terça-feira, 26 de agosto de 2008

Passa por uma mudança de estratégia do investidor a força para a virada da Bolsa

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira

Uma tendência de baixa do mercado acompanha diversas características. Para se evitar o pior, é preciso repe
nsar estratégias anteriores. Entre perdas consecutivas, a aversão ao risco se espalha.

Investimento em a
ções é risco, e por ter dinheiro em jogo, grande parte das decisões acompanham maior dose de emoção do que de racionalidade. O mercado brasileiro há tempo não passava por uma situação adversa, e por isso atraía volume cada vez maior de investidores.

Cinco anos de ganhos consecutivos da Bolsa foram expostos pela forte publi
cidade dos IPOs bombásticos do ano passado. A promessa era de ganhos exponenciais em curto intervalo de tempo, o que ampliou em muito o número de participantes na Bovespa, relativamente 'novatos' no investimento em ações.

Falta força compradora
A aversão ao risco se espalhou rapidamente, e o volume de negócios na Bovespa é prova disto. O banco de investimentos suíço UBS pesquisou entre gestores de fundos e instituições do mercado, e chegou à conclusão de que cautela é mesmo a palavra da vez entre seus clientes.

Até o começo do ano, era comum verificar o volume diário da Bolsa ao final do pregão e encontrar cifra se não superior, próxima a R$ 5 bilhões. Desde o final de maio, porém, tal volume só vem em sessões atípicas, vencimentos de opções. Para se ter uma idéia, a segunda-feira (25) terminou com 'apenas' R$ 2,5 bilhões negociados.

Parte daí uma questão importante. S
obra vontade de recuperação para o mercado, mas falta força. Ainda não há uma força compradora com potencial para levantar de volta o Índice Bovespa aos 73.516 pontos verificados no dia 20 de maio, último recorde de fechamento.

Mas não seria este o momento das compras?
Daí surge um paradoxo interessa
nte. Da estratégia de mega-investidores como Warren Buffett e George Soros surge algo já trivial: a melhor hora para as compras é nos momentos ruins, exatamente como o atual. Esta afirmação já é popular entre os investidores, mas esbarra na aversão ao risco.

Seja por muitos ainda esperarem pelo tão falado 'fundo do poço' ou por não terem saído há tempo e estarem sem recursos para novas aplicações, este ensinamento básico está longe de predominar sobre o comportamento dos investidores.

Pode partir daí a recuperação dos mercados. Entre a espera por sinal de melhoria das condições econômicas norte-americanas ou de maior estabilidade no mercado de matérias-primas, o UBS acredita que a virada pode vir mesmo quando esta lição tornar-se mais freqüente entre os investidores em sua tomada de decisão. Sobra vontade, e daí pode vir a força compradora.