segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Crise corrente denota diferença entre operadores, investidores e economistas

Por: Rodolfo Cirne Amstalden

As peculiaridades da crise atual permitem uma comparação curiosa entre os estereótipos que se movimentam dentro do conceito abstrato de mercado financeiro. Operadores, investidores e economistas são três classes bastante particulares, afirma a consultoria First Trust.

* Traders
Operadores usam recursos próprios - e dos outros - para financiar estratégias de curto prazo. Fazem isso com a ajuda de ferramentas de análise técnica como números de Fibonacci e médias móveis. E envolvem-se profundamente na psicologia do mercado, com menor ou maior grau de consciência.

Pouco importa aos traders se os fundamentos são bons ou ruins. Afinal, pondera a First Trust, "eles conseguem fazer dinheiro de qualquer maneira". Ou perder dinheiro de qualquer maneira. Independente da direção do vetor, a intensidade é sempre considerável.

* Investidores
Conforme a definição da consultoria, investidores empregam seu capital em participações corporativas que prometem ganhos seguros e acima da média no longo prazo. Fazem isso buscando oportunidades para comprar na baixa, vender na alta e colecionar dividendos.

Pouco importa aos investidores se a bolsa desenha novos fundos e topos. Eles estão mais preocupados com fluxos de caixa a valor presente, retorno sobre investimentos, múltiplos e margens operacionais. Nenhuma crise pode desafiar convergências rumo a um bom quociente. É só questão de tempo.

* Economistas
Os economistas - ou Cientistas Econômicos - preferem debates sobre base monetária, empreendedorismo, balança comercial, produtividade do trabalho e hiato do produto. Normalmente citando algum ícone como Adam Smith, Keynes ou Milton Friedman.

Mas não importa quão abstrato seja o conceito, ou quantas diferentes posições ele permita, qualquer construção teórica precisa, uma hora ou outra, ver testada sua capacidade preditiva. Freqüentemente, o resultado é triste. "Economistas surgiram na Terra para fazer as previsões de tempo parecerem profissionais", diz a anedota lembrada pela First Trust.

De onde vem o pessimismo?
Operadores, investidores e economistas pensam, falam e reagem frente a fatores econômicos. No entanto, o grau de rigor varia consideravelmente de acordo com a classe. "Se traders e investidores apostam em uma recessão nos EUA, isso não significa que os economistas concordam", destaca a First Trust.

A consultoria destaca que os economistas entrevistados pelo jornal USA Today esperam que o PIB (Produto Interno Bruto) do país cresça 1,6% em 2008. Outras estatísticas, reunidas pela Bloomberg, apontam que apenas 12 de 62 economistas consultados projetam dois trimestres consecutivos de contração no PIB dos EUA.

Apesar disso, o portal de apostas www.tradesports.com, que oferece uma plataforma para julgar assuntos cotidianos, indica probabilidade de 67% ao cenário de recessão.

Na opinião da consultoria, um percentual tão elevado não pode ter sido inspirado pela posição moderada dos economistas. Prevalece a postura pessimista dos traders e investidores, que são voz dominante no mercado financeiro e na imprensa.

Se os economistas estiverem certos...
A First Trust chama atenção para o padrão histórico das grandes crises financeiras mundiais. Quedas no preço dos ativos e dificuldades de financiamento são problemas graves. Contudo, ambos só levaram à recessão quando acompanhados de política monetária ou fiscal contracionista, o que não é o caso.

De tal reflexão, a consultoria deduz que os operadores e investidores estão formando um consenso exageradamente trágico. Se os economistas estiverem certos dessa vez, propõe a First Trust, o mercado está barato.