quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Citi lista papéis com boa governança corporativa, destaque em tempos de crise

Por: Vitor Silveira Lima Oliveira

Cada vez mais importante e premiada por investidores, a boa governança corporativa pode ser crucial para o rendimento das ações em um momento ruim dos mercados, revela estudo do Citi, que destaca as melhores empresas brasileiras no quesito.

Respondendo a pesquisa promovida pela instituição, os investidores da América Latina revelaram-se dispostos a pagar prêmio de até 22% em ativos relacionados a companhias pautadas por boas práticas administrativas e de relacionamento com acionistas.

Outperform
Mais que simples discurso, a preferência dos agentes de mercado por papéis diferenciados pode ser verificada pelo desempenho mensal médio superior em 0,4% do IGC (índice de governança corporativa) sobre os papéis da bolsa paulista desde 2002.

Embora reconheçam a dificuldade em realizar medições da governança corporativa, os analistas do Citi elaboraram uma lista com itens considerados importantes para a verificação, a fim de ajudar o investidor na avaliação qualitativa da gestão.

Checklist do Citi:

  • Proteção aos acionistas minoritários quanto à diluição
  • Presença de diretores independentes no Conselho
  • Avaliações formais sobre a direção
  • Sucessão aberta e justa do CEO
  • Compensação em resultados ou em ações
  • Transparência financeira e não-financeira
  • Auditoria independente e confiável
  • Resposta a pedidos de informação por investidores
  • Mínima exposição a ativos de outras empresas
  • Programas de recompra de ações

    No entanto, muito cuidado é recomendado aos que pretendem comprar a idéia, pois a decisão de uma empresa em ser listada no "Novo Mercado" da Bovespa não é garantia de adesão às boas práticas corporativas.

    Nem mesmo regras impostas por autoridades competentes ou organismos de auto-regulação são eficazes para indicar a confiabilidade das empresas, pois "a boa governança deve ser dirigida de baixo para cima, pelos próprios gestores da companhia e membros do conselho de administração", afirmam os analistas.

    Confira os papéis destacados pelo Citi:

    Empresa Código Preço-Alvo Retorno*
    Vale RIO** US$ 46,00 82%
    Itau ITAU4 R$ 44,00 47%
    Bradesco BBDC4 R$ 33,50 17%
    Cemig CMIG4 R$ 49,60 45%
    CPFL CPFE3 R$ 40,40 23%
    CCR CCRO3 R$ 36,00 26%
    Embraer ERJ** US$ 55,00 71%
    Natura NATU3 R$ 23,00 25%
    Ultrapar UGP** US$ 91,00 56%
    Lojas Renner LREN3 R$ 42,00 45%
    *Rendimento total estimado com base no fechamento de 26/08/2008
    **ADR (American Depositary Receipt)

    Todavia, o mercado brasileiro reserva aspectos que dificultam a penetração das boas práticas, como as complexas estruturas de capital - ações com diferentes classes -, falta de direitos de tag-along para acionistas minoritários, pouca transparência e gestões mais voltadas aos interesses dos controladores, especialmente nas chamadas empresas familiares.

    Longo prazo
    Com todas as dificuldades, para os analistas do Citi não restam muitas dúvidas: "Os benefícios de longo prazo de uma boa governança corporativa estão, na maioria dos casos, aumentando o valor da companhia (...), facilitando o acesso a capitais e impulsionando seu crescimento".

    A pesquisa mencionada, realizada em parceria com a consultoria McKinsey, sugere também que os investidores estão dispostos a pagar mais por boa governança nos mercados emergentes que nos desenvolvidos, onde as práticas são consideradas como mais garantidas.

    Em um momento de dificuldades para o mercado acionário, quando a percepção de risco cresce dramaticamente, a manutenção de boas práticas e imagem de gestão corporativa podem ser cruciais para um desempenho diferenciado e a navegação mais tranqüila no instável mar da renda variável.
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