domingo, 4 de janeiro de 2009

Perspectivas para Petrobras

por Paulo Ross Hegg - UM Investimentos

A Petrobras (controladora) apurou um lucro líquido recorde de R$ 11,4 bilhões no 3T08, dobrando o lucro líquido obtido no 3T07, de R$ 5,7 bilhões. Por outro lado, na mesma base de comparação, a margem bruta reduziu 7 p.p., situando-se em 38%, e a margem EBITDA situou-se em 28%, abaixo da apurada no 3T07 (31%). Comportamento decorrente do aumento dos gastos com participações governamentais, dos custos com importações de petróleo e derivados, maiores gastos com afretamento de plataformas, maiores custos exploratórios, reajustes salariais e bônus equivalentes a 80% da folha, além de multas em termelétricas.

Contudo, as perspectivas para a empresa seguem positivas, pois muitos desses gastos devem cair. Seus custos com importações de diesel devem ser menores, pois além de o mesmo estar mais barato no mercado internacional, haverá mais produção doméstica. O custo de extração também deverá reduzir, pois este acompanha o preço do petróleo, que caiu vertiginosamente. Além disso, o preço dos principais derivados (gasolina e diesel) para mercado interno permanecem inalterados. Quanto à exploração do pré-sal, as receitas serão menores nas condições atuais, mas de acordo com a empresa ainda é viável nos atuais preços do barril e custo de capital. Entre o final de 2008 e início de 2009 deverão entrar em operação mais três plataformas que adicionarão uma capacidade de 460 mil barris por dia de óleo e 15,5 milhões m natural à capacidade atual.

Pontos positivos

  • Expectativa de forte crescimento da produção de petróleo e gás natural nos próximos anos;
  • descobertas de óleo leve nas camadas do pré-sal e investimentos no parque de refino favorecerão o desempenho nos próximos anos;
  • estrutura de custos competitiva;
  • potencial de aumento da geração de caixa nos próximos anos;
  • forte plano de investimentos, de US$ 112,4 bilhões para o período de 2007 a 2012.

Pontos negativos

  • Controle informal dos principais derivados no mercado interno (gasolina e óleo diesel) acirra as dúvidas sobre ingerência política na Petrobras;
  • quedas constantes nos preços do barril de petróleo, colocando dúvidas em relação à viabilidade dos investimentos no pré-sal;
  • dificuldades nas negociações impostas pelos governos da Bolívia e da Venezuela provocando morosidade e incertezas quanto a renovação de contratos e suprimento de gás natural;