Presidente da estatal diz que produção vai superar demanda interna em 223 mil barris a partir de 2009
Gustavo Paul, Henrique Gomes Batista e Eliane Oliveira - O GLOBO
Antes mesmo do início da produção comercial do pré-sal, a Petrobras será
exportadora líquida de petróleo e derivados. Dados apresentados ontem pelo presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, mostram que, já a partir de 2009, haverá um excedente significativo de óleo, pois a produção vai superar em 223 mil barris a demanda interna. Essa diferença vai crescer anualmente e dará um salto em 2015, quando a exportação será de 475 mil barris por dia.
Segundo Gabrielli, as estimativas levam em conta um crescimento médio do mercado brasileiro entre 4% e 4,5% nos próximos anos. Mesmo com esse ritmo, a produção brasileira de óleo será superior à demanda.
- Estamos falando de um excesso de produção de quase 500 mil barris por dia. Isso nos dá
tranqüilidade em relação à auto-suficiência brasileira - disse Gabrielli.
Hoje a estatal já exporta petróleo e derivados, mas o excedente é pequeno. A Petrobras exporta 621 mil barris/dia de petróleo pesado e derivados, mas importa 594 mil barris/ dia de óleo leve e derivados.
A exportação é necessária pois o país ainda não consegue refinar todo o óleo pesado que produz e
precisa de petróleo leve para suas refinarias.
Com isso, o saldo excedente é de 27 mil barris/dia, só 12% da previsão para 2009. Mas as declarações de Gabrielli foram consideradas muito otimistas pelo especialista do setor Adriano Pires Rodrigues.
Segundo este, desde 2006 a Petrobras não tem conseguido atingir as metas de produção, o que também não deverá ocorrer este ano. A previsão para 2008 é uma produção média de 1,95 milhão de barris diários, e no primeiro semestre a média foi de 1,83 milhão de barris.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), explica, no balanço entre o volume de petróleo e derivados exportados e as importações, no primeiro semestre o país teve déficit de 100 mil barris/ dia, não o superávit apontado pela Petrobras. Pires afirma que, este ano, o país deve voltar a ter déficit de US$ 8 bilhões nas importações de petróleo, depois de ter tido superávits nos últimos três anos.
Reduzir gargalo no refino é desafio para Petrobras Para fazer face ao desafio de se tornar exportadora líquida de petróleo e derivados, Gabrielli ressaltou, no Conselho de Desenvolvimento Econômico e
Social (CDES), a necessidade de aumentar os investimentos.
A estatal, disse, passou de uma média de investimentos de US$ 5,6 bilhões em 2003 para US$ 19,9 bilhões em 2007 e, este ano, deve chegar a US$ 24 bilhões. Até 2012, a média anual será de US$ 19,5 bilhões, mas sem considerar a exploração do pré-sal.
Os megacampos vão aumentar esses investimentos exponencialmente, disse Gabrielli.
Ele citou a necessidade de contratação de 40 navios-sonda até 2017 e 234 embarcações. E disse que as descobertas no présal demandarão a revisão do plano de negócios da Petrobras.
Atualmente, a previsão é de US$ 112 bilhões até 2012.
Além disso, a Petrobras ressalta a necessidade de investimentos em cinco novas refinarias, que
começarão a operar em 2011, e no aumento da capacidade das atuais, que custará US$ 29,6 bilhões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já determinou que o Brasil não deve ser um mero exportador de óleo cru, como os países árabes. Nos últimos dias, a Petrobras apresentou proposta confidencial ao grupo interministerial que estuda as novas regras para o setor, alertando para a necessidade de capitalização da estatal.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, aproveitou para alertar sobre o risco de mudanças nas regras de exploração afastarem investimentos: - Não é necessário que o Estado assuma a exploração, mas que faça a gestão da riqueza de forma adequada.
Gustavo Paul, Henrique Gomes Batista e Eliane Oliveira - O GLOBO
Antes mesmo do início da produção comercial do pré-sal, a Petrobras será
exportadora líquida de petróleo e derivados. Dados apresentados ontem pelo presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, mostram que, já a partir de 2009, haverá um excedente significativo de óleo, pois a produção vai superar em 223 mil barris a demanda interna. Essa diferença vai crescer anualmente e dará um salto em 2015, quando a exportação será de 475 mil barris por dia.
Segundo Gabrielli, as estimativas levam em conta um crescimento médio do mercado brasileiro entre 4% e 4,5% nos próximos anos. Mesmo com esse ritmo, a produção brasileira de óleo será superior à demanda.
- Estamos falando de um excesso de produção de quase 500 mil barris por dia. Isso nos dá
tranqüilidade em relação à auto-suficiência brasileira - disse Gabrielli.
Hoje a estatal já exporta petróleo e derivados, mas o excedente é pequeno. A Petrobras exporta 621 mil barris/dia de petróleo pesado e derivados, mas importa 594 mil barris/ dia de óleo leve e derivados.
A exportação é necessária pois o país ainda não consegue refinar todo o óleo pesado que produz e
precisa de petróleo leve para suas refinarias.
Com isso, o saldo excedente é de 27 mil barris/dia, só 12% da previsão para 2009. Mas as declarações de Gabrielli foram consideradas muito otimistas pelo especialista do setor Adriano Pires Rodrigues.
Segundo este, desde 2006 a Petrobras não tem conseguido atingir as metas de produção, o que também não deverá ocorrer este ano. A previsão para 2008 é uma produção média de 1,95 milhão de barris diários, e no primeiro semestre a média foi de 1,83 milhão de barris.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), explica, no balanço entre o volume de petróleo e derivados exportados e as importações, no primeiro semestre o país teve déficit de 100 mil barris/ dia, não o superávit apontado pela Petrobras. Pires afirma que, este ano, o país deve voltar a ter déficit de US$ 8 bilhões nas importações de petróleo, depois de ter tido superávits nos últimos três anos.
Reduzir gargalo no refino é desafio para Petrobras Para fazer face ao desafio de se tornar exportadora líquida de petróleo e derivados, Gabrielli ressaltou, no Conselho de Desenvolvimento Econômico e
Social (CDES), a necessidade de aumentar os investimentos.
A estatal, disse, passou de uma média de investimentos de US$ 5,6 bilhões em 2003 para US$ 19,9 bilhões em 2007 e, este ano, deve chegar a US$ 24 bilhões. Até 2012, a média anual será de US$ 19,5 bilhões, mas sem considerar a exploração do pré-sal.
Os megacampos vão aumentar esses investimentos exponencialmente, disse Gabrielli.
Ele citou a necessidade de contratação de 40 navios-sonda até 2017 e 234 embarcações. E disse que as descobertas no présal demandarão a revisão do plano de negócios da Petrobras.
Atualmente, a previsão é de US$ 112 bilhões até 2012.
Além disso, a Petrobras ressalta a necessidade de investimentos em cinco novas refinarias, que
começarão a operar em 2011, e no aumento da capacidade das atuais, que custará US$ 29,6 bilhões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já determinou que o Brasil não deve ser um mero exportador de óleo cru, como os países árabes. Nos últimos dias, a Petrobras apresentou proposta confidencial ao grupo interministerial que estuda as novas regras para o setor, alertando para a necessidade de capitalização da estatal.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, aproveitou para alertar sobre o risco de mudanças nas regras de exploração afastarem investimentos: - Não é necessário que o Estado assuma a exploração, mas que faça a gestão da riqueza de forma adequada.