terça-feira, 2 de março de 2010

Regulação e capitalização são riscos para Petrobras

Empresa com maior liquidez do índice e principal estatal listada na bolsa brasileira, a Petrobras (PETR3, PETR4) sempre merece atenção, seja por seu tamanho, importância política ou histórica.

Neste ano, a petrolífera aparece no noticiário sobretudo em função da sua capitalização, ainda sem datas e valores definidos. Uma possível interferência política, em vista da proximidade das eleições, também divide analistas, influenciando as recomendações para o papel.

Demanda e oferta mundial
Para a equipe do Banco Fator, a economia e a demanda mundial por petróleo continuarão a se recuperar em 2010. Segundo dados da Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo), deve haver crescimento de 0,8 milhão de barris por dia, frente a uma queda de 1,4 mbd no ano passado.

Já com relação à oferta da commodity, os analistas expressam o risco significativo de que esta não seja capaz de acompanhar o crescimento da demanda no médio e longo prazos. “Os gastos com exploração aumentaram drasticamente nos últimos anos, o que tornou difícil a manutenção de produção por meio de abertura de novos poços”, explicam.

Capitalização
Segundo o projeto enviado pelo governo, a capitalização se daria com recursos baseados em transação comercial entre a empresa e a União, que cederá à Petrobras o direito de exploração de cinco bilhões de barris de óleo equivalente. Quanto for definido, o valor servirá de base para a oferta de ações da empresa.

De acordo com a Petrobras, o valor da capitalização levará em conta a necessidade de obtenção dos recursos finaneceiros para os investimentos futuros do Plano de Negócios, a necessidade de obtenção dos recursos financeiros para pagar a Cessão Onerosa e o desenvolvimento da área.

Segundo a estatal, ainda não há valores concretos e qualquer simulação acerca do valor da capitalização seria prematura, uma vez que as premissas ainda não foram estabelecidas.

Regulação
Atravancado no Congresso, o projeto de regulamentação do pré-sal é um dos principais drivers para a Petrobras este ano, e com a proximidade cada vez maior das eleições, é possível que a resolução fique apenas para depois de outubro.

Na avaliação de Rodrigo Fernandes e Hering Shen, do Banco Fator Corretora, “todos os pontos, até o momento, buscam beneficiar o governo na apropriação do óleo extraído e fortalecer seu peso no processo decisório do setor”. Além disso, a regulação também deve beneficiar a Petrobras, que “terá seu espaço garantido na exploração das importantes descobertas do pré-sal”.

Isso se dará porque, segundo o projeto, a Petrobras será a única operadora e exploradora dos blocos, enquanto a gerência dos recursos ficará com a Petro-Sal, uma nova estatal criada especificamente com este objetivo. Daí a força da Petrobras.

Entretanto, além dos riscos ao setor – “o risco de a Petrobras ser a única operadora inclui a participação em projetos pouco rentáveis e a realização de investimentos vultuosos e obrigatoriamente proporcionais à participação no bloco”, explicam Fernandes e Shen.

Recomendação
A equipe do Citigroup explica que, apesar das incertezas, a ação é atrativa, com recomendação de compra por parte do banco, em função das projeçõs positivas para o preço do petróleo e a visão de que os riscos decorrentes das dúvidas sobre a regulação e a capitalização já estão precificados no longo prazo.

Outro ponto a favor da empresa é a perspectiva de performance sólida, sobretudo no segundo semestre.

Os últimos dados de produção divulgados pela empresa, referentes a janeiro deste ano, mostraram pequeno declínio frente a dezembro de 2009 – produção média de 2.525,9 mil boed (barris de óleo equivalente), leve baixa de 1%.

De acordo com a petrolífera, isso se deve sobretudo à manutenção preventiva em três plataformas na Bacia de Campos. Já a queda de 3,03% na produção média de gás natural foi explicada por flutuações na demanda.

Os números dividiram os analistas. Tereza Mello, do Citi, traça uma perspectiva positiva para os próximos meses, sobretudo a partir de julho, após certa volatilidade no primeiro semestre.

Já Paula Kovarsky, analista da Itaú Corretora, se mostra mais cautelosa. “A empresa deve reduzir sua meta de produção entre 2010 e 2014”, afirma, uma vez que produção de 2009, 4% abaixo das projeções da empresa, ainda não estaria incorporada. Com isso, a recomendação dos papéis é de desempenho abaixo do mercado.

Para os analistas do Banco Fator, o panorama de curto prazo é favorável para o volume e preço do petróleo. “Estimamos as margens operacionais estáveis em 2010, em razão de melhor resultado no segmento de Exploração e Produção, mas queda de margens no refino”, analisam.

Descobertas
Outro ponto importante para a Petrobras é o recente fluxo de descobertas novas de petróleo - em fevereiro foram duas na Bacia de campos, próximas aos campos de Barracuda e Pampo, com volumes recuperáveis de 65 milhões de barris. "Embora sejam acumulações pequenas, a produção poderá ser iniciada no curto prazo, tendo em vista a infraestrutura de produção e escoamento já instalados", explica Nelson Rodrigues de Matos, analista do Banco do Brasil.