quarta-feira, 3 de março de 2010

Barclays vê Plano Nacional de Banda Larga como problema para as empresas

"Dificilmente criará oportunidades de crescimento para as empresas listadas na bolsa". Esta é a principal observação que o Barclays Capital faz em relação ao Plano Nacional de Banda Larga do governo federal, após ouvir as opiniões expostas em evento em Brasília que se destinava a discutir o programa federal.

Na opinião dos analistas, o plano, cujo esboço foi apresentado pelo assessor especial da Presidência da República, César Alvarez, "traz um viés muito forte no sentido do governo oferecer acesso de banda larga aos consumidores finais, ou seja, competindo com as empresas".

Alvarez dividiu o projeto para o programa de banda larga em 3 premissas básicas. A primeira é a banda larga social, que seria a extensão do serviços de internet para áreas que as companhias ainda não atingem. Em segundo lugar temos a idéia de aumento da base, que seria a inclusão dos subúrbios pobres das grandes cidades via uso de conexões a rádio. A terceira e última seria a introdução de serviços de conexão ultra rápidos para clientes corporativos, com foco especial para pequenas e médias empresas.

Divergências
O banco britânico coloca em destaque as divergências entre o governo a as empresas. Para a administração de Luiz Inácio Lula da Silva, o problema é que a "banda larga brasileira é muito lenta, cara e concentrada", e o motivo para isso seria a falta de competição no mercado, o que justifica a sua intenção de reativar a Telebrás (TELB3, TELB4) e incluí-la como um novo player no segmento.

Já as empresas de telecomunicações afirmam que a carga tributária brasileira é muito grande, o que, em conjunto com o limitado espectro oferecido pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), impede que elas ofereçam serviços a preços mais competitivos. Em relação a oferta de espectro, a agência governamental revelou que prepara um leilão, que deverá ocorrer em junho. Contudo, ele deverá ser direcionado a entrada de novos participantes.

Propostas
Tentando argumentar contra a projeto do governo de aumentar a competividade do setor através da inclusão novos players, as empresas que participaram do evento "Desafios da Banda Larga", em Brasília, ofereceram suas próprias alternativas.

Para a Oi (TNLP4, TNLP3), um forma de melhorar os serviços de banda larga no Brasil seria a eliminação da barreira que impede que as companhias de telecomunicações ofereçam serviços de tv paga via cabo, aumentando assim a competição. Caberia ao governo subsidiar os consumidores finais que não podem pagar pelos serviços.

Já a Telesp (TLPP4, TLPP3) propõe o uso de exemplos de sucesso em outro países, como a Alemanha. O CEO (Chief Executiver Officer) da companhia também defendeu a abertura do mercado de tv a cabo, a remoção das restrições ao capital estrangeiro no setor, e uma expansão do financiamento público aos projetos de expansão, além da criação de fundo de recursos para permitir a expansão dos serviços para novas áreas.