Insolvência de empresas obrigará governo a injetar mais dinheiro no sistema, dizem economistas
Patrícia Campos Mello, correspondente O Estado de S. Paulo
O sistema financeiro internacional está carregado com cerca de US$ 10,8 trilhões de papéis podres - títulos com pouca liquidez e difíceis de determinar o valor, que não têm mercado, muitas vezes têm como garantia hipotecas ou financiamentos que estão inadimplentes. Desse total, US$ 2 trilhões devem resultar em perdas, segundo cálculos do economista Nouriel Roubini.
Além disso, os bancos globais devem tomar calote em US$ 1,6 trilhão de US$ 12,37 trilhões de empréstimos não securitizados - ou seja, que não são renegociados para terceiros no mercado financeiro -, incluindo financiamentos de veículos, empresas e cartão de crédito, cuja inadimplência está subindo por causa da recessão.
Bancos e corretoras americanas vão sofrer a metade de todo esse prejuízo - cerca de US$ 1,8 trilhão. O resto está no exterior. O problema é que o capital de bancos e corretoras americanas é de apenas US$ 1,4 trilhão. "Os bancos estão praticamente insolventes, mesmo se excluirmos os ativos securitizados", disse Roubini em seu estudo.