Claudio de Souza - O Globo Online
Com a obtenção do grau de investimento da Standard & Poor´s (S&P), analistas começaram a prever que as chamadas 'small caps' - ações de empresas de menor porte e também com menor liquidez - serão mais beneficiadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) com a melhora da classificação do país do que os papéis mais negociados e mais tradicionais do mercado, as chamadas blue chips.
A pedido do Globo Online, cinco corretoras indicaram as duas small caps que consideram mais promissoras diante deste novo cenário da Bovespa. Entre os potenciais de ganho estimados pelas corretoras estão percentuais de mais de 90%, bem mais elevados do que os das blue chips, que, por outro lado, têm maior liquidez e, em geral, menor risco.
O motivo é que as blue chips brasileiras, em sua maioria, já tinham a classificação de grau de investimento e, portanto, acesso mais fácil ao financiamento internacional. Para as "small caps", o grau de investimento do país aumentou a possibilidade de a empresa se financiar com o investidor externo.
O analista de investimentos em "small caps" da Unibanco Corretora, André Rocha, ressalta, no entanto, que não existe uma regra única de que as "small caps" irão se valorizar mais do que as blue chips. Ele lembra que a perspectiva dependerá do setor, das características e da situação de cada empresa.
Entre as "small caps", Rocha indica as ações da fabricante de tubos de aço para a indústria de petróleo e gás Confab (CNFB4) e da indústria de telhas Eternit (ETER3). Ele justifica a escolha da primeira pela elevada demanda que os investimentos da Petrobras no país estão gerando, além de o setor estar aquecido em todo o mundo.
- A empresa já tem 94% da sua capacidade de produção em 2008 (500 mil toneladas de tubos) ocupadas com encomendas. Para 2009, esse percentual já é de 74%. Além disso, as ações ainda estão com preços atrativos - afirmou o analista, que estima o preço-alvo dos papéis em R$ 8,50, no fim do ano.
Já para a Eternit, Rocha explica que os produtos da empresa são destinados principalmente à construção civil para baixa renda, cuja demanda também está muito forte no país. Além disso, ele lembra que a empresa detém uma mina de amianto em Goiás e tem boas perspectivas de exportações do produto, já que o principal concorrente mundial do Brasil, o Zimbábue, está com problemas para manter as vendas externas. Rocha ressalta ainda que a empresa é excelente pagadora de dividendos, com uma perspectiva de remunerar seus acionistas neste ano com 8,3% do valor das ações e, no ano que vem, 11,7%. A Unibanco Corretora elevou recentemente o preço-alvo da ETER3, para R$ 14,00.
Já o economista-chefe da Ágora Corretora, Álvaro Bandeira, indica as ações da fabricante de computadores Positivo (POSI3) e da Bematech (BEMA3), fornecedora de software e hardware para redes de varejo. Para a primeira, Bandeira explica que as perspectivas de demanda são excelentes devido aos programas de inclusão digital e à expansão da renda no país. Já a Bematech é beneficiada pelo aumento do consumo no Brasil, que gera o crescimento das redes varejistas. A corretora estima um preço-alvo para dezembro deste ano de R$ 38,00, para a POSI3, e de R$ 16,23, para a BEMA3.
As indicações do gestor de fundos da Corretora Umuarama, Rafael Moyses, são das ações da Kepler Weber (KEPL3), empresa do setor metal-mecânico que fornece sistemas de armazenagem de grãos, que tem boas perspectivas devido ao crescimento do agronegócio no Brasil. A segunda indicação do gestor é a Log-In (LOGN3), empresa da Vale para a área de logística, setor que também está em franca expansão, segundo Moyses. As estimativas de preços do analista para as duas ações em dezembro são de R$ 0,90 e R$ 18,00.
O gestor da Umuarama lembra ainda que as blue chip já estão bastante valorizadas porque já têm sido alvo dos investidores antes do grau de investimento. Já as "small caps" moyses lembra que só começaram a ter valorização expressiva após a classificação da S&P.
- Agora que os investidores estão olhando mais para as "small caps", para as ações segunda e terceira linhas. Primeiro, eles investiram nas "blue chips", agora começam a prestar atenção nas "small caps" - afirmou.
Umas das sugestões de Moyses coincidiu com uma indicação da Link Corretora, a Log-In (preço-alvo também de R$ 18,00). A outra sugestão da Link foi a Totvs (TOTS3, com preço estimado para dezembro em R$ 78,00), companhia de software de gestão empresarial. Segundo a Link, a Log-In se beneficia da diversificação de negócios e das perspectivas de crescimento em todos os segmentos de logística em que atua. Segundo a corretora, a Log-In é hoje a principal empresa integrada no transporte de contêineres, com operação nos principais portos brasileiros, sendo a única do setor a atuar em toda a cadeia de transportes, incluindo terminal de contêineres, navegação costeira, transporte ferroviário, ponta rodoviária e armazenagem. Além disso, ele lembra do agressivo plano de expansão de frota e financiamento do Fundo da Marinha Mercante (FMM), que deverão alavancar a companhia operacional e financeiramente.
A Link justifica ainda a escolha da Totvs afirmando que a companhia está muito bem posicionada em um setor que deverá responder com taxas de crescimento expressivas às mudanças na conjuntura econômica do país. Além disso, lembra a Link, o processo de consolidação, impulsionado pela oportunidade de novas aquisições estratégicas, ampliará a rede de distribuição da companhia.
Já as indicações da Planner Corretora são a produtora de motores Weg e a fabricante de chassis e rodas Iochpe-Maxion. O analista Ricardo Martins conta que as perspectivas para a demanda dos produtos da Weg, que é a maior fabricante na América Latina de motores (abrange desde motores elétricos de pequeno porte para eletrodomésticos, até grandes motores utilizados em vários setores industriais), são excelentes, com destaque para o setor de energia elétrica.
Para a indicação da Iochpe-Maxion, Martins justifica que permanecem aquecidos os setores de atuação da empresa, que é a maior fabricante nacional de rodas e chassis para veículos comerciais e que atua também no setor de equipamentos ferroviários. Ainda em 2008, a empresa deverá iniciar as operações da sua unidade industrial na China, totalmente destinada a exportação.
"Seus segmentos de atuação mantêm-se aquecidos, conforme observa-se nas estatísticas da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Automóveis) sobre produção de ônibus e caminhões. Há ainda a retomada da demanda por vagões ferroviários de carga a partir do 4º trimestre de 2007, cujas expectativas devem ser mantidas para os próximos anos", informou o analista, que não forneceu as estimativas de preços para as ações recomendadas.