sexta-feira, 29 de agosto de 2008

The Economist adverte: Governo não deve fazer mal à Petrobras

Por: Vitor Silveira Lima Oliveira

"O Governo deveria ter certeza de que não fará mal à companhia que achou o tesouro". Com
esta sentença, a revista The Economist revela sua opinião acerca das possíveis mudanças na regulação do setor petrolífero brasileiro e seus efeitos sobre a Petrobras (PETR3, PETR4).

Em sua última edição, a revista publicou reportagem em que ressalta com pormenores as dificuldades técnicas encontradas para retirar o óleo das gigantescas reservas petrolíferas do campo de Tupi, que se encontram antes de uma camada de sal entre 5 km e 7 km abaixo do nível do mar.

Entretanto, também destaca a grande capacidade tecnológica da companhia brasileira, bem como os vultosos investimentos que esta realizará para possibilitar a exploração.

Regras do jogo
Contudo, o grande foco da matéria recai sobre o debate acerca das novas regras para exploração petrolífera no País. Embora entenda ser razoável a idéia de que a redução dos riscos associados à exploração deve ser refletida nos prêmios recebidos por investidores nos novos blocos, a Economist faz alguns alertas.

Há o risco de que uma nova empresa estatal seja rapidamente pautada por indicações políticas para seus cargos técnicos, problema que a estrutura mista do capital da Petrobras consegue diminuir, com participação estatal de 40%.

Por outro lado, a publicação dá a entender que o Governo será tentado a revisar os contratos já existentes, algo negado pelas autoridades, mas temido pelos principais atores do setor. Segundo a Economist, tal mudança prejudicaria a confiança dos investidores e seria desastroso para a Petrobras.

Gestão e interesses
No entanto, pairam dúvidas sobre o quanto a companhia estaria disposta a defender seus acionistas minoritários, reforçadas pela presença da Ministra Dilma Rousseff na presidência de seu Conselho de Administração. Dilma é apontada como possível candidata governista à sucessão presidencial.

Para além do segmento exploratório, a ação do governo brasileiro poderia afugentar de modo generalizado os investidores estrangeiros, responsáveis em grande parte por transformar o mercado de capitais brasileiro em um dos destaques globais nos últimos anos.

Outro fator questionado pela publicação é a maneira como os recursos serão empregados. Nem mesmo a intenção revelada pelo governo de priorizar investimentos em educação é deixada de lado. "A educação pública no Brasil é mal gerida e precisa ser reformada antes de ser banhada em dinheiro", arremata a Economist.