Eduardo Campos
O que antes era especulação agora é fato. O Federal Reserve (Fed), banco central americano, não está satisfeito com o ritmo de recuperação da economia e lançou o esperado "quantitative easing 2" no valor de US$ 600 bilhões que serão desembolsados até o fim de junho de 2011 na compra de títulos de longo prazo do Tesouro.
É difícil falar se o número atendeu às expectativas ou não, pois as estimativas estavam entre US$ 500 milhões a US$ 2 trilhões. Mas não é esse o fato mais importante. A questão aqui é de sinalização, ou seja, temos o Fed alinhado à percepção de fraco crescimento, atento à deflação e mais importante do que isso, disposto a atuar.
O BC americano não criou amarras ao afirmar que revisará regularmente a compra de títulos e o volume total do programa levando em conta os dados que serão divulgados e que pode "ajustar o programa, se necessário, para melhor estimular o máximo emprego e a estabilidade de preços."
De tal aceno podemos crer que as expectativas do mercado com relação à ampliação ou redução do tamanho do plano ou mesmo ao ritmo de compras, que na média serão de US$ 75 bilhões ao mês, dependerá do comportamento dos indicadores de atividade.
Essa teoria poderá ser testada já na sexta-feira, com a divulgação dos dados oficiais sobre o mercado de trabalho americano em outubro. As estimativas sugerem a abertura de 25 mil a 60 mil postos, após o fechamento de 95 mil vagas em setembro.
Cabe lembrar que os dados da ADP, empresa que processa folhas de pagamento, surpreenderam para cima, ontem, ao mostrar que o setor privado criou 43 mil empregos no mês passado.
Enquanto os analistas fazem contas e tentam descobrir o impacto do estímulo sobre o preço dos ativos e avaliam a capacidade da medida em estimular a atividade. Um membro do comitê do Fed lembra dos riscos de tal decisão. Thomas M. Hoenig, presidente do Fed de Kansas City, votou contra o programa, acreditando que os riscos da compra adicional de títulos ultrapassam os benefícios. Para Hoenig, que votou contra em todas as sete reuniões do ano, o atual grau de acomodação da política monetária eleva o risco de desequilíbrios financeiros futuros e que tal postura poderia resultar, no decorrer do tempo, em uma elevação nas expectativas de inflação que podem desestabilizar a economia.
Voltando ao pregão de ontem, a primeira resposta ao Fed foi a venda de dólares e compra de ações. Instantes depois o mercado fazia exatamente o contrário, mas no fim da contas o tom positivo prevaleceu. As bolsas de valores aqui e em Nova York encerraram com pontuações não observadas desde 2008. O euro tomou fôlego e ficou acima de US$ 1,41, o barril de WTI foi acima de US$ 84. Já o VIX, visto como um termômetro da aversão ao risco, caiu mais de 9%.
No câmbio local, o dólar comercial não reagiu à decisão, pois os negócios encerraram antes do Fed apresentar seu veredito.
Já o mercado futuro captou toda a movimentação pós-Fed. Antes do ajuste final, o dólar para dezembro, negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), apontava baixa de 0,84%, para R$ 1,70.
Mantido o bom humor de ontem, esse novo "piso" do dólar pode ser furado. Cabe lembrar, no entanto, que qualquer reação mais exagerada no câmbio pode ser suplantada pela expectativa de que o governo volte a atuar no mercado para conter a apreciação do real.
O que antes era especulação agora é fato. O Federal Reserve (Fed), banco central americano, não está satisfeito com o ritmo de recuperação da economia e lançou o esperado "quantitative easing 2" no valor de US$ 600 bilhões que serão desembolsados até o fim de junho de 2011 na compra de títulos de longo prazo do Tesouro.
É difícil falar se o número atendeu às expectativas ou não, pois as estimativas estavam entre US$ 500 milhões a US$ 2 trilhões. Mas não é esse o fato mais importante. A questão aqui é de sinalização, ou seja, temos o Fed alinhado à percepção de fraco crescimento, atento à deflação e mais importante do que isso, disposto a atuar.
O BC americano não criou amarras ao afirmar que revisará regularmente a compra de títulos e o volume total do programa levando em conta os dados que serão divulgados e que pode "ajustar o programa, se necessário, para melhor estimular o máximo emprego e a estabilidade de preços."
De tal aceno podemos crer que as expectativas do mercado com relação à ampliação ou redução do tamanho do plano ou mesmo ao ritmo de compras, que na média serão de US$ 75 bilhões ao mês, dependerá do comportamento dos indicadores de atividade.
Essa teoria poderá ser testada já na sexta-feira, com a divulgação dos dados oficiais sobre o mercado de trabalho americano em outubro. As estimativas sugerem a abertura de 25 mil a 60 mil postos, após o fechamento de 95 mil vagas em setembro.
Cabe lembrar que os dados da ADP, empresa que processa folhas de pagamento, surpreenderam para cima, ontem, ao mostrar que o setor privado criou 43 mil empregos no mês passado.
Enquanto os analistas fazem contas e tentam descobrir o impacto do estímulo sobre o preço dos ativos e avaliam a capacidade da medida em estimular a atividade. Um membro do comitê do Fed lembra dos riscos de tal decisão. Thomas M. Hoenig, presidente do Fed de Kansas City, votou contra o programa, acreditando que os riscos da compra adicional de títulos ultrapassam os benefícios. Para Hoenig, que votou contra em todas as sete reuniões do ano, o atual grau de acomodação da política monetária eleva o risco de desequilíbrios financeiros futuros e que tal postura poderia resultar, no decorrer do tempo, em uma elevação nas expectativas de inflação que podem desestabilizar a economia.
Voltando ao pregão de ontem, a primeira resposta ao Fed foi a venda de dólares e compra de ações. Instantes depois o mercado fazia exatamente o contrário, mas no fim da contas o tom positivo prevaleceu. As bolsas de valores aqui e em Nova York encerraram com pontuações não observadas desde 2008. O euro tomou fôlego e ficou acima de US$ 1,41, o barril de WTI foi acima de US$ 84. Já o VIX, visto como um termômetro da aversão ao risco, caiu mais de 9%.
No câmbio local, o dólar comercial não reagiu à decisão, pois os negócios encerraram antes do Fed apresentar seu veredito.
Já o mercado futuro captou toda a movimentação pós-Fed. Antes do ajuste final, o dólar para dezembro, negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), apontava baixa de 0,84%, para R$ 1,70.
Mantido o bom humor de ontem, esse novo "piso" do dólar pode ser furado. Cabe lembrar, no entanto, que qualquer reação mais exagerada no câmbio pode ser suplantada pela expectativa de que o governo volte a atuar no mercado para conter a apreciação do real.