quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Para Société Générale, PIB e exportações devem manter tendência de alta do dólar

Por: Vitor Silveira Lima Oliveira

Buscando desvendar o que está por trás da recente valorização do dólar e do desempenho relativamente melhor do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA, analistas do Société Générale produziram relatório em que sugerem a continuidade do movimento.

A divulgação de dados favoráveis sobre o produto norte-americano durante o segundo trimestre pode intrigar muitos agentes de mercado, pois a economia responsável pelo epicentro do terremoto subprime tem mostrado mais força que países como Japão e Alemanha, que vivenciaram contração do PIB no mesmo período.

Reconhecendo que isto não encerra as muitas incertezas, o que apelidam de "descolamento ao contrário" - ou seja, diferenciação positiva da economia dos EUA em relação a seus pares, em lugar da tese sobre os países emergentes -, encontra explicações no próprio mercado imobiliário.

Sinalização
Embora muitos especialistas prevejam ainda uma deterioração, os sinais recentes indicam mais que o mercado de imóveis atingiu um ponto de reversão do que a continuidade do declínio, na avaliação dos analistas.

Além disto, a política monetária do Federal Reserve, precocemente focada no estímulo à produção, é ressaltada como um importante fator de diferenciação, pois atualmente a maior parte das autoridades monetárias somente inicia considerações sobre cortes no juro básico.

Comércio
No entanto, a mudança-chave, segundo os analistas, ocorreu na balança comercial norte-americana, com a substancial redução do déficit. Historicamente, correlacionada à apreciação do dólar, o movimento ainda não havia sido refletido no mercado de câmbio por conta de "temores em torno de ativos relacionados ao dólar e da crença no desempenho abaixo da média da economia norte-americana", afirma o estudo.

No passado, reversões parecidas no saldo comercial estiveram atreladas a movimentos corretivos muito mais fortes no câmbio, o que faz os analistas acreditarem na manutenção da tendência de alta para a moeda norte-americana.