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Com o arrefecimento gradual das turbulências nos mercados financeiros, a retomada econômica externa, ainda que a passos curtos, e o bom momento vivido pela economia do País, anúncios de novos IPOs (Initial Public Offers, em inglês, ou ofertas iniciais de ações) voltaram a marcar o dia-a-dia do noticiário financeiro doméstico.
Desde o começo do ano, empresas como a Aliansce, Multiplus, BR Properties e a OSX Brasil decidiram abrir seus capitais, confirmando rumores que vinham circulando há tempos. À parte do desempenho de cada um desses papéis em sua estreia, fato é que IPOs sempre chamam especial atenção dos investidores, sendo frequentemente motivo de forte especulação.
Os que gostam de apostar em novas ações na bolsa estão sempre atentos ao noticiário. Muitos são os setores eleitos como promissores, assim como é extensa também a lista de companhias apontadas como próximas a abrirem seus respectivos capitais. A InfoMoney analisou o tema com especialistas do mercado, que deram suas opiniões sobre as especulações que rondam nosso mercado de capitais.
Setores
Segundo Vincent Baron, sócio-diretor da Vallua Consultoria e Gestão, 2010 tem tudo para ser um ano de crescimento no número de operações de abertura de capital na bolsa brasileira, uma vez que “as companhias estão à procura de captações extras para aproveitar a retomada pós-crise e as boas perspectivas do mercado doméstico”.
A fala de Baron já dá pistas quanto aos setores que o analista considera os mais propensos a ocupar o cronograma de ofertas de ações da bolsa brasileira: “os mais ligados ao cenário interno”. A visão é similar à de Alexandre Pierantoni, da PricewaterhouseCoopers.
Desta forma, empresas de segmentos como os de consumo e varejo, educação, alimentos, cosméticos e financeiro devem dominar a lista de IPOs no País em 2010. Baron destaca também o setor de óleo e gás, que tem tudo para ser favorecido pelo desenvolvimento das explorações do pré-sal.
Aviação
Uma das empresas fortemente cotadas para abrir seu capital em breve é a Azul. O mercado, afinal, tem motivo para tal expectativa: o próprio presidente da companhia, Pedro Janot, afirmou recentemente que uma oferta pública inicial de ações deverá ser feita, no mais tardar, até 2012. Não são poucos os que creem, no entanto, que a operação possa sair ainda este ano.
O Ministério da Defesa enviou recentemente proposta ao Congresso requisitando a ampliação de 20% para 49% da fatia permitida ao capital estrangeiro no controle de companhias aéreas brasileiras, o que é especialmente positivo à Azul. Ademais, a empresa deverá começar a operar em Congonhas, após ter obtido oito slots no aeroporto da capital paulista, o que deve alavancar suas operações.
Outro rumor que vez ou outra surge no noticiário financeiro é quanto à abertura de capital da Infraero. Para Vincent Baron, as especulações não são de todo infundadas. “Seria uma boa saída para os planos do governo de reestruturar o sistema de transporte aéreo brasileiro em busca de maior eficiência”, diz o especialista.
Ainda no setor de aviação, a TAM também poderá abrir o capital de outras unidades de seus negócios. Após o IPO da Multiplus, seria a vez da TAM Viagens e da TAM Cargo trilharem caminho semelhante. “Um passo mais ousado, como a abertura de capital, é possível”, disse Paulo Castello Branco, vice-presidente comercial da TAM, na semana passada. “Em breve, a companhia aérea vai ser apenas nossa espinha dorsal”, reiterou, por sua vez, Líbano Barroso, presidente da TAM.
Financeiras
O setor de aviação não é o único a trazer rumores de IPOs: o financeiro também vem ocupando os holofotes do noticiário. Fontes consultadas pela InfoMoney, que preferiram não se identificar, afirmaram que o banco BTG Pactual estaria próximo de ofertar seu capital no mercado em busca de capitalização extra, notícia esta que já circulou no boca-a-boca no mercado recentemente. A firma, no entanto, não confirma os rumores.
O Banco Bonsucesso é outra instituição representante do setor financeiro brasileiro que estaria na fila para abrir seu capital na bolsa. De acordo com especulações entre investidores, a oferta do banco, sediado em Belo Horizonte e especializado nos segmentos de crédito consignado e middle market, poderia movimentar cerca de R$ 500 milhões.
Desistentes
Outras empresas também cotadas são aquelas que já entraram com pedidos na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) mas que, por quaisquer motivos, acabaram desistindo da operação. É o caso da Locaweb, que cancelou seu IPO em junho de 2008 devido à instabilidade dos mercados. À época, Celso Nunes, diretor de Relações com Investidores, afirmou à InfoMoney que “a desistência não significava necessariamente que a empresa estava completamente abdicando de seu IPO”. O mercado segue à espera.
Caso semelhante é o da Unidas, que entrou com pedido de registro de companhia aberta na CVM em junho de 2008, mas também acabou por não realizar sua abertura de capital na bolsa. Por fim, a IMC (International Meal Company) é outra que também cancelou seu pedido de IPO, em fevereiro deste ano, dado “as incertezas econômicas no mercado financeiro”. A empresa afirmou que, por ora, pretende focar em sua expansão orgânica, mas segue-se apostando em uma abertura de capital da companhia, ainda que não tão em breve.
Consumo e varejo
Outra gigante brasileira, desta vez no setor de consumo e varejo, que pode abrir mão do controle de uma unidade de seus negócios é o Grupo Pão de Açúcar. Em teleconferência realizada em março deste ano, o vice-presidente sênior de Operações da companhia, Enéas Pestana, flertou com tal possibilidade.
Segundo Pestana, o Pão de Açúcar não esconde planos de integração das plataformas de varejo on-line do Ponto Frio, Extra e Casas Bahia para a criação de uma nova empresa com previsão de abertura de capital em 2011. “Esse ano isso não vai ser feito, porque o processo de integração tomará o primeiro semestre e, depois, tem eleições. 2011 pode ser um ano em que isso vá acontecer”, afirmou, à época, o executivo.
Outra representante do setor de consumo e varejo a constar na lista dos analistas de possíveis novas estreantes na bolsa é a Droga Raia, terceira maior rede de drogarias do País. Em relatório publicado na última segunda-feira, o Morgan Stanley disse que "a companhia pode eventualmente considerar uma abertura de seu capital, embora não haja grande pressão por parte de seus dois maiores investidores, o Fundo Gávea e Fundo Pragma".