Papéis esquecidos podem dar muito prejuízo e demorar meses até que o dinheiro aplicado seja recuperado
Nathália Ferreira - AE
Já ouviu falar em “caçadores de micos”? No mercado de ações existem vários. São aqueles investidores que mantém uma carteira de ações variada, mas, dentre os papéis, têm pelo menos um par de ações que ni nguém quer, com poucos negócios em Bolsa e com um alto risco de prejuízo. Conhecidas no mercado como “mico”, essas ações podem demorar anos para dar algum retorno, quando chegam a apresentar valorização. Esses “caçadores”, no entanto, não se importam em ver a ação despencar e continuam acreditando na grande virada, que é quando, esperam eles, a ação vai apresentar um ganho extraordinário.
O publicitário Samuel de Oliveira Sousa, de 50 anos, pode ser considerado um caçador de “micos” na Bolsa. Ele costuma reservar uma pequena parcela de suas aplicações – até R$ 3 mil – em papéis que estão totalmente fora do radar da maioria dos investidores, embora não necessariamente a ação seja ruim. Entre as apostas extremamente arriscadas, ele tem na carteira ações da Pronor Petroquímica, da Kepler Weber, das Indústrias JB Duarte e da Fábrica de Tecidos Carlos Renaux.
“Tenho que apostar nas ações que ninguém quer. De repente, um dia esses papéis ‘aco rdam’, mesmo que por especulação”, conta o investidor, que já investe na Bolsa há dois anos.
Em geral, as apostas nos micos acontecem com uma perspectiva de curto prazo, por mera constatação de que, em determinado período, o papel subiu muito e isso pode voltar a acontecer. “Comprei as ações da Pronor na euforia, pois achei que fossem subir. Mas, desde que eu comprei, o papel só caiu”, conta o publicitário. No caso deste “mico”, ele se rendeu aos fatos, decidiu amargar o prejuízo e vendeu as ações a R$ 2,25, mesmo tendo comprado o papel a R$ 2,80. “Desisti de esperar a alta, o papel estava muito travado, sem liquidez (pouca negociação)”.
As ações da Kepler e da JB Duarte continuam na carteira do investidor, que aproveitou os sucessivos recuos dos papéis para comprar mais. Já a aplicação na empresa têxtil Carlos Renaux foi para o longo prazo. Com base no preço que o publicitário compr ou cada ação, o prejuízo com os papéis da Kepler está em torno de 63%, com as ações da JB Duarte, em 18%. Apenas com as ações da Carlos Renaux o investidor já tem algum retorno, de 9%.
Lição aprendida
Os investidores que compram micos acreditam que podem ganhar muito com as ações em apenas um dia, já que, por serem de pouca negociação, qualquer movimentação pode provocar valorizações expressivas. Mas, como a chance de prejuízo é bem maior, a experiência com o mico pode ser suficiente para que nunca mais seja feita outra aposta desse tipo. É o caso do investidor Anderson Ferreira da Luz, de 22 anos.
Anderson é formado em gestão financeira e já aproveita seus conhecimentos para cuidar de investimentos de amigos. Em agosto do ano passado, seu “faro” acusou que as ações das Indústrias JB Duarte poderiam render um bom lucro, já que poucos meses antes o papel teve forte repique. Mas isso não aconteceu.
“Comprei por especulação, mas o preço já caiu bastante depois disso. Mas, tenho fé que vou recuperar o investimento um dia”, diz Anderson, que não pensa em assumir o prejuízo e vender a ação, pois “não compensa nem pelos gastos de corretagem”.
Segundo o investidor, a perda foi suficiente para fazer com que ele nunca mais invista em qualquer ação que não seja de primeira linha. “Foi meu único e último mico. Agora, só invisto em blue chips (ações negociadas no Índice Bovespa), nem mesmo em small caps (ações que apresentam pouca negociação em Bolsa e não fazem parte do Ibovespa)”, promete Anderson.
Nathália Ferreira - AE
Já ouviu falar em “caçadores de micos”? No mercado de ações existem vários. São aqueles investidores que mantém uma carteira de ações variada, mas, dentre os papéis, têm pelo menos um par de ações que ni nguém quer, com poucos negócios em Bolsa e com um alto risco de prejuízo. Conhecidas no mercado como “mico”, essas ações podem demorar anos para dar algum retorno, quando chegam a apresentar valorização. Esses “caçadores”, no entanto, não se importam em ver a ação despencar e continuam acreditando na grande virada, que é quando, esperam eles, a ação vai apresentar um ganho extraordinário.
O publicitário Samuel de Oliveira Sousa, de 50 anos, pode ser considerado um caçador de “micos” na Bolsa. Ele costuma reservar uma pequena parcela de suas aplicações – até R$ 3 mil – em papéis que estão totalmente fora do radar da maioria dos investidores, embora não necessariamente a ação seja ruim. Entre as apostas extremamente arriscadas, ele tem na carteira ações da Pronor Petroquímica, da Kepler Weber, das Indústrias JB Duarte e da Fábrica de Tecidos Carlos Renaux.
“Tenho que apostar nas ações que ninguém quer. De repente, um dia esses papéis ‘aco rdam’, mesmo que por especulação”, conta o investidor, que já investe na Bolsa há dois anos.
Em geral, as apostas nos micos acontecem com uma perspectiva de curto prazo, por mera constatação de que, em determinado período, o papel subiu muito e isso pode voltar a acontecer. “Comprei as ações da Pronor na euforia, pois achei que fossem subir. Mas, desde que eu comprei, o papel só caiu”, conta o publicitário. No caso deste “mico”, ele se rendeu aos fatos, decidiu amargar o prejuízo e vendeu as ações a R$ 2,25, mesmo tendo comprado o papel a R$ 2,80. “Desisti de esperar a alta, o papel estava muito travado, sem liquidez (pouca negociação)”.
As ações da Kepler e da JB Duarte continuam na carteira do investidor, que aproveitou os sucessivos recuos dos papéis para comprar mais. Já a aplicação na empresa têxtil Carlos Renaux foi para o longo prazo. Com base no preço que o publicitário compr ou cada ação, o prejuízo com os papéis da Kepler está em torno de 63%, com as ações da JB Duarte, em 18%. Apenas com as ações da Carlos Renaux o investidor já tem algum retorno, de 9%.
Lição aprendida
Os investidores que compram micos acreditam que podem ganhar muito com as ações em apenas um dia, já que, por serem de pouca negociação, qualquer movimentação pode provocar valorizações expressivas. Mas, como a chance de prejuízo é bem maior, a experiência com o mico pode ser suficiente para que nunca mais seja feita outra aposta desse tipo. É o caso do investidor Anderson Ferreira da Luz, de 22 anos.
Anderson é formado em gestão financeira e já aproveita seus conhecimentos para cuidar de investimentos de amigos. Em agosto do ano passado, seu “faro” acusou que as ações das Indústrias JB Duarte poderiam render um bom lucro, já que poucos meses antes o papel teve forte repique. Mas isso não aconteceu.
“Comprei por especulação, mas o preço já caiu bastante depois disso. Mas, tenho fé que vou recuperar o investimento um dia”, diz Anderson, que não pensa em assumir o prejuízo e vender a ação, pois “não compensa nem pelos gastos de corretagem”.
Segundo o investidor, a perda foi suficiente para fazer com que ele nunca mais invista em qualquer ação que não seja de primeira linha. “Foi meu único e último mico. Agora, só invisto em blue chips (ações negociadas no Índice Bovespa), nem mesmo em small caps (ações que apresentam pouca negociação em Bolsa e não fazem parte do Ibovespa)”, promete Anderson.