São quase 10 mil novas demissões a cada dia. Essa é a realidade que vive a Europa hoje, uma economia que pena para dar sinais de competitividade e que acumula problemas. A crise financeira se transformou em uma crise na economia real e políticos já alertam para a terceira fase: a crise social. Dados dos diversos governos deixam claro que a situação é a pior em mais de uma década. As cifras mais recentes são do Reino Unido, que divulgou nesta semana o pior aumento do desemprego em 16 anos e uma recessão. Hoje, o governo inglês é obrigado a pagar pensões a 980 mil pessoas. Cerca de 1,8 milhão perderam o emprego em 2008. E o pior é que a crise ainda não revelou toda sua dimensão. "Não estamos ainda no fundo do poço", afirmou o ministro do Trabalho inglês, Tony McNulty.
No Reino Unido, foram 1,5 mil novos desempregados por dia entre agosto e outubro. Quarta-feira, a British Telecom anunciou que demitiria 10 mil pessoas até o final do ano. Em termos percentuais, a taxa de desemprego chega a 5,8% no Reino Unido, contra 7,5% na zona do euro, taxa que deve aumentar para quase 9% em 2009. O número de desempregados pode chegar a 3 milhões até 2010.
Na França, o governo estima que são mais de 1,2 mil o número de pessoas que recebe cartas de demissões por dia. Na Espanha, apenas o mês de outubro registrou 192 mil novos desempregados e o número de pessoas sem trabalho já chega a 2,8 milhões: 6,7 mil por dia. "O custo humano da crise será maior do que se esperava", afirmou John Cridland, vice-diretor da Confederação da Indústria Britânica. Numa estimativa publicada há duas semanas, a Organização Internacional do Trabalho alerta que a crise atingirá 20 milhões de pessoas até o final de 2009.
Um dos primeiros efeitos está sendo sentido na população de imigrantes. Na Espanha, quase metade dos estrangeiros vivendo legalmente no país estão desempregados, cerca de 350 mil. Em outubro, 36 mil estrangeiros perderam seus trabalhos.
A Inglaterra, para 2009, resolveu diminuir o número de vagas abertas para trabalhadores de outras nacionalidades. No total, serão 800 mil vagas destinadas a estrangeiros, incluindo de outros países europeus. O número é 20% inferior ao volume de 2008. Aproximadamente 1 milhão de poloneses se mudaram para a Inglaterra nos últimos quatro anos em busca de trabalho. Agora, poderão ser obrigados a voltar para casa.
Em um recente seminário, o presidente da BP, Peter Sutherland, e representante especial da ONU para Migrações, alertou sobre o impacto da crise. "Será inevitável que a queda do crescimento global tenha um efeito sobre os imigrantes. Ou eles serão incentivados a voltar para casa ou serão os primeiros a perder seus empregos", alertou. Bela Galgoczi, pesquisadora do European Trade Union Institute, estima que 2 milhões de poloneses migraram para a Europa Ocidental em busca de trabalho nos últimos anos. Mas o problema não pára por aí. Jakob von Weizsaecker, pesquisador da entidade Bruegel, alerta que a crise em países como a Ucrânia pode gerar um novo fluxo de migrações, agravando ainda mais o problema na Europa.
Alemanha entra em recessão com queda de 0,5% no PIB
A Alemanha, maior economia da Europa, entrou em recessão no terceiro trimestre do ano pela primeira vez desde 2003. O Produto Interno Bruto (PIB) alemão recuou 0,5% em relação ao segundo trimestre, em termos ajustados à sazonalidade, à variação dos preços e ao calendário, de acordo com dados preliminares do Escritório Federal de Estatísticas (Destatis). O órgão revisou o número relativo ao segundo trimestre, para uma contração de 0,4%, ante os dados preliminares que apontavam recuo de 0,5%.
Dois trimestres negativos consecutivos representam a medida utilizada para definir uma recessão. O Destatis também revisou o crescimento do PIB no primeiro trimestre para 1,4% em relação ao trimestre anterior, contra uma expansão de 1,3% informada anteriormente.
Segundo o órgão de estatísticas, as exportações, que eram o motor do crescimento da economia alemã, puxaram a desaceleração geral. As vendas externas diminuíram, enquanto as importações aumentaram. O consumo e a formação de estoques, porém, deram contribuições positivas para a variação do PIB. Em bases anualizadas, a economia cresceu 0,8% em termos ajustados ao calendário. A previsão dos economistas consultados pela Dow Jones projetava uma contração de 0,1% no trimestre e um crescimento de 1% sobre o ano anterior. Os economistas apontam para os sinais de mais notícias ruins, antes de uma recuperação que, na melhor das hipóteses, só deve ocorrer no segundo semestre do próximo ano.
Problemas vão até 2010, prevê a OCDE
Os Estados Unidos irão arrastar vários países desenvolvidos para uma longa recessão, afirmou a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), prevendo que a maior economia mundial será a mais atingida durante a desaceleração atual. Segundo o órgão, as economias da OCDE como um todo entraram em recessão e irão encolher 0,3% no próximo ano e se recuperar em 2010, com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,5%.
A OCDE projeta que tanto os EUA quanto a zona do euro podem experimentar quatro trimestres consecutivos de contração. A OCDE reúne 30 países, que produzem mais da metade de toda a riqueza do mundo. O Brasil não faz parte da organização.
A economia dos EUA encolherá 2,8% no último trimestre deste ano e 2% nos primeiros três meses de 2009, e voltará a ter crescimento apenas no terceiro trimestre do próximo ano.
A zona do euro terá uma recessão mais amena, com contração de 1% e 0,8% do PIB no último trimestre deste ano e no primeiro de 2009, respectivamente, acredita a OCDE. A economia japonesa irá encolher por apenas seis meses e se recuperar novamente no primeiro trimestre de 2009.
Segundo o órgão, os problemas duradouros nos mercados financeiros mundiais e o declínio dos preços de moradias são os principais motivos da desaceleração, e a volta ao crescimento não acontecerá de forma rápida. "A turbulência nos mercados irá pesar sobre a economia até 2010", disse Jorgen Elmeskov, economista-chefe da OCDE.
Para os mercados financeiros, a OCDE acredita que o cenário pode piorar no próximo ano. "Em 2009, os riscos estão inclinados para o lado negativo", aponta o relatório do órgão. Esses riscos incluem mais falências de instituições financeiras e as economias emergentes sendo atingidas mais duramente.
Fonte: Jornal do Comércio
No Reino Unido, foram 1,5 mil novos desempregados por dia entre agosto e outubro. Quarta-feira, a British Telecom anunciou que demitiria 10 mil pessoas até o final do ano. Em termos percentuais, a taxa de desemprego chega a 5,8% no Reino Unido, contra 7,5% na zona do euro, taxa que deve aumentar para quase 9% em 2009. O número de desempregados pode chegar a 3 milhões até 2010.
Na França, o governo estima que são mais de 1,2 mil o número de pessoas que recebe cartas de demissões por dia. Na Espanha, apenas o mês de outubro registrou 192 mil novos desempregados e o número de pessoas sem trabalho já chega a 2,8 milhões: 6,7 mil por dia. "O custo humano da crise será maior do que se esperava", afirmou John Cridland, vice-diretor da Confederação da Indústria Britânica. Numa estimativa publicada há duas semanas, a Organização Internacional do Trabalho alerta que a crise atingirá 20 milhões de pessoas até o final de 2009.
Um dos primeiros efeitos está sendo sentido na população de imigrantes. Na Espanha, quase metade dos estrangeiros vivendo legalmente no país estão desempregados, cerca de 350 mil. Em outubro, 36 mil estrangeiros perderam seus trabalhos.
A Inglaterra, para 2009, resolveu diminuir o número de vagas abertas para trabalhadores de outras nacionalidades. No total, serão 800 mil vagas destinadas a estrangeiros, incluindo de outros países europeus. O número é 20% inferior ao volume de 2008. Aproximadamente 1 milhão de poloneses se mudaram para a Inglaterra nos últimos quatro anos em busca de trabalho. Agora, poderão ser obrigados a voltar para casa.
Em um recente seminário, o presidente da BP, Peter Sutherland, e representante especial da ONU para Migrações, alertou sobre o impacto da crise. "Será inevitável que a queda do crescimento global tenha um efeito sobre os imigrantes. Ou eles serão incentivados a voltar para casa ou serão os primeiros a perder seus empregos", alertou. Bela Galgoczi, pesquisadora do European Trade Union Institute, estima que 2 milhões de poloneses migraram para a Europa Ocidental em busca de trabalho nos últimos anos. Mas o problema não pára por aí. Jakob von Weizsaecker, pesquisador da entidade Bruegel, alerta que a crise em países como a Ucrânia pode gerar um novo fluxo de migrações, agravando ainda mais o problema na Europa.
Alemanha entra em recessão com queda de 0,5% no PIB
A Alemanha, maior economia da Europa, entrou em recessão no terceiro trimestre do ano pela primeira vez desde 2003. O Produto Interno Bruto (PIB) alemão recuou 0,5% em relação ao segundo trimestre, em termos ajustados à sazonalidade, à variação dos preços e ao calendário, de acordo com dados preliminares do Escritório Federal de Estatísticas (Destatis). O órgão revisou o número relativo ao segundo trimestre, para uma contração de 0,4%, ante os dados preliminares que apontavam recuo de 0,5%.
Dois trimestres negativos consecutivos representam a medida utilizada para definir uma recessão. O Destatis também revisou o crescimento do PIB no primeiro trimestre para 1,4% em relação ao trimestre anterior, contra uma expansão de 1,3% informada anteriormente.
Segundo o órgão de estatísticas, as exportações, que eram o motor do crescimento da economia alemã, puxaram a desaceleração geral. As vendas externas diminuíram, enquanto as importações aumentaram. O consumo e a formação de estoques, porém, deram contribuições positivas para a variação do PIB. Em bases anualizadas, a economia cresceu 0,8% em termos ajustados ao calendário. A previsão dos economistas consultados pela Dow Jones projetava uma contração de 0,1% no trimestre e um crescimento de 1% sobre o ano anterior. Os economistas apontam para os sinais de mais notícias ruins, antes de uma recuperação que, na melhor das hipóteses, só deve ocorrer no segundo semestre do próximo ano.
Problemas vão até 2010, prevê a OCDE
Os Estados Unidos irão arrastar vários países desenvolvidos para uma longa recessão, afirmou a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), prevendo que a maior economia mundial será a mais atingida durante a desaceleração atual. Segundo o órgão, as economias da OCDE como um todo entraram em recessão e irão encolher 0,3% no próximo ano e se recuperar em 2010, com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,5%.
A OCDE projeta que tanto os EUA quanto a zona do euro podem experimentar quatro trimestres consecutivos de contração. A OCDE reúne 30 países, que produzem mais da metade de toda a riqueza do mundo. O Brasil não faz parte da organização.
A economia dos EUA encolherá 2,8% no último trimestre deste ano e 2% nos primeiros três meses de 2009, e voltará a ter crescimento apenas no terceiro trimestre do próximo ano.
A zona do euro terá uma recessão mais amena, com contração de 1% e 0,8% do PIB no último trimestre deste ano e no primeiro de 2009, respectivamente, acredita a OCDE. A economia japonesa irá encolher por apenas seis meses e se recuperar novamente no primeiro trimestre de 2009.
Segundo o órgão, os problemas duradouros nos mercados financeiros mundiais e o declínio dos preços de moradias são os principais motivos da desaceleração, e a volta ao crescimento não acontecerá de forma rápida. "A turbulência nos mercados irá pesar sobre a economia até 2010", disse Jorgen Elmeskov, economista-chefe da OCDE.
Para os mercados financeiros, a OCDE acredita que o cenário pode piorar no próximo ano. "Em 2009, os riscos estão inclinados para o lado negativo", aponta o relatório do órgão. Esses riscos incluem mais falências de instituições financeiras e as economias emergentes sendo atingidas mais duramente.
Fonte: Jornal do Comércio