quinta-feira, 15 de maio de 2008

Preços dos alimentos devem se estabilizar, diz ministro

De acordo com o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, os preços dos alimentos devem se estabilizar e até diminuir nos próximos dois anos. A previsão foi feita na última segunda-feira (12), durante o 16º Agroex (Seminário do Agronegócio para Exportação), realizado na Fiesp (Federação das Industrias do Estado de São Paulo).

Para Stephanes, o pior da crise dos alimentos já passou. "Acredito que todo o impacto dos alimentos para o aumento da inflação já foi superado (...) As baixas nos preços do trigo e feijão evidenciam essa superação. Já para 2010, vejo um novo patamar para os preços agrícolas".

Para conter preços
Apesar de otimista, o ministro admite que há um desequilíbrio entre a oferta e a demanda por alimentos, uma das principais causas da alta dos preços, e que isso não deve se resolver no curto prazo. Segundo o economista Alexandre Mendonça de Barros, da MB Agro, muitos países estão criando medidas de políticas defensivas para conter possíveis quebras de safra, pois não há produtos em estoque suficiente para suprir essa necessidade.

No Brasil, os estoques de trigo e arroz, por exemplo, estão com 50% de sua capacidade há 10 anos. Com o objetivo de melhorar estes números, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) vem adotando medidas como a criação de uma
nova modalidade de preços mínimos e promovendo leilões de produtos como o arroz.

Entretanto, algumas autoridades não concordam com tais medidas. Para o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), a realização dos leilões prejudica vários segmentos de mercado.

Medida excludente
No que diz respeito ao último leilão de arroz, realizado nesta terça-feira (13), o Senador afirma que as regras que garantem exclusividade de participação para as indústrias de beneficiamento de arroz devidamente cadastradas no Sistema de registro e Controle da Conab, junto à BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros), exclui cerealistas, atacadistas e outros segmentos que não tenham o beneficiamento como atividade principal, mas que se consideram aptos a participar do evento.

"A medida exclui e prejudica (...). Ficou claro, no meu modesto entendimento, que o leilão ficou direcionado para uns poucos que atendem a estes pré-requisitos, o que é questionável", afirmou Virgílio à Agência Senado.

O senador chegou a pedir o cancelamento do leilão, mas não foi atendido.