quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Petrobras terá lucro menor devido ao controle de preço

Brasil Econômico - Por Peter Millard/Bloomberg News


A Petrobras, que perdeu um quarto do valor de mercado este ano, deve ter a menor variação no lucro entre as maiores petrolíferas mundiais por causa do controle do governo sobre os preços de combustíveis.

A estatal deve anunciar amanhã (13), após o fechamento do mercado, que os ganhos no primeiro trimestre ficaram praticamente estáveis, em R$ 0,89 por ação, de acordo com a estimativa média de quatro analistas ouvidos pela Bloomberg.

Este seria o pior desempenho entre as dez maiores petrolíferas, excluindo a BP, que teve o resultado afetado pelo vazamento no Golfo do México.

Enquanto rivais como Exxon Mobil e Royal Dutch Shell têm liberdade para repassar altas do petróleo aos consumidores, a Petrobras é limitada pelo governo.

Em junho do ano passado, a estatal reduziu os preços da gasolina em 4,5% e em 15% os do diesel. Desde então, a estatal não subiu mais os preços. Na média, o barril de petróleo em Nova York terminou o segundo trimestre 31% acima dos preços do mesmo período do ano passado.

Segundo Bruno Varella, analista do Banco Bradesco em São Paulo, o lucro das petrolíferas oscila conforme a cotação do petróleo, enquanto gasolina e diesel seguem o preço do petróleo. No caso da Petrobras, acontece o contrário, acrescentou.

A Exxon, maior petrolífera mundial de capital aberto, teve um aumento de 91% no lucro do segundo trimestre. As americanas Chevron e ConocoPhillips disseram que seus lucros mais do que triplicaram. A Shell e a Total anunciaram aumentos de 15% e 72%, respectivamente.

A Petrobras não se beneficia do aumento internacional dos preços da gasolina e do diesel por causa do controle de preços no Brasil, Andrés Kikuchi, analista da corretora Link Investimentos em São Paulo, disse em uma entrevista por telefone no dia 6 de agosto.

A assessoria de imprensa da Petrobras disse por e-mail que não vai fazer comentários sobre a gasolina.

Primeiro trimestre

A estatal registrou um lucro líquido de R$ 7,72 bilhões no primeiro trimestre, o que representa um ganho 23% superior frente aos R$ 6,29 bilhões vistos um ano antes.

Na ocasião, a companhia atribuiu o bom desempenho à lucratividade das vendas de derivados e de petróleo, influenciada pelo aumento das cotações das commodities sobre os preços das exportações e pela recuperação do volume das vendas no mercado interno