Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
O primeiro semestre superou qualquer projeção traçada lá no final de 2008. Com valorização de 37% desde janeiro, o Ibovespa chegou a outro patamar, não precifica mais aquele cenário nebuloso que a crise sugeria. Mas no meio do caminho até sua máxima histórica, é consenso que muito ainda precisa melhorar.
No pontapé inicial do segundo semestre, as projeções são inevitáveis. Ainda resta potencial para as ações subirem ou a perspectiva é de correção, de um ajuste mais agressivo que os 3% de recuo acumulados pelo Ibovespa em junho?
Dúvida
Tratando-se da vulnerabilidade dos mercados nos últimos meses, a falta de consenso também é inevitável. "Os fundamentos e medidas de volatilidade estão apontando alta para o mercado. Você perdeu um pouco do ímpeto, mas provavelmente ire recuperá-lo durante o verão", afirmou à CNBC Tobias Levkovich, do Citi.
De fato, indicadores importantes como o Vix (Volatility Index) voltaram a seus níveis pré-crise. É um sinal que a resistência do mercado agora é outra. Mas é apenas um sinal, ou alguns. Do outro lado, diversos setores da economia ainda custam a mostrar melhora, além do tal ímpeto, que na bolsa brasileira pode ser associado ao fôlego dos estrangeiros no segundo trimestre; que parece não ser mais o mesmo.
Estabilização, não recuperação
Outra questão importante foi levantada por Howard Silverblatt, da Standard & Poor's, ao portal MarketWatch. "A retomada está começando a parecer mais como estabilização, não aquela recuperação em 'V'". A afirmação de Silverblatt resgata a ideia de que o mercado pode experimentar uma recuperação mais num formato de "anzol", ou seja, não chegue aos níveis verificados anteriormente.
A agência de classificação de risco Moody's já projetou algo semelhante. Caso se concretize, este formato de recuperação da economia sugere que o mercado pode não voltar para os níveis anteriores à crise, mas se estabilizar no meio do caminho, ou próximo dele.
Após o salto, a cautela
Na falta de consenso, alguns analistas já preferem estratégias mais cautelosas. "Existem sinais positivos, mas isso pode ser efeito dos incentivos governamentais", aponta o BNP Paribas, em relatório. A injeção de liquidez na economia pode ter fornecido muito do fôlego do mercado nos últimos meses, além dos sinais de melhoria da economia. Mas as consequências, invariavelmente, incluem elevados déficits públicos a serem administrados.
"O mercado precifica que a economia mundial caminha para uma normalidade. E a economia real ainda não transmite essa segurança", alerta o BNP. Depois de um semestre positivo, vem a cautela.
Menos ações
"Não descartamos uma nova onda de mercado ruim pela frente. A exposição em ações dever ser baixa (algo próximo à 10% do portfólio), até por que o preço dos ativos está num patamar elevado e deixa embutido um prêmio muito pequeno a se capturar, não compensando os riscos", conclui a instituição.
A ideia de reduzir a exposição não é exclusividade do BNP. Também de um lado mais conservador, o Bradesco adota discurso semelhante. "Mantemos uma visão cautelosa sobre o mercado brasileiro, devido ao limitado potencial de valorização de curto prazo e riscos relevantes (fluxo de notícias negativas e potenciais) que podem levar a uma correção temporária do mercado".
O primeiro semestre superou qualquer projeção traçada lá no final de 2008. Com valorização de 37% desde janeiro, o Ibovespa chegou a outro patamar, não precifica mais aquele cenário nebuloso que a crise sugeria. Mas no meio do caminho até sua máxima histórica, é consenso que muito ainda precisa melhorar.
No pontapé inicial do segundo semestre, as projeções são inevitáveis. Ainda resta potencial para as ações subirem ou a perspectiva é de correção, de um ajuste mais agressivo que os 3% de recuo acumulados pelo Ibovespa em junho?
Dúvida
Tratando-se da vulnerabilidade dos mercados nos últimos meses, a falta de consenso também é inevitável. "Os fundamentos e medidas de volatilidade estão apontando alta para o mercado. Você perdeu um pouco do ímpeto, mas provavelmente ire recuperá-lo durante o verão", afirmou à CNBC Tobias Levkovich, do Citi.
De fato, indicadores importantes como o Vix (Volatility Index) voltaram a seus níveis pré-crise. É um sinal que a resistência do mercado agora é outra. Mas é apenas um sinal, ou alguns. Do outro lado, diversos setores da economia ainda custam a mostrar melhora, além do tal ímpeto, que na bolsa brasileira pode ser associado ao fôlego dos estrangeiros no segundo trimestre; que parece não ser mais o mesmo.
Estabilização, não recuperação
Outra questão importante foi levantada por Howard Silverblatt, da Standard & Poor's, ao portal MarketWatch. "A retomada está começando a parecer mais como estabilização, não aquela recuperação em 'V'". A afirmação de Silverblatt resgata a ideia de que o mercado pode experimentar uma recuperação mais num formato de "anzol", ou seja, não chegue aos níveis verificados anteriormente.
A agência de classificação de risco Moody's já projetou algo semelhante. Caso se concretize, este formato de recuperação da economia sugere que o mercado pode não voltar para os níveis anteriores à crise, mas se estabilizar no meio do caminho, ou próximo dele.
Após o salto, a cautela
Na falta de consenso, alguns analistas já preferem estratégias mais cautelosas. "Existem sinais positivos, mas isso pode ser efeito dos incentivos governamentais", aponta o BNP Paribas, em relatório. A injeção de liquidez na economia pode ter fornecido muito do fôlego do mercado nos últimos meses, além dos sinais de melhoria da economia. Mas as consequências, invariavelmente, incluem elevados déficits públicos a serem administrados.
"O mercado precifica que a economia mundial caminha para uma normalidade. E a economia real ainda não transmite essa segurança", alerta o BNP. Depois de um semestre positivo, vem a cautela.
Menos ações
"Não descartamos uma nova onda de mercado ruim pela frente. A exposição em ações dever ser baixa (algo próximo à 10% do portfólio), até por que o preço dos ativos está num patamar elevado e deixa embutido um prêmio muito pequeno a se capturar, não compensando os riscos", conclui a instituição.
A ideia de reduzir a exposição não é exclusividade do BNP. Também de um lado mais conservador, o Bradesco adota discurso semelhante. "Mantemos uma visão cautelosa sobre o mercado brasileiro, devido ao limitado potencial de valorização de curto prazo e riscos relevantes (fluxo de notícias negativas e potenciais) que podem levar a uma correção temporária do mercado".