a crise alcançasse o terceiro estágio apontado pelos analistas da instituição.
Foi durante esta etapa que os problemas enfrentados pelo Lehman Brothers culminaram no maior pedido de concordata da história corporativa norte-americana, o que, segundo o BIS, ampliou ainda mais a já elevada aversão ao risco nos mercados, além de revelar uma postura surpreendente do Federal Reserve, que rejeitou conceder garantias para a compra do banco falido pelo britânico Barclays.
Também nesta fase diversos bancos centrais anunciaram uma série de esforços para combater a falta de liquidez nos mercados. Indo desde a criação de linhas de auxílio às instituições problemáticas até os tradicionais cortes nos juros básicos, as medidas não tiveram a eficácia esperada, mas foram capazes de amenizar os impactos causados pela bolha de crédito.
Governos intervêm
A partir daí, teve início a quarta etapa da crise, conforme destaca o BIS. Nela, apesar da manutenção das incertezas em torno do setor financeiro e da possibilidade de um aprofundamento da recessão global, os mercados foram beneficiados com o anúncio de novas ações - desta vez sem precedentes - pelos governos das principais economias do planeta, o que renovou os ânimos dos investidores com relação a uma provável melhora do deteriorado cenário econômico.
Dentre elas, os analistas destacaram o pacote de socorro de US$ 700 bilhões anunciado pelo governo norte-americano, na época ainda presidido por George W. Bush, além da ação coordenada de bancos centrais em todo o mundo para cortes em suas respectivas taxas básicas de juro, medidas inéditas que acabaram provendo liquidez e reduzindo as tensões no mercado.
No entanto, mesmo com os benefícios das intervenções governamentais, o cenário ainda era digno de preocupação. Nos meses que se seguiram, a maioria dos indicadores econômicos divulgados continuou decepcionando as projeções, o que fez com que as bolsas enfrentassem uma volatilidade como há muito não se via. Este foi o retrato dos mercados até meados de março deste ano, quando a crise entrou no último estágio apontado pelo BIS.
Retomada dos ganhos
Nesta fase, que vem durando até os dias de hoje, a euforia com mais uma rodada de medidas anunciadas pelo governo norte-americano, com amplo destaque ao programa de compra de Treasuries do Federal Reserve, finalmente foi capaz de fomentar uma maior tomada de risco por parte dos investidores, permitindo assim a retomada dos ganhos à renda variável em âmbito global.
No que diz respeito à economia, a percepção de boa parte dos especialistas com relação aos últimos números divulgados, conforme destaca o relatório do banco, é de que o ciclo de contração global está muito próximo de se encerrar, embora também exista a expectativa de que a recuperação deva ser mais lenta do que a registrada em recessões anteriores.
Dito isto e ainda tendo em vista o bom desempenho da renda variável no primeiro semestre do ano, cabe aos investidores aguardarem se o movimento terá sequência ou não. Por enquanto, fica a dica dos especialistas de que os períodos de crise, como o atual, costumam trazer consigo oportunidades interessantes de investimento.