sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Para Credit Suisse, em cinco anos InBev deve retomar consolidação global do setor

Por: Conrado Mazzoni Cruz

Em cinco anos, o grupo Anheuser-Busch InBev deve fortalecer sua posição e retomar o caminho de consolidação do mercado global de bebidas, identificando novas oportunidades. A mexicana Femsa, a holandesa Heineken e oportunidades do segmento de refrigerantes entram na lista de potenciais alvos.

A constatação é do Credit Suisse. O banco conclui que o novo gigante da indústria da cerveja está, por meio de diversas formas, forçando as companhias com modelos de negócios mais fracos a evoluírem. Fruto da fusão entre a brasileira AmBev e a belga Interbrew, a InBev fechou a compra da norte-americana Anheuser-Busch, fabricante da Budweiser, por US$ 52 bilhões, no mês passado.

"SABMiller, Heineken, Coca-Cola e PepsiCo serão todos eventualmente afetados pelo avanço deste novo gigante. No entanto, no curto prazo, a InBev deve pressionar o Grupo Modelo e a Femsa", decreta o relatório da instituição financeira.

México
Com a aquisição da Anheuser-Busch, a InBev terá uma participação não-controladora de 50% na Modelo, maior fabricante de cerveja do México e com portfólio interessante para a belgo-brasileira acelerar a expansão mundial. Na avaliação do banco de investimentos, a mexicana tende a ser o próximo alvo.

"Dentro de cinco anos, antecipamos que a InBev terá finalizado a integração de Anheuser-Busch, Grupo Modelo, e possivelmente as operações da Pepsi no México, ficando assim desalavancada", interpreta o Credit.

Em uma eventual compra da Modelo, a Femsa ficaria vulnerável à supremacia do gigante em seu país. O banco acredita que uma saída seria esta ingressar em uma empreitada visando a fusão de sua rival.

Refrigerantes
Se será impossível para as cervejarias permanecerem ilesas à evolução da InBev, para as fabricantes de refrigerantes a ameaça também existe. A belgo-brasileira deve intensificar o foco em oportunidades de fusões e aquisições neste setor.

A Coca é uma delas. "As ações da Coca-Cola seguem onde elas estavam há cinco anos atrás. Com a InBev por perto, acreditamos que a empresa não pode suportar uma outra década de estagnação", avalia a instituição financeira, que visualiza problemas estruturais da administração da Coca.