sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Álcool: mercado avalia se etanol pode virar commodity

As discussões sobre o processo de mudanças necessárias para o etanol torna-se uma commodity voltaram à tona nesta semana, com a vinda do secretário-adjunto de Energia dos Estados Unidos, Jeffrey Kupfer, ao Brasil. A pesquisadora Helena Li Chum, conselheira do Laboratório Nacional de Energia Renovável (NREL) dos Estados Unidos, que acompanhou o secretário, chegou a afirmar que o etanol poderia virar uma commodity dentro de 12 meses e o biodiesel, em três anos. Atualmente, Brasil, Estados Unidos e a Comunidade Européia discutem as possibilidades e realizam testes para padronizar o etanol. "A commoditiy poderia ser usada em todos os lugares, o etanol teria especificações para ser livremente comercializado. Ele já estaria habilitado em um ano. O etanol feito por milho ou açúcar, por exemplo, teria o mesmo método, seria uma só commodity", disse a pesquisadora.

Na avaliação da Unibanco Corretora, o etanol tem condições de torna-se commodity nesse prazo do ponto de vista técnico, mas o mercado ainda não apresenta volume expressivo de movimentação, nem número suficiente de produtores, para sustentar a mudança.

"A questão é ter fluxo, precisa ter mercado. Precisaria de mais players ofertando para virar uma commodity. Nos Estados Unidos, a produção é feita com o milho e é muito voltada para o mercado interno, e muitos países não querem importar por ser de milho", diz o Unibanco. "O Brasil é um dos maiores exportadores e encontra barreiras de exportação. Ele é o principal fornecedor mundial e muitos países não querem ficar na mão de um único player. É preciso ter o desenvolvimento de mais mercados internos de outros países para o produto virar commodity. Olhando a questão de mercado, um ano talvez seja pouco para o etanol virar commodity." O departamento de análise do Banif Banco de Investimentos tem a mesma avaliação do Unibanco e é ainda mais pessimista, no que diz respeito ao prazo.

"Não vemos o mercado de etanol deixando de ser uma coisa mais doméstica antes de 2010. O protecionismo nos Estados Unidos e no resto do mundo é muito forte, então não há muitas possibilidades de o etanol virar commodity no curto prazo", comenta. Para o banco, independentemente do resultado das eleições presidenciais norte-americanas, as tarifas impostas à compra do etanol brasileiro deverão permanecer inalteradas.

A Link Investimentos observa que a formalização do etanol como uma commodity é muito importante para os planos das empresas do setor no Brasil, uma vez que todas direcionam seus investimentos pata atender no futuro ao mercado mundial de biocombustíveis.

"A padronização das especificações tornando o combustível uma commodity, além de favorecer a comercialização do produto, torna possível sua negociação em mercados futuros de bolsas de valores", ressalta a Link. Atualmente, a corretora está revisando as projeções para as companhias do setor, mas adiantou que as mudanças deverão ser favoráveise às empresas.

As informações partem da Agência Leia.