segunda-feira, 26 de maio de 2008

Empréstimos bancários devem crescer, apesar de encarecimento

Por: Tabata Pitol Peres

Os saldos de empréstimos bancários devem continuar registrando elevados números de crescimento nos próximos dois anos, apesar do encarecimento no crédito concedido e de um menor crescimento da atividade econômica brasileira. A afirmação é da análise semanal publicada pela Tendências Consultoria.

Isso porque, de acordo com os analistas, a evolução dos empréstimos bancários faz parte de um processo mais amplo de aprofundamento financeiro, propiciado pelo ambiente de estabilidade macroeconômica que tem caracterizado a economia brasileira em um passado recente.

Para se ter uma idéia, o estoque de empréstimos para pessoas físicas chegou a R$ 337,7 milhões em março, ou seja, 28% a mais que no mesmo período do ano passado. Além disso, o relatório ressalta que as boas notícias não se limitaram ao rápido crescimento dos saldos de empréstimos, abrangendo o processo de alongamento de prazos. O termo médio de empréstimo de 450 dias corridos equivale a um acréscimo de quase cinco meses em relação a 2004.

Encarecimento
No entanto, o relatório afirma que é preciso atenção aos indicadores que sugerem o início de um processo de encarecimento dos empré
stimos bancários no Brasil, que terá muita influência no cenário de crédito ainda em 2008.

Novas pressões altistas sobre os spreads bancários devem surgir a partir de maio, como resultado do aumento da CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) de 9% para 15%. Além disso, dados do Banco Central revelam um aumento nas taxas de captação de recursos. Os créditos liberados para pessoas físicas, por exemplo, tiveram elevação de 0,5 p.p. nas taxas médias de março, resultado de uma escassez relativa de recursos em um ambiente de crescente demanda.

Porém, a elevação da taxa Selic em 0,5 p.p. no último dia 17 de abril deve ser a pressão mais relevante sobre o custo do crédito e deve refletir já nos dados de abril. Segundo projeções da Tendências, este movimento representa o início de um ciclo de aperto monetário que deverá culminar em uma alta de 3% da taxa básica neste ano.

Perspectiva
A situação deverá se reverter apenas a partir de setembro do próximo ano, quando a autoridade monetária deverá voltar a alternar a taxa de juros básica da economia, acumulando baixa de 0,75 p.p. em 2009.

Ainda de acordo com a análise, mesmo como encarecimento dos empréstimos bancários, os condicionantes de atividade econômica são ainda positivos. Somado à continuidade do processo de alongamento dos prazos dos empréstimos bancários e ao comportamento moderado dos níveis de inadimplência, o cenário para o mercado de crédito no brasil continua bastante favorável.