segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Princípios para a liderança

Por Stephen Covey

Para unir facções, integrar culturas, fundir companhias, liderar nações divididas, corporações ou times, você precisa exercitar sua liderança moral. Minha experiência com líderes ensinou a importância de viver e liderar de acordo com princípios.

Coréia do Sul. O presidente Kim viveu anos difíceis no exílio. Certa vez, foi colocado num saco cheio de pedras e jogado no Mar da China – milagrosamente, foi resgatado por um helicóptero. Depois de muitas dificuldades, depois de perder duas eleições, Kim foi eleito presidente e perdoou o Estado e seus inimigos. Conversamos sobre liderança centrada em princípios e ele me disse: “Até que você esteja preparado para morrer pelo que acredita, você não sabe se aquilo são mesmo seus princípios”. Houve um momento em que seus opositores lhe ofereceram a presidência – uma presidência simbólica –, mas Kim recusou. Ameaçaram matá-lo e ele disse: “Então me matem e eu morro de uma vez. Porque, se cooperar com vocês, vou morrer 100 vezes todo dias, pelo resto da vida”.

Heróis americanos. Participei de uma festa em honra a veteranos de guerra, homens que um dia estiveram preparados para morrer por seus princípios. Alguns tinham apenas 19 anos quando foram para a batalha, não sabiam nada, a não ser que deviam fazer o que era certo. A vida deles foi dedicada ao país e à família, e eles estavam prontos para morrer pelo que acreditavam. Perguntei a mim mesmo: “Estou preparado para morrer por meus ideais? O que estou disposto a sacrificar?” Porque sacrifício e serviço são quase sempre o denominador comum da autoridade moral.

Israel e Egito. Anwar Sadat uma vez me disse: “Quem não pode mudar o material de que seus pensamentos são feitos não pode mudar a realidade e nunca fará nenhuma contribuição significativa”. Sua esposa me contou como foi que ele, presidente do Egito, mudou de idéia, tomou a iniciativa de paz e foi à Jerusalém: “Eu disse a ele que assim perderia o apoio do mundo árabe”, contou-me ela. Ao que Sadat respondeu: “Talvez, mas isso é o que precisa ser feito, e eu vou fazer.” A senhora Sadat ainda insistiu: “Você vai acabar com sua vida!” Sadat foi firme: “Minha vida não vai ficar mais longa ou mais curta do que está predeterminado.” Nesse momento, ela percebeu como o marido estava envolvido com seus princípios e porque não iria desistir.

Mais tarde, perguntei à senhora Sadat como foi a volta para o Egito depois de tudo. Ela respondeu: “Normalmente, levávamos 30 minutos do aeroporto até em casa. Nesse dia foram mais de 3 horas, porque havia milhares de pessoas nos saudando nas ruas”. Se você, como um líder, estiver disposto a fazer sacrifícios, isso sensibilizará as pessoas e elas o seguirão. Esse é o legado da liderança moral.

Aqui estão quatro lições que eu aprendi com líderes mundiais.

1) Para ter liderança moral é preciso fazer sacrifícios pessoais significativos pelo bem comum. É fácil encontrar fundadores que fizeram isso, pois eles passaram por sacrifícios que realmente checam se você está disposto a morrer por seus princípios.

2) Esforços pessoais são pré-requisitos para algo significativo na vida e nos negócios. Vencer as batalhas pessoais, passar por esses obstáculos, nos dá força para fazer os grandes trabalhos.

3) As vitórias particulares tornam possíveis as outras vitórias. Até que as pessoas tenham lutado e vencido a guerra com suas próprias armas, elas continuarão capitulando e se escondendo diante de situações-teste. Mas, se já tiverem sido testadas internamente, isso garantirá a força emocional para elas viverem suas vitórias públicas.

4) Fazendo a coisa certa logo de início, você evita acordos destrutivos. Como Peter Drucker disse, ”primeiro você tem de perguntar o que é certo, depois o que é possível – sempre nessa ordem”. Algumas pessoas só perguntam o que é possível e nunca se importam com a outra pergunta. Se você se perguntar o que é certo, você vai saber quais acordos são apropriados.