quinta-feira, 5 de junho de 2008

América Latina supera desempenho de emergentes e Brasil é destaque, diz Citi

Por: Nathália A. Terra Pereira

Não é segredo que os emergentes vêm superando o desempenho dos países desenvolvidos, não só no âmbito econômico, mas também na renda variável. E tal tendência deve-se muito à América Latina. Em maio, os principais índices emergentes tiveram uma alta de 1,6%, enquanto que no mercado latino-americano, o acréscimo médio conquistado foi de 9,1%.

Este é o nono mês consecutivo em que o continente supera a performance dos mercados emergentes e da média mundial, que ficou em uma modesta elevação de 1,2% no quinto mês deste ano. Se o mesmo se configurar em junho, iguala-se o recorde atingido em 1997 de uma seqüência de 10 meses.

Novamente, as praças acionárias de Brasil e Argentina foram as principais propulsoras do bom resultado atingido. De acordo com números compilados pelo Citi, a performance nos dois países foi de altas de, respectivamente, 11,4% e 15,6%, no encalço da valorização de cerca de 11% mostrada pela cotação do barril de petróleo.

Investment grade e setores
Mas o mercado brasileiro obteve um diferencial frente ao argentino: a conquista do segundo investment grade por parte da Fitch, necessário para que o País ingressasse de vez no rol dos mercados mais bem quistos pelos investidores estrangeiros. Segundo o Citi, pelo segundo mês consecutivo, todos os grandes setores por aqui obtiveram um resultado positivo em maio, ainda que uns mais que outros.

É o caso dos ativos atrelados a companhias de energia, que subiram em média 19,2% no mês passado, acompanhados logo em seguida pelos papéis de saúde, que mostraram alta de cerca de 18,2%. Em contrapartida, os setores de consumo de bens não-duráveis e industrial obtiveram os piores resultados, mas ainda assim no campo ascendente.

Cautela quanto ao cenário macro
No entanto, a equipe do Citi se mostra cautelosa quanto ao futuro macroeconômico do Brasil, cuja economia continua mostrando sinais divergentes. Em março, as vendas no varejo apresentaram uma alta de 1,8% na passagem mensal, superando projeções, enquanto que, no mesmo período, a produção industrial cresceu apenas 0,4% frente a expectativas do Citi de uma expansão de 1,6%.

"O robusto crescimento das vendas no varejo frente à produção industrial indica que o grande descompasso entre oferta e demanda ainda é um desafio à política monetária", afirma o banco, que citando a continuidade dos riscos inflacionários aposta em uma taxa Selic ao patamar de 13,75% ao ano no final de 2008, o que implica um aumento de 150 pontos-base por vir.