segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Apesar do retorno, 'small cap' atrai pouco

Por Luciana Monteiro, de São Paulo


Enquanto o Índice Small Caps acumula ganhos de 8,45% até julho, o Ibovespa perde 1,56%. Apesar do desempenho bem acima do principal indicador da bolsa brasileira, o fundos "small caps", que aplicam em papéis de empresas menores, atraem pouco os investidores. Com patrimônio líquido de R$ 2,142 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a categoria apresenta captação de R$ 113,68 milhões no ano até julho.

Como essas carteiras são formadas por empresas cujas ações têm menor liquidez na bolsa, o investidor precisa, mais do que nunca, ter um horizonte de longo prazo ao aplicar num fundo desse tipo. É algo para não ser mexido por um período entre três e cinco anos, recomenda Paulo Del Priore, sócio da Victoire Brasil Investimentos. "E são aplicações para investidores que não buscam baixa volatilidade ou mesmo liquidez", diz.

Normalmente, as empresas de menor porte não contam com análises das corretoras. Por isso, cabe ao gestor fazer a avaliação da empresa em busca de distorções. "Os investidores têm de acreditar na capacidade de análise do gestor de identificar valor em alguns papéis", diz Fabio Spinola, gestor de renda variável da Quest Investimentos. Ao encontrar distorções que poucos estão vendo no mercado, as ações acabam ficando por um tempo mais longo na carteira dos fundos.

Além do fato de os papéis terem menor liquidez, as empresas menores fazem investimentos que precisam de mais tempo para a maturação, explica Jorge Ricca, gestor de renda variável da BB DTVM. A carteira do fundo da gestora é normalmente composta por algo entre 35 e 40 papéis.

E, ao manter um contato mais próximo com a empresa a fim de montar uma avaliação mais bem fundamentada e ter uma participação relevante no capital, é comum que os gestores de fundos "small caps" acabem participante dos conselhos de administração das companhias.

A crise iniciada em 2008 - quando alguns fundos "small caps" precisaram congelar os resgates por conta da pouca liquidez da carteira - deixou clara a necessidade de o gestor ter no portfólio papéis com um giro diário capaz de dar conforto a ele em caso de resgates, ressalta Werner Roger, também sócio da Victoire. "Muita gente tinha em carteira ações extremamente ilíquidas e, naquele momento, diante dos saques, os gestores precisaram vender os papéis a qualquer preço, destruindo a performance", diz.