Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
O retrato das bolsas globais este ano é bem simples: bruscas baixas seguidas de retomadas consideráveis. Mas a atual recuperação dos mercados chama atenção. Esquecido o temor de recessão, certos indicadores mostram algum fôlego da atividade econômica norte-americana, e guiam as ações a um rali surpreendente.
Do meio de março até o final da semana passada, o índice S&P 500 já acumula valorização superior a 12%. Por aqui, o desempenho da bolsa é ainda mais significativo, e tem aliada a obtenção do grau de investimento, que ajudou a impulsionar os ganhos recentes do Ibovespa, mas não surtiria o mesmo efeito sem o 'amparo' de Wall Street.
Uma verdade histórica dos mercados é que os investidores sempre buscam antecipar os movimentos. Esta afirmação remete ao sentimento de que "pior da crise já passou", mas entre esta resposta surpreendente dos índices acionários, será mesmo que o momento econômico já permite tal euforia?
A verdade dos indicadores
Uma análise superficial dos últimos dias traz uma dúvida quanto à sustentabilidade do atual ciclo ascendente das bolsas. Como amostra, o Leading Indicators da segunda-feira (19) parece feito sobre medida. Por compilar diversos indicadores e mostrar avanço, o índice representa esta vertente dos mais otimistas que apostam que a recuperação da economia norte-americana já é realidade.
Mas um olhar mais abrangente traz à tona uma prévia do índice de confiança do consumidor norte-americano em nível não deflagrado havia quase 30 anos, conselhos constantes do Fed aos bancos para levantar capital e seguidos dados apontando deterioração do mercado imobiliário.
A reação do mercado pode ser precipitada? Para os analistas da Merrill Lynch sim. E tem mais, o retrato atual parece para a instituição um "xerox" do movimento dos mercados em 2002. As semelhanças são diversas.
De volta a 2002
Ambos os períodos tiveram um evento específico como marco principal. A queda das torres gêmeas e a possibilidade de guerra derrubou as bolsas no final de 2001, enquanto a "quebra" de um banco de investimentos com 85 anos de história chegou a sugerir uma corrida bancária nos meses anteriores.
Nos dois casos a atuação do Federal Reserve foi agressiva, com cortes consecutivos que levaram a Fed Funds Rate a 1% ao ano no início de 2003, e a rotina de reduções que deixa o patamar atual em 2% ao ano.
Além do juro básico, a aprovação de pacotes de incentivo à atividade econômica, naquela época, chegou a movimentar US$ 15 bilhões apenas para a indústria aérea, o que também remete ao cenário deste ano.
A história se repete?
Entre tais ocorrências, a recuperação do S&P 500 do final de setembro de 2001 até março de 2002 surpreendeu como surpreende o movimento atual. No período delineado, o índice acionário registrou valorização de 21%.
Mas a queda veio em seguida, o que para os analistas da Merrill Lynch evidencia um típico caso de alta guiada pela atuação dos vendedores, e cercada de semelhanças com o momento atual das ações. Depois do avanço, o S&P amargou ajuste de 34% até o começo de outubro de 2002.
O retrato das bolsas globais este ano é bem simples: bruscas baixas seguidas de retomadas consideráveis. Mas a atual recuperação dos mercados chama atenção. Esquecido o temor de recessão, certos indicadores mostram algum fôlego da atividade econômica norte-americana, e guiam as ações a um rali surpreendente.
Do meio de março até o final da semana passada, o índice S&P 500 já acumula valorização superior a 12%. Por aqui, o desempenho da bolsa é ainda mais significativo, e tem aliada a obtenção do grau de investimento, que ajudou a impulsionar os ganhos recentes do Ibovespa, mas não surtiria o mesmo efeito sem o 'amparo' de Wall Street.
Uma verdade histórica dos mercados é que os investidores sempre buscam antecipar os movimentos. Esta afirmação remete ao sentimento de que "pior da crise já passou", mas entre esta resposta surpreendente dos índices acionários, será mesmo que o momento econômico já permite tal euforia?
A verdade dos indicadores
Uma análise superficial dos últimos dias traz uma dúvida quanto à sustentabilidade do atual ciclo ascendente das bolsas. Como amostra, o Leading Indicators da segunda-feira (19) parece feito sobre medida. Por compilar diversos indicadores e mostrar avanço, o índice representa esta vertente dos mais otimistas que apostam que a recuperação da economia norte-americana já é realidade.
Mas um olhar mais abrangente traz à tona uma prévia do índice de confiança do consumidor norte-americano em nível não deflagrado havia quase 30 anos, conselhos constantes do Fed aos bancos para levantar capital e seguidos dados apontando deterioração do mercado imobiliário.
A reação do mercado pode ser precipitada? Para os analistas da Merrill Lynch sim. E tem mais, o retrato atual parece para a instituição um "xerox" do movimento dos mercados em 2002. As semelhanças são diversas.
De volta a 2002
Ambos os períodos tiveram um evento específico como marco principal. A queda das torres gêmeas e a possibilidade de guerra derrubou as bolsas no final de 2001, enquanto a "quebra" de um banco de investimentos com 85 anos de história chegou a sugerir uma corrida bancária nos meses anteriores.
Nos dois casos a atuação do Federal Reserve foi agressiva, com cortes consecutivos que levaram a Fed Funds Rate a 1% ao ano no início de 2003, e a rotina de reduções que deixa o patamar atual em 2% ao ano.
Além do juro básico, a aprovação de pacotes de incentivo à atividade econômica, naquela época, chegou a movimentar US$ 15 bilhões apenas para a indústria aérea, o que também remete ao cenário deste ano.
A história se repete?
Entre tais ocorrências, a recuperação do S&P 500 do final de setembro de 2001 até março de 2002 surpreendeu como surpreende o movimento atual. No período delineado, o índice acionário registrou valorização de 21%.
Mas a queda veio em seguida, o que para os analistas da Merrill Lynch evidencia um típico caso de alta guiada pela atuação dos vendedores, e cercada de semelhanças com o momento atual das ações. Depois do avanço, o S&P amargou ajuste de 34% até o começo de outubro de 2002.