quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Merrill Lynch: com desconto frente a emergentes, América Latina segue barata

Por: Giulia Santos Camillo

Baratas, as bolsas da América Latina operam com um forte desconto frente aos mercados emergentes globais e países desenvolvidos em uma base ajustada conforme a composição da indústria, de acordo com os cálculos da Merrill Lynch.

Conside
rando o P/L (múltiplo que mede a relação entre preço atual e ganho projetado das ações) para os próximos 12 meses, o mercado acionário da região é negociado com um desconto de 13% em relação aos emergentes e 22% frente aos países desenvolvidos.

Nesse sentido, o Brasil é o país com o maior desconto em relação aos mercados emergentes, seguido pelo México, negociado em linha com o benchmark. O Chile, em contrapartida, registra um prêmio substancial.

Análise dos múltiplos históricos
Na comparação com os patamares históricos, os analistas acreditam que "o valuation atual da América Latina oferece um forte amortecimento a revisões negativas dos ganhos - o crescimento dos ganhos da América Latina em 2009 pode ser cortado em um adicional de 35% e ainda estaria operando em linha com níveis históricos".

Conforme análise da Merrill Lynch, o Brasil é o país que oferece o maior "colchão" para a revisão dos lucros, que podem ser cortados em até 45% e ainda estarão em linha com os níveis históricos. Logo depois vêm o Chile e o México, que podem ter revisões adicionais de 35% e 25%, respectivamente.

Os países latino-americanos operam na cauda do histograma de P/L projetado pela Merrill Lynch, com o Brasil sendo negociado a 6 vezes (ou seja, o preço atual supera em seis vezes o lucro projetado), no extremo de 10% do histograma. Já México e Chile têm múltiplo de 9,8 vezes e 12,1 vezes respectivamente, na faixa de 8% e 1% do histograma.

Segundo a instituição, o Brasil opera com um desvio padrão de 1,3 abaixo da média histórica e 35% acima da mínima histórica (setembro de 2002), enquanto o México tem um desvio padrão de 1,2 abaixo da média histórica e 23% acima da mínima histórica (agosto de 1998). Já o Chile apresenta um desvio padrão de 2,1 abaixo da média histórica e opera 5% abaixo da mínima histórica anterior, alcançada em março de 2003.

Brasil, México e Chile
Com um desconto de 19% frente aos mercados emergentes, o Brasil voltou aos níveis de fevereiro de 2007, antes de ter o grau de investimento. Para os analistas da Merrill Lynch, o País apresenta o caso mais forte para a reclassificação dos valuations dos múltiplos, por três motivos:

  • Fundamentos macroeconômicos sólidos e bem ancorados em contas fiscais equilibradas, baixo nível de dívida sobre PIB (Produto Interno Bruto) e fortes reservas internacionais;
  • Com a balança comercial representando apenas 20% do PIB, o País é mais resiliente a um cenário econômico mais fraco;
  • A Merrill Lynch prevê uma redução da taxa Selic dos atuais 13,75% ao ano para 12,5% ao ano até o final de 2009, de forma que os fundos domésticos devem migrar para o mercado acionário;
Para o México, as projeções apontam para maiores riscos de declínio em 2009, principalmente devido à forte dependência econômica em relação aos EUA - segundo a Merrill Lynch, 82% das exportações mexicanas têm o país como destino. Já o Chile continua com forte prêmio em relação tanto aos mercados emergentes quanto aos países desenvolvidos.

Setores mais atrativos
Comparando os setores de cada país com as indústrias correspondentes nos mercados emergentes e desenvolvidos, a Merrill Lynch listou os cinco setores com valuation mais atrativo, dentre os quais figuram os segmentos de materiais básicos mexicano e brasileiro, energia e saneamento brasileiro, financeiro brasileiro e consumo básico chileno.

Na outra ponta, dentre as cinco indústrias menos atrativas, encontram-se listados apenas segmentos chilenos: materiais básicos, energia e saneamento, financeiro, consumo e telecomunicações.