quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Cosan vê tendência de queda no subsídio ao etanol norte-americano

LONDRES - A Cosan aposta em uma tendência de queda no subsídio para exportação de etanol dos Estados Unidos. A declaração foi feita ontem por Marcos Lutz, presidente da companhia, durante o 19º Seminário da Organização Internacional do Açúcar (OIA) que acontece em Londres. "O subsídio não vai crescer. Eu diria que a tendência é reduzir", disse o executivo durante uma sessão de perguntas e respostas no evento.

Por outro lado, o analista de alimentos e agronegócios do Rabobank entende que refinarias em joint ventures com companhias de petróleo e com empresas que têm fácil acesso aos mercados de capital devem liderar a expansão da indústria de etanol do Brasil.

"Sem o etanol no mercado, poderia haver um desequilíbrio na oferta mundial de açúcar", afirma Cid Caldas, diretor de Cana-de-Açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura. Para ele, a organização, que tradicionalmente trata apenas o mercado açucareiro, já incluiu o etanol nas discussões.

A produção de etanol ganhou espaço nas pautas do seminário da OIA. A ampliação da oferta do produto, a relação com o preço do açúcar no mercado internacional e a estratégia do governo brasileiro para o setor fazem parte dos debates.

Os representantes brasileiros apresentaram as ações governamentais de apoio ao setor sucroalcooleiro, as políticas públicas de fomento às atividades e a expectativa de produção para a próxima safra de cana-de-açúcar, etanol e açúcar.

Líder mundial na produção de açúcar e etanol de cana-de-açúcar, o Brasil é responsável por mais de 50% do comércio internacional. A experiência brasileira com etanol combustível tornou-se referência mundial no campo das energias renováveis, como forma de reduzir as emissões dos gases de efeito estufa e a dependência de combustíveis fósseis. A produção de cana-de-açúcar no País tem crescido 11% ao ano.

Açúcar

"A elevação dos preços do açúcar no Brasil, maior produtor mundial, deve tornar a produção da commodity mais vantajosa que a de etanol nos próximos dois anos", disse Lutz.

Os preços do açúcar dispararam no mercado brasileiro nas últimas semanas, alcançando o recorde de US$ 0,40 por libra-peso, por causa da expectativa de que a estiagem nas áreas produtoras prejudique o desenvolvimento da safra 2011/12. Hoje, o valor do açúcar é o dobro do praticado no etanol no mercado doméstico e muitos observadores preveem que o preço continuará alto em 2011.