O Banco Mundial (Bird) revisou para baixo nesta terça-feira suas previsões sobre o crescimento econômico mundial para 2009, situando-o em irrisórios 0,9%, enquanto a recessão avançava com força sobre os países desenvolvidos, com destaque para o Japão.
Nos países em desenvolvimento, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não deve ultrapassar 4,5%, segundo as novas estimativas do Bird divulgadas em Washington. Nos Estados Unidos, calcula-se uma contração de 0,1%.As previsões são bastante inferiores às anunciadas em junho, com um crescimento mundial de 3%; nos países em desenvolvimento, este índice ficaria em 6,4%.
Pela primeira vez desde 1982, "o volume de negócios mundiais se contraíram", principalmente devido à queda da demanda, afirmou a instituição.
As cifras do Banco Mundial confirmam que a desaceleração econômica mundial - alimentada diariamente pelas más notícias econômicas em vários países - avança a passos largos.
O Japão, segunda maior economia mundial, acusou no terceiro trimestre uma recessão ainda mais profunda que o previsto, com uma contração de 0,5% em relação aos três meses anteriores e 1,8% a ritmo anual.
A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) alertou que os Estados Unidos - que já estão em recessão - ainda passariam por novos reveses econômicos, antes de começar uma recuperação, no fim de 2009.
A economia da maior potência mundial "deve provavelmente se enfraquecer antes de melhorar", segundo um relatório da OCDE, que prevê uma contração de 0,9% do PIB americano no ano que vem.
O Banco do Canadá, por sua vez, confirmou que a economia nacional também entrou em recessão.
A este panorama desalentador se somam às previsões de recessão para 2009 a Áustria (-0,3%) e a Finlândia (-0,5%).
No mundo em desenvolvimento, o Brasil registrou um crescimento de 1,8% no treceiro trimestre do ano em comparação aos três meses anteriores, e de 6,8% em relação ao mesmo período de 2007, embora analistas antecipem que os efeitos da crise serão sentidos no país no último trimestre.
O Banco Central brasileiro definirá na quarta-feira sua taxa básica de juros. A expectativa predominante do mercado é de que o índice não sofra alterações, sendo mantido em 13,75% ao ano, embora alguns apostem em uma leve redução de 0.25 ponto percentual em conseqüência do complicado cenário econômico.
A crise econômica está atingindo a América Latina em quatro áreas vitais - turismo, comércio, remessas e investimentos -, alertou em Bruxelas o secretário-geral ibero-americano Enrique Iglesias.
"A crise já está nos atingindo, e certamente continuará a fazê-lo se não começarmos a enfrentá-la internacionalmente de forma decidida", estimou.
O PIB da Rússia também sofreu com a desaceleração no terceiro trimestre em relação aos três meses anteriores, e os economistas acreditam que o freio ficará ainda mais evidente no quarto trimestre e ao longo de 2009.
A Rússia cresceu 6,2% em relação ao mesmo período de 2007, e se desacelerou contra os meses de abril e junho de 2008, quando situou seu crescimento em 7,5%, segundo o instituto de estatísticas Rosstat.
Enquanto isso, a crise da economia mundial continua fazendo vítimas.
A gigante japonesa de tecnologia Sony anunciou o corte de 8.000 postos de trabalho em todo o mundo, além do fechamento de 10% de suas fábricas.
Passando por sérias dificuldades, a indústria da aviação pode perder até 2,5 bilhões de dólares em 2009 em conseqüência da crise econômica, anunciou a Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA).