terça-feira, 20 de maio de 2008

Menor demanda pode virar o jogo contra siderúrgicas, tornando-as 'caras' demais

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira

Sólida demanda, crescimento exponencial das vendas de automóveis, forte desenvolvimento da construção civil e, por fim, reajustes de preço expressivos. Se tratando destas premissas, vem em mente imediatamente o setor siderúrgico e seu desempenho surpreendente na bolsa brasileira.

Para se ter uma idéia, as três grandes do segmento respondem exatamente pelas três maiores valorizações registradas entre todos os integrantes do Índice Bovespa desde o início do ano.

Am
parados pelo cenário descrito no início, os papéis de Gerdau (GGBR4), Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3) acumulam ganho médio de 63% apenas em 2008, excluídas as altas estratosféricas do ano passado.

Mas até quando vai perdurar este movimento? Ainda há espaço para ganhos? A opinião dos analistas do Santander traz viés negativo a ambas as perguntas. E não somente do argumento de que as ações "já se encontram justamente precificadas" vem esta postura; o setor pode passar por um enfraquecimento nos fundamentos, avalia a instituição.

Fundamentos comprometidos?
Além de alguns dos principais segmentos "consumidores" de aço se encontrarem próximos de atingirem sua capacidade total, a tendência ascendente do juro básico brasileiro pode pressionar a demanda em um setor de grande dependência do mercado interno.

Esta possível deterioração das condições atuais do setor pesa sobre a análise dos ativos, e não restringe as projeções acerca do preço do aço.

Entre estes argumentos, o Santander aposta que a demanda desacelera a partir do segundo semestre, e o preços só encontrarão espaço em torno de 30% para novos reajustes, margem que pode ser inferior às expectativas já precificadas pelo mercado.

Quem sofre são as ações
Quem sofre são as "valorizadas" ações do segmento. A recomendação do Santander é "fugir" dos ativos brasileiros, que apresentam prêmio excessivo frente aos pares internacionais, especialmente entre as companhias da América Latina.

A maior penalizada é justamente a ação que registra a maior valorização do Ibovespa desde o início do ano: a da Usiminas. Os papéis da siderúrgica foram retirados da lista de top picks do Santander para a América Latina.