segunda-feira, 12 de maio de 2008

Petrobras: analistas desafiam pressentimento ruim com resultados

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira

A espera pelo resultado operacional da Petrobras (PETR4) no primeiro trimestre - a ser divulgado nesta segunda-feira (12) após o fechamento da Bovespa - passa por diversas premissas, mas o investidor que busca pistas sobre o desempenho da estatal no período se depara com um início de ano de poucos avanços produtivos e muitas paralisações em plataformas, fatores que incorporam um viés negativo à divulgação.

Mas diferentemente do sentimento do mercado, o olhar "mais profundo" dos analistas adiciona premissas que podem inverter a situação e oferecer positiva surpresa aos acionistas em meio a esta cautela disseminada pelos balanços mensais de produção.

De modo geral, os analistas consultados acreditam que a combinação entre a redução gradativa das despesas operacionais e o atual patamar de preços do barril do petróleo podem guiar uma recuperação no resultado da empresa, que vem de trimestres anteriores mais "mornos".

E como grande parte do movimento nos mercados é antecipada, o viés negativo trazido pelas recentes informações produtivas pode ser surpreendido, o que mexeria com as ações. "Acreditamos que o balanço do primeiro trimestre pode representar um impulso às ações no curto prazo, dado o sentimento desfavorável que envolve o período", afirma o Santander.

O trimestre da recuperação?
Das sete instituições consultadas, seis apostam na recuperação dos indicadores, com destaque para a evolução média projetada para o lucro líquido do exercício, que segundo a média de projeções, tende a evoluir em mais de 33% na comparação anual. Também em destaque vêm as receitas, cujas apostas relacionam crescimento próximo de 17%.

Mas se a produção não mostra aumento significativo, da onde partem estas apostas? Alguns fatores associados aos períodos são consenso entre os analistas, como a melhoria da estrutura de custos operacionais.

Na visão do banco de investimentos suíço Credit Suisse, as menores despesas gerais e administrativas devem se aliar ao incremento nas receitas provocado pela disparada recente dos contratos de petróleo, norteando o desempenho do período.

A avaliação é compartilhada pelo Santander, que ainda adiciona expectativa de maior equilíbrio dos gastos exploratórios e principalmente financeiros, uma vez que o período aportou avanço mais tímido do real frente ao dólar.

Confira as projeções

(em R$ milhões) Projeção 1T08* 1T07 %
Receita Líquida 45.670 38.894 +17,4%
Ebitda** 12.848 12.631 +1,7%
Lucro Líquido 5.503 4.131 +33,2%
*Projeção média dos analistas de Banif, Ágora, Brascan, Santander, Unibanco, Credit Suisse e Merrill Lynch
**Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização

A instituição mais cautelosa em suas projeções foi o Banif, que disse esperar mais um trimestre fraco, pautado pela queda no volume de vendas e baixa produção. Esta redução nas vendas foi creditada pela instituição às características sazonais do período.

Perspectivas favorecem
Mesmo com posição mais cautelosa, os analistas do Banif reforçaram suas apostas no futuro das ações. As perspectivas continuaram positivas mesmo em meio à expectativa de um trimestre "modesto", com a consideração de que o potencial da área de pré-sal ainda reserva boas surpresas para os acionistas.

Apesar das projeções favoráveis, alguns analistas buscaram relacionar que o impacto do balanço tende a ser limitado sobre os papéis da estatal.

Para o Unibanco, por exemplo, o fluxo de notícias envolvendo a cotação do petróleo no mercado internacional e potenciais descobertas é que deve responder pelo rumo dos ativos em prazo mais dilatado.

Mas que as perspectivas favorecem, é consenso. Nas palavras da Brascan, as ações da companhia devem ser impulsionadas no curto prazo por fatores como a recomposição das reservas via descobertas, estratégia de internacionalização, momento favorável ao preço do petróleo, entre outros.

Bom para as ações
O saldo da análise favorece a empresa e caso confirmado o cenário projetado, as ações tendem a ser as maiores beneficiadas.

A recomendação de "compra" aos papéis é unanimidade entre os analistas, que projetam o preço das ações entre R$ 52,20 - na menor estimativa, do Banif - e R$ 62,10 - na projeção da Brascan.

Caso confirmada a maior projeção, o ganho para o acionista será de 37%, de acordo com o preço das ações no fechamento do pregão da sexta-feira.