segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Projeções ainda sugerem índice a 84 mil pontos

Alessandra Bellotto


Pegue a média dos preços-alvo do mercado para dezembro de 2010 para cada ação do índice Bovespa, pondere pelo peso que o papel tem na carteira teórica e o resultado é: Ibovespa a 84.299 pontos. Em relação ao fechamento da bolsa na sexta-feira, que subiu 0,45%, a 66.264 pontos, o potencial de valorização até o fim do ano é superior a 27%.

O levantamento, feito pelo analista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi, se baseou em projeções do mercado reunidas pela "Bloomberg". Mas será essa estimativa factível? Se o mau humor do investidor visto na semana passada persistir, é grande a chance de essa pontuação não se concretizar, apesar dos fundamentos das empresas e da economia brasileira.

Depois de um mês de forte recuperação (o Ibovespa subiu 10,80% em julho), agosto mostra fôlego menor. Na primeira semana, a bolsa subiu 0,86%. Mas, entre segunda e sexta-feira passada, o índice virou, cedeu 2,69%, levando a um desempenho negativo em agosto (-1,85%).

Dados piores das economias americana e chinesa frustraram as expectativas. Até o ritmo de crescimento do saldo de investimento estrangeiro na bolsa, que superou os R$ 3,5 bilhões no mês passado, diminuiu. Nos 11 primeiros dias de agosto, foi de meio bilhão de reais. No ano, segue positivo em R$ 1,1 bilhão.

Menor crescimento mundial afeta commodities, que afetam a bolsa brasileira, por conta da concentração do índice em empresas de matérias-primas. Vale é o exemplo típico. Toda vez que sai um dado ruim da China as ações sofrem. Foi o que aconteceu na última quarta-feira, quando as preferenciais (PN, sem voto) classe A da mineradora caíram 2,80%. Na sexta-feira, mesmo com a alta de 0,40%, os papéis terminaram a semana em baixa de 2,70%, a R$ 42,89. No mês, a alta é de 0,52% e, no ano, de apenas 2,48%.

"O desempenho da Vale na bolsa está muito atrelado à China", afirma o analista-chefe da Link Investimentos, Andrés Kikuchi. Ela sofre mesmo apresentando resultados positivos e com a perspectiva de que o minério de ferro oscile na casa dos US$ 100 a tonelada, pondera. A Link tem um preço-alvo para Vale PNA de R$ 62,00, um ganho potencial de 44,5% até dezembro. Para o Ibovespa, estima 85 mil pontos.

Enquanto houver dúvida sobre o crescimento chinês e o risco de que ele fique abaixo de dois dígitos, as ações seguem pressionadas, acredita Kikuchi. Mas ele ressalta que uma expansão na faixa de 8% não seria nada ruim, nem para Vale. A lógica está no fato de que crescimento menor é mais sustentável.

Na visão de Galdi, da SLW, o preço atual do Ibovespa, de 65 mil pontos, já embute um cenário de fragilidade econômica global. Para o analista, essa onda de pessimismo é pontual e exagerada. "Já há sinais de melhora, mas tudo vai depender do olhar do investidor", diz. Ele cita o crescimento na zona do euro acima do esperado e resultados muito positivos das empresas aqui e lá fora. "Não vejo o Ibovespa caindo a 60 mil pontos, a tendência é de melhora, até porque a bolsa está barata."

Mas há outra pedra no caminho do Ibovespa: Petrobras. Galdi admite que as ações da estatal precisam andar para o índice voltar para a casa dos 80 mil. No ano, Petrobras PN acumula prejuízo de 22,94%, a R$ 27,66. A capitalização é o que pesa. Se a operação sair conforme o previsto, segundo ele, há uma chance de as ações serem alvo de novo rali.

Para Kikuchi, a capitalização não só segura o índice como pressiona outros papéis. "Ela tirou o fluxo da bolsa." A Link tem preço-alvo para o papel de R$ 36,50, potencial de alta de 32%.

A grande notícia da sexta-feira foi a união entre a TAM e a LAN, companhia aérea chilena. As ações da companhia brasileira saltaram mais de 27%.