Por: Vitor Silveira Lima Oliveira
Cada vez mais importante e premiada por investidores, a boa governança corporativa pode ser crucial para o rendimento das ações em um momento ruim dos mercados, revela estudo do Citi, que destaca as melhores empresas brasileiras no quesito.
Respondendo a pesquisa promovida pela instituição, os investidores da América Latina revelaram-se dispostos a pagar prêmio de até 22% em ativos relacionados a companhias pautadas por boas práticas administrativas e de relacionamento com acionistas.
Outperform
Mais que simples discurso, a preferência dos agentes de mercado por papéis diferenciados pode ser verificada pelo desempenho mensal médio superior em 0,4% do IGC (índice de governança corporativa) sobre os papéis da bolsa paulista desde 2002.
Embora reconheçam a dificuldade em realizar medições da governança corporativa, os analistas do Citi elaboraram uma lista com itens considerados importantes para a verificação, a fim de ajudar o investidor na avaliação qualitativa da gestão.
Checklist do Citi:
Proteção aos acionistas minoritários quanto à diluição
Presença de diretores independentes no Conselho
Avaliações formais sobre a direção
Sucessão aberta e justa do CEO
Compensação em resultados ou em ações
Transparência financeira e não-financeira
Auditoria independente e confiável
Resposta a pedidos de informação por investidores
Mínima exposição a ativos de outras empresas
Programas de recompra de ações
No entanto, muito cuidado é recomendado aos que pretendem comprar a idéia, pois a decisão de uma empresa em ser listada no "Novo Mercado" da Bovespa não é garantia de adesão às boas práticas corporativas.
Nem mesmo regras impostas por autoridades competentes ou organismos de auto-regulação são eficazes para indicar a confiabilidade das empresas, pois "a boa governança deve ser dirigida de baixo para cima, pelos próprios gestores da companhia e membros do conselho de administração", afirmam os analistas.
Confira os papéis destacados pelo Citi:
*Rendimento total estimado com base no fechamento de 26/08/2008
**ADR (American Depositary Receipt)
Todavia, o mercado brasileiro reserva aspectos que dificultam a penetração das boas práticas, como as complexas estruturas de capital - ações com diferentes classes -, falta de direitos de tag-along para acionistas minoritários, pouca transparência e gestões mais voltadas aos interesses dos controladores, especialmente nas chamadas empresas familiares.
Longo prazo
Com todas as dificuldades, para os analistas do Citi não restam muitas dúvidas: "Os benefícios de longo prazo de uma boa governança corporativa estão, na maioria dos casos, aumentando o valor da companhia (...), facilitando o acesso a capitais e impulsionando seu crescimento".
A pesquisa mencionada, realizada em parceria com a consultoria McKinsey, sugere também que os investidores estão dispostos a pagar mais por boa governança nos mercados emergentes que nos desenvolvidos, onde as práticas são consideradas como mais garantidas.
Em um momento de dificuldades para o mercado acionário, quando a percepção de risco cresce dramaticamente, a manutenção de boas práticas e imagem de gestão corporativa podem ser cruciais para um desempenho diferenciado e a navegação mais tranqüila no instável mar da renda variável.
Cada vez mais importante e premiada por investidores, a boa governança corporativa pode ser crucial para o rendimento das ações em um momento ruim dos mercados, revela estudo do Citi, que destaca as melhores empresas brasileiras no quesito.
Respondendo a pesquisa promovida pela instituição, os investidores da América Latina revelaram-se dispostos a pagar prêmio de até 22% em ativos relacionados a companhias pautadas por boas práticas administrativas e de relacionamento com acionistas.
Outperform
Mais que simples discurso, a preferência dos agentes de mercado por papéis diferenciados pode ser verificada pelo desempenho mensal médio superior em 0,4% do IGC (índice de governança corporativa) sobre os papéis da bolsa paulista desde 2002.
Embora reconheçam a dificuldade em realizar medições da governança corporativa, os analistas do Citi elaboraram uma lista com itens considerados importantes para a verificação, a fim de ajudar o investidor na avaliação qualitativa da gestão.
Checklist do Citi:
No entanto, muito cuidado é recomendado aos que pretendem comprar a idéia, pois a decisão de uma empresa em ser listada no "Novo Mercado" da Bovespa não é garantia de adesão às boas práticas corporativas.
Nem mesmo regras impostas por autoridades competentes ou organismos de auto-regulação são eficazes para indicar a confiabilidade das empresas, pois "a boa governança deve ser dirigida de baixo para cima, pelos próprios gestores da companhia e membros do conselho de administração", afirmam os analistas.
Confira os papéis destacados pelo Citi:
| Empresa | Código | Preço-Alvo | Retorno* |
| Vale | RIO** | US$ 46,00 | 82% |
| Itau | ITAU4 | R$ 44,00 | 47% |
| Bradesco | BBDC4 | R$ 33,50 | 17% |
| Cemig | CMIG4 | R$ 49,60 | 45% |
| CPFL | CPFE3 | R$ 40,40 | 23% |
| CCR | CCRO3 | R$ 36,00 | 26% |
| Embraer | ERJ** | US$ 55,00 | 71% |
| Natura | NATU3 | R$ 23,00 | 25% |
| Ultrapar | UGP** | US$ 91,00 | 56% |
| Lojas Renner | LREN3 | R$ 42,00 | 45% |
**ADR (American Depositary Receipt)
Todavia, o mercado brasileiro reserva aspectos que dificultam a penetração das boas práticas, como as complexas estruturas de capital - ações com diferentes classes -, falta de direitos de tag-along para acionistas minoritários, pouca transparência e gestões mais voltadas aos interesses dos controladores, especialmente nas chamadas empresas familiares.
Longo prazo
Com todas as dificuldades, para os analistas do Citi não restam muitas dúvidas: "Os benefícios de longo prazo de uma boa governança corporativa estão, na maioria dos casos, aumentando o valor da companhia (...), facilitando o acesso a capitais e impulsionando seu crescimento".
A pesquisa mencionada, realizada em parceria com a consultoria McKinsey, sugere também que os investidores estão dispostos a pagar mais por boa governança nos mercados emergentes que nos desenvolvidos, onde as práticas são consideradas como mais garantidas.
Em um momento de dificuldades para o mercado acionário, quando a percepção de risco cresce dramaticamente, a manutenção de boas práticas e imagem de gestão corporativa podem ser cruciais para um desempenho diferenciado e a navegação mais tranqüila no instável mar da renda variável.