segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Lucro da Petrobras marca recorde de R$ 8,8 bilhões no trimestre e supera projeções

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira

A Petrobras (PETR3, PETR4), maior empresa brasileira em valor de mercado, registrou no segundo trimestre de 2008 um lucro líquido de R$ 8,783 bilhões, montante 29,2% superior ao reportado no mesmo período de 2007 e recorde trimestral.

No acumulado do primeiro semestre, o lucro da empresa totalizou R$ 15,708 bilhões, montante também recorde e 43% maior que os R$ 10,931 bilhões registrados no mesmo intervalo de tempo de 2007.

Segundo a estatal, este resultado foi conseqüência dos preços médios de petróleo realizados e derivados da ampliação da produção de petróleo e gás natural. No entanto, as margens de refino foram pressionadas pela escalada do preço do petróleo no período.

De modo geral, os dados reportados vieram acima das expectativas. Na comparação com as projeções dos analistas consultados pela InfoMoney - Banco do Brasil, Brascan, Citigroup, Santander, Unibanco, UBS e Bradesco -, o resultado veio superior tanto para o lucro líquido quanto para o Ebitda (geração operacional de caixa), um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado, que demonstrou significativo avanço frente às estimativas publicadas.

Confira os principais indicadores do trimestre

(em R$ bilhões) 2T08 2T07 Variação Projeção 2T08* Variação
Receita Operacional Líquida 54,569 41,798 +30,6% 52,091 +4,8%
Ebitda** 18,131 14,269 +27,1% 16,671 +8,8%
Lucro Líquido 8,783 6,800 +29,2% 8,232 +6,7%
* Projeção média dos sete analistas consultados
**Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização

A produção de óleo e LGN da Petrobras no País aumentou 4% em relação ao mesmo período de 2007, com destaque para a entrada em produção das plataformas Espadarte, Cidade de Vitória - Golfinho, e Roncador. A empresa projeta a entrada em operação de mais 3 sistemas até o final do ano.

Os custos foram penalizados pelo aumento da cotação do petróleo no período, que alimentou a base de custos operacionais de diversos setores, como destacou o release da estatal. As participações governamentais se elevaram em 74% no período frente ao segundo trimestre do ano passado.

Despesas operacionais
A estrutura de custos operacionais da Petrobras destacou uma redução nos gastos exploratórios, que totalizaram R$ 91 milhões. A redução se deve principalmente a custos com geologia, geofísica e sísmica no exterior.

Outra vertente que contribuiu para o resultado foi a queda nas despesas operacionais (R$ 189 milhões), com menores gastos com encargos e multas contratuais referentes ao fornecimento de gás natural.

Estas reduções foram equilibradas pela elevação nas despesas com vendas - R$ 131 milhões. O avanço nesta base de despesas se deve à ampliação com preços de fretes.

Apreciação cambial
Outro tema que gerava desconfiança no resultado era o impacto da apreciação do real sobre as atividades da companhia. O efeito negativo gerado pela valorização da moeda brasileira foi de R$ 1,4 bilhão sobre o resultado financeiro líquido.