quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Analista prevê queda histórica nas principais bolsas mundiais

Mariana Segala (msegala@brasileconomico.com.br)

Na avaliação da Elliott Wave International, a queda dos mercados será seguida por deflação e depressão da economia


A recuperação das bolsas globais desde o pior da crise financeira internacional (2008), pode estar prestes a ruir. É isso que a consultoria americana Elliott Wave International acredita que deva acontecer.

É quase certo que o mundo esteja prestes a presenciar a maior queda dos mercados do último século — que seria, realmente, enorme, já que por "último século" se entende o período que compreendeu também o recuo de 89% do índice Dow Jones entre 1929 e 1932.

A opinião, catastrófica e solitária, é do analista técnico Brian Whitmer, da consultoria americana Elliott Wave International, auto-intitulada maior empresa de projeções de mercado.

"O declínio de 1929 levou à deflação e à depressão, e o de agora fará o mesmo", afirmou Whitner ao Brasil Econômico. "É imperativo que as pessoas ajam agora para proteger o seu bem-estar financeiro", alertou.

As projeções de Whitner partem do chamado Princípio das Ondas de Elliott, modelo técnico de acompanhamento dos preços do mercado financeiro que baseia toda a atuação da consultoria — fundada por Robert Prechter, um psicólogo de formação internacionalmente conhecido por sua atuação como analista de mercado.

Em recente entrevista ao jornal americano The New York Times, Prechter sugeriu aos pequenos investidores que saiam completamente do mercado e mantenham dinheiro em caixa.

Como outras teorias da análise técnica (ou gráfica), a de Elliott parte da análise do histórico das cotações das ações para inferir sobre o seu comportamento no futuro.

Segundo esse modelo, os preços das ações movem-se em ciclos de cinco movimentos. O primeiro, o terceiro e o quinto movimentos formam a tendência principal (seja de alta, seja de baixa do mercado). Os dois movimentos intermediários (o segundo e o quarto) ocorrem no sentido oposto.

"O mercado de hoje é histórico, porque um padrão de cinco ondas que começou no fundo, atingido na época da depressão, em 1932, acabou entre 1999 e 2000", acredita Whitner. "Estamos esperando uma correção maior do que qualquer outra nos últimos 80 anos."

O otimismo que varou o mundo recentemente e assistiu à alta das ações atingiu proporções "maníacas", nas palavras do analista, que excederam qualquer topo de mercado dos últimos cem anos ou mais.

Visão tão pessimista do mercado, porém, não é compartilhada por outros analistas técnicos americanos. Alguns veem chances de desempenho positivo, ou "bull market".

Mercado brasileiro

Para Whitner, não há pior lugar para deixar o dinheiro hoje do que a Europa. "O ‘bear market' (mercado de queda) europeu está longe do fim", afirma.

Entre os melhores mercados para o momento, destaque para Taiwan, Coreia do Sul e Indonésia.

E quanto ao Brasil? "O Ibovespa mostra cinco ondas claras desde os pisos de 1998, indicando que o mercado brasileiro está em linha para cair junto com os outros mercado mundiais", afirma o analista.

Ele argumenta que o crescimento econômico do país reflete o rali das ações nos últimos 18 meses. Como conselho, para investidores de todo o mundo, Whitner afirma: "Movam-se para ativos seguros agora. Prevemos uma tendência deflacionária que logo se tornará uma recessão."